sexta-feira, junho 24, 2011

Hackers não! Criminosos.

Originalmente hackers (singular: hacker) denominava indivíduos que elaboram e modificam software e hardware de computadores, seja desenvolvendo funcionalidades novas, seja adaptando as antigas. O termo "hacker", é erradamente confundido com "cracker", que são peritos em informática que fazem o mau uso de seus conhecimentos, utilizando-o tanto para danificar componentes eletrônicos, como para roubo de dados, sejam pessoais ou não. Conceitualmente, portanto, Hackers seriam aqueles que usam seus conhecimentos para ajudar a aprimorar componentes de segurança.
No Brasil, por uma razão qualquer, o termo "hacker" passou a ser associado a um tipo de crime: a invasão de sistemas computadorizados para roubar ou alterar de modo criminoso informações confidenciais ou simplesmente derrubar os servidores que sustentam determinados sites ou portais. Essas pessoas não são hackers, são deliquentes comuns, ou seja, criminosos.
A imprensa internacional noticiou que um grupo desses delinqüentes digitais atacou na tarde desta quarta feira (22) o site da Petrobras, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, deixando-o fora do ar.
Um grupo italiano reivindicou a autoria do ato e de outros dois ataques que deixaram os sites “presidência.gov.br” e “brasil.gov.br” com o mesmo problema durante a madrugada de quinta-feira (23).
Responsáveis pela segurança de informações do governo brasileiro comprovaram que o ataque partiu de provedores italianos, mas os autores do crime podem estar em qualquer lugar do mundo.
O grupo que reivindicou autoria da ação criminosa usou um site de relacionamentos para se exibir, justificando o movimento contra a Petrobras diante do alto preço da gasolina.
O site do exército brasileiro também foi invadido no sábado e informações de senhas de acesso dos militares foram parar na internet. Segundo a corporação, não houve prejuízo às forças de segurança do país.
Autoridades brasileiras especulam que o ataque foi perpetrado por grupos de ultradireita, em represália à recusa do Brasil em entregar o exilado político Cesare Batisti, acusado pelo governo italiano e julgado à revelia por terrorismo. O ex-ativista de esquerda, condenado na Itália à prisão perpétua acusado de envolvimento em homicídios na década de 1970, estava preso no Brasil desde 2007. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu libertar Battisti, negando recurso da Itália contra a decisão do executivo brasileiro de não extraditar o ex-ativista, a quem o governo havia concedido asilo político. A decisão irritou a direita italiana, conduzindo a ações de intolerância contra nosso país, seus cidadãos e seus símbolos.
No dia 15, uma dupla brasileira de jogadores enfrentou um grosseiro protesto político durante a partida no Campeonato Mundial de vôlei de praia, em Roma. Militantes de ultradireita, vestidos de negro como faziam os fascistas de Mussolini, atiraram laranjas na arena durante o confronto de Alison e Emanuel contra os dinamarqueses Soderberg e Hoyer.
A bravata da direita italiana é só isso: bravata. Abalada por uma profunda crise econômica e pela queda vertiginosa da posição do país no ranking das economias importantes, a Itália nada pode fazer contra o Brasil a não ser o vexame de atos criminosos, que desabonam ainda mais a imagem da bota perante o resto do mundo; imagem, aliás, já não é das melhores, abalada pela incompetência em combater o desemprego e a xenofobia e pelos escândalos de corrupção e de desvios de conduta de seus dirigentes.

Mobile politics: marketing político via celular

Scott Goodstein atuou na campanha de Barack Obama dedicando-se exclusivamente ao uso de telefones celulares como instrumento de marketing político. Durante o 1º Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing da George Washington University ele falou que o desafio em atuar com a comunicação via celular na política é o alto custo do serviço de transmissão de dados. No período em que a campanha analisada por ele foi realizada, nos EUA grande parte da população não tinha acesso à tecnologia 3G, o que restringiu a atuação dos possíveis apoiadores do candidato.

Internet e política na opinião de Ben Self

Ben Self, que foi um dos consultores da campanha presidencial de Dilma Rousseff, é outro nome associado à estratégia da campanha de Barack Obama. Aqui, ele ressalta a importância da internet nas campanhas políticas e nas relações sociais. Ben destaca que, atualmente, as pessoas buscam estreitar suas relações pela web, tendo como base experiências que proporcionam a interação e o engajamento. E essa não é uma exclusividade da política. Assista ao vídeo abaixo e saiba mais.

Internet, política e televisão

Muitos estudantes de comunicação me procuram para saber minha opinião sobre o papel da internet no processo eleitoral. Responder a essas questões é sempre uma forma de refletir sobre elas. Para auxiliar na compreensão do tema, publico aqui a fala de Jason Ralston - um dos responsáveis pela criação da publicidade da campanha presidencial de Barack Obama - sobre como aliar política, internet e televisão. O pronunciamento aconteceu durante o 1º Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing da George Washington University. Ali, o estrategista ressaltou que a TV continua sendo o meio mais eficaz para convencer os eleitores. O grande papel da internet, segundo a opinião dele que também é a minha, seria organizar os apoiadores do candidato. Além disso, o fato de usar novas tecnologias na campanha reforça a ideia de que o candidato é adepto a novidades, o que de certo modo faz com que o meio se torne parte da mensagem. Algumas das opiniões de Jason estão no vídeo abaixo:

quinta-feira, junho 16, 2011

Como se tornar uma pessoa interessante

Em um texto fantástico publicado no seu blog, Russel Davies - planejador de marketing que todos deveriam conhecer - conta que o futuro nos negócios criativos está reservado às pessoas interessantes. Segundo ele, as pessoas empregarão e trabalharão com gente interessante. Diante disso, com a propriedade de quem já foi diretor de marca da Nike e diretor de planejamento da Wieden + Kennedy, ele dá 10 dicas preciosas para quem quiser se enquadrar nesse contexto. Segundo o Russel, colocando-os em prática, você já se sentirá mais interessante em questão de semanas. Vale a pena.

Para elaborar seus pontos, ele se baseou em duas premissas:

Para ser interessante é preciso ser interessado: Você tem que encontrar o lado interessante de tudo. Você deve ser bom em perceber as coisas, em ouvir, em encontrar pessoas (e coisas) interessantes – e eles também te acharão interessantes.

Pessoas interessantes são boas em compartilhar: Você não consegue se interessar por alguém que não te conta nada. Compartilhar, porém, não tem nada a ver com falar, falar e falar. Significa compartilhar suas ideias, deixar as pessoas brincarem com elas, e ser bom em contá-las sem ter que falar de si mesmo.

Seguem as dicas:

1. Tire pelo menos uma foto todo dia. Poste-a no Flickr.
Carregue sempre uma câmera. Se tem uma no telefone celular, já ajuda. O ato de levar sua câmera a todo lado e sempre manter os olhos abertos para possíveis fotos mudará a maneira como você vê o mundo. Isso faz com que você perceba mais coisas. Deixa você ligado em tudo ao seu redor. Além disso, postar suas fotos no Flickr (ou outros sites de compartilhamento de fotos) significa que você estará compartilhando. Fica público. Isso fará você pensar um pouco mais sobre o que irá fotografar e gerará diálogos sobre suas imagens.

2. Monte um blog. Escreva nele pelo menos uma frase por semana.
È muito fácil. Além disso, vai ser impossível você se limitar a uma só frase. Você vai querer escrever mais. É fácil rotular blogs como uma forma de jornalismo banal, mas, de certa forma, isso é uma força a seu favor. Blogueiros não saem para investigar coisas (a maioria), não estão em lugares chiques, ninguém dá histórias a eles e, portanto, tem que construir com o conteúdo presente na própria vida. Isso fará você perceber as coisas que os outros não vêem. Ao sentir a necessidade de escrever sobre algo, fará você prestar mais atenção às coisas, sair e ver novidades, carregar um notebook – deixará você antenado no mundo.

3 – Mantenha um scrapbook
Todas as pessoas interessantes e criativas com quem trabalhei já tiveram scrapbooks. Eles são sempre estimuladores de ideais e o aspecto físico desses cadernos trazem benefícios para o processo. Além disso, conjunções inesperadas que você terá com a aleatoriedade dos scrapbooks podem te levar a algumas das suas melhores ideias.

4. Toda semana, leia uma revista que nunca leu antes.
Pessoas interessantes são interessadas em todo tipo de coisa. Isso quer dizer que exploram todos os tipos de mundo, vão a lugares que não esperariam gostar, e buscam sempre o que há de bom e interessante lá. Uma ótima maneira de fazer isso é por meio das revistas. Revistas especializadas permitem que, da poltrona da sua casa, você explore o sistema solar das atividades humanas . Experimente. È fantástico.

5. Uma vez por mês, entreviste alguém por 20 minutos e descubra como elas se tornaram interessantes. Faça podcasts das conversas.
Mais uma vez, ser interessante é ser interessado. Entrevistar é fazer que a outra pessoa se torne uma estrela. Poder ser qualquer um: um amigo, um colega, um estranho, qualquer um. Encontre o que há de interessante a respeito de cada um deles. Entrevistar fará você parar um pouco e te forçará a escutar. Uma boa coisa para praticar. Criar Podcasts é compartilhar. Compartilhar é algo com o qual você deve se acostumar.

6. Colecione algo
Pode ser qualquer coisa. Mas prefira se tornar um especialista em algo inesperado e que poucos colecionem. Desenvolva uma paixão. Aprenda como comunicar isso a outras pessoas sem assustá-las. Encontre as outras poucas pessoas que dividem esse mesmo interesse. Aprenda a se tornar útil nessa comunidade.

7. Uma vez por semana, sente-se em um café por uma hora e ouça a conversa dos outros. Faça anotações. Poste sobre esses assuntos no seu blog (com muito cuidado).
Passeie um pouco pela vida das pessoas. Ouça seus discursos padrões e suas preocupações. Coloque-as no papel. Mas não deixe que as pessoas o vejam – tente não apanhar. Também não aja de forma forçada, pulando de mesa em mesa para ouvir a melhor conversa. Apenas escute as que surgirem no seu caminho.

8 – Mensalmente, escreva 50 palavras sobre uma peça de arte visual, um texto, uma música e um trecho de filme. Se puder, faça o mesmo para outros tipos de arte. Poste-as no seu blog.
Se quiser trabalhar em negócios criativos (e logo todos serão assim), terá que se acostumar a ter um ponto de vista sobre coisas artísticas. Mesmo se não for tão ligado às artes, você terá que se sentir confortável em expressar uma opinião sobre coisas que não sabe como fazer ou criar, como música ou poesia. Com a prática, você melhorará cada vez mais. Compartilhando esses pensamentos, a evolução será ainda maior.

9. Crie coisas
Faça alguma coisa manual. Crie algo do nada. Podem ser nós, lego, um bolo ou mesmo tricô. Tire um tempo para se desligar e sair um pouco do seu pensamento. O ideal é optar por algo que você não tem ideia de como fazer. Não ligue se tiver dificuldade no início. As pessoas adoram gente que cria coisas. Compartilhe essas criações no seu blog.

10. Leia:

Desvendando os Quadrinhos: história, criação, desenho, animação, roteiro. (Understanding Comics) - Scott McCloud
The Mezzanine - Nicholson Baker
The Visual Display Of Quantitative Information - Edward Tufte

Todos esses livros são bons, cada um por um motivo diferente. O que importa, no entanto, é que são ótimos exemplos de pessoas que são realmente interessadas por coisas que os outros acham banais. Neles, elas explicam suas paixões de uma maneira que também acabamos nos apaixonando pelo assunto.

segunda-feira, junho 06, 2011

Bandidos desmoralizam sistema "suja notas"

Em São Paulo, hoje, a polícia prendeu quadrilha que limpava dinheiro machado pelo sistema anti-furto usado nos caixas eletrônicos. As cédulas ficavam como novas. O sistema inventado pelos bancos e anunciado como a solução para a destruição dos caixa-eletrônicos consiste em um tubo de vidro que, ao ser detonado, derrama tinta cor de rosa nas cédulas, inutilizando-as. Cidadãos de bem já foram considerados bandidos por usarem notas manchadas, que às vezes saem dos próprios caixa-eletrônicos do sistema bancário, por falha na vedação da tinta. Na humilde casa onde a quadrilha atuava, nenhuma fórmula sofisticada ou laboratório avançado foi encontrado. Apenas detergentes comuns, desses que se vendem em supermercados. O sistema "suja notas" criado pelos bancos custou milhões de reais em projeto, desenvolvimento e instalação. O sistema "limpa notas" dos bandidos custou um punhado de reais no supermercado da esquina. Está claro que temos aqui uma desvantagem considerável entre a inteligência de segurança usada pelos bancos e pela polícia e a inteligência dos delinqüentes. À favor dos bandidos, diga-se. A idéia de sujar as notas e destruir as cédulas para evitar assaltos aos caixa-eletrônicos é mais ou menos como sugerir explodir o pulmão de alguém para impedir que volte a fumar. É uma das concepções mais imbecis que já foram colocadas em prática e, é claro, logo seria desmoralizada em público. Cheguei a pensar que os bandidos levariam seis a oito meses para driblar o mecanismo "suja notas". Levaram três meses e essa inteligência de baixa tecnologia já deve ter sido passada adiante via twitter ou msn, em telefones celulares pré-pagos. O fato prova, uma vez mais, que todo problema complexo tem uma solução simples. E ela invariavelmente está errada.

quinta-feira, junho 02, 2011

Frase

"Prefiro a disciplina do conhecimento à anarquia da ignorância". David Ogilvy

quarta-feira, junho 01, 2011

O neologismo da moda: coaching

A palavra da moda é "coaching". Todo texto de administração e negócios que quer ser levado a sério precisa apresentar esse termo, em geral em um contexto onde ele parece brilhar. Exemplo aleatório: "O líder coaching pode ser comparar com um maestro, que em alguns momentos trabalha com apenas com um integrante, em outros orienta todos à distância e, em outros, corta os vínculos para que possam se desenvolver em áreas completamente fora do seu escopo. Você as leva a aprender e a treinar regularmente, ajuda-as a canalizar sua paixão pela aprendizagem para as melhores oportunidades e harmonizar a participação delas e dos demais integrantes da organização". Esse e outros estrangeirismos demonstram o quanto o nosso idioma elaborado está perdendo espaço para um idioma primitivo como o inglês. O que hoje chamam de coaching é, simplesmente, o que chamamos em português de educação - que em inglês não tem o mesmo sentido que em português, indicando "ensino", aprendizado formal escolástico; em nosso idioma "educação" indica sistema, assimilação e transmissão de conhecimento de modo abrangente que atravessa todo o tecido social. Usar caaching para substituir educação é de um subdesenvolvimento cultural colossal. Afinal, o que é educação? É o processo contínuo de equipar as pessoas com as ferramentas, o conhecimento e as oportunidades de que precisam para se desenvolver e se tornar mais efetivas, reflexivas e eficazes. É essa justamente essa a definição de coaching na maioria dos textos sobre o tema. Qual a razão de usar um estrangeirismo para definir algo que em português se define melhor? Na tradução livre do inglês para português coaching significa “treinador”. O termo foi adaptado para expressar um modo de treinar no intuito de instruir a carreira profissional. Ou seja, educar para o mercado.
O que esses textos chamam de “coaches” nós chamamos de educadores, pessoas que não desenvolvem pessoas (as pessoas desenvolvem-se por si mesmas), mas dão condições para que elas se auto-desenvolvam através do conhecimento e do senso crítico. Raramente um educador terá tempo para se envolver com cada aspecto do desenvolvimento humano. E raramente terá todas as informações, habilidades e a sabedoria de que alguém pode precisar para garantir esse desenvolvimento. Felizmente, não há necessidade de ser perfeito para ser um educador efetivo. Pelo contrário, todo educador é um catalisador do desenvolvimento. O processo educativo, que os idiotas no Brasil e em Portugal chamam de “coaching”, nada mais é que um processo pedagógico contínuo, não uma conversa eventual ou a transmissão de um acontecimento isolado. “Educar”, escreveu William Butler Yeats, “não é encher um balde, mas acender uma chama”.
Quando alguém disser "coaching" reaja. Ele quer dizer "educador".

sábado, maio 28, 2011

Reduzindo a diletância

Reuniões, todos sabem, nem sempre são produtivas. O pior é quando elas são improdutivas e demoradas, alongando-se em assuntos paralelos e consumindo o tempo que poderia estar sendo dedicado a resolução de problemas. Uma empresa brasileira especializada em TI desenvolveu um método para tornar as reuniões mais rápidas e produtivas e para isso não precisou usar nenhuma ferramenta de alta tecnologia. A empresa, que se chama Simples, decidiu desde o ano passado abolir as cadeiras das reuniões. Todos, inclusive o presidente, passaram a conversar em pé. As reuniões, que eram semanais, se tornaram diárias e duram no máximo 20 minutos. "De pé as pessoas tendem as ser mais objetivas, evitando assuntos de pouca relevância para o momento", destaca Érico Andrei, presidente da empresa. "O número de tarefas concluídas antes do prazo aumentou para 30%", destaca. As casas legislativas e os tribunais superiores bem que poderiam adotar o método.

Na cama com Madonna

"Deitamos um ao lado do outro com nossos BlackBerrys debaixo do travesseiro". A frase é da pop-star Madonna, revelando que ela e o marido costumam dividir a cama com a tecnologia.

Siga aquele Bluetooth!

Vassilis Kostakos, da Universidade de Bath, na Inglaterra, foi o responsável por uma interessante pesquisa que prova ser possível identificar hábitos de donos de aparelho celular a partir do rastro que seu Bluetooth deixa quando ativado em tempo integral. O pesquisador instalou receptores em locais estratégicos e, após quatro meses, 10 mil aparelhos foram rastreados. Debruçado sobre a massa de dados gerada a partir daí, foi possível identificar itinerários e locais que os donos dos aparelhos freqüentaram, como bares, lojas e motéis. O pesquisador defende-se quando é acusado de invasão de privacidade: "Não se trata disso, mas de encontrar vias simples e baratas para identificar hábitos de consumo", afirma.

Foco: um banco só para mulheres

Para quem ainda duvida que marketing é, antes de tudo, foco, o mundo está cheio de lições para dar.
Um exemplo vem do México, que mesmo no período mais agudo da maior crise econômica desde 1932, viu um de seus bancos crescer de maneira vertiginosa, embora aplicando taxas de juros bem menores que a concorrência. O banco Compartamos teve sua base de clientes ampliada em 25%, aumentando para 2,5 milhões de pessoas operando em sua carteira. Receitas e lucros aumentaram 30% e o valor de suas ações dobrou. O que chama mais atenção, para além de números tão expressivos, é a principal característica e marca da instituição: o Compartamos só empresta dinheiro para mulheres, que devem estar agrupadas em unidades de negócios com pelo menos 12 e no máximo 50 pessoas. A fórmula deu certo ao ponto da instituição já fazer planos para chegar a outros países, inclusive o Brasil.

sábado, maio 14, 2011

Frase

"O fracasso ensina mais que o sucesso, mas você tem que falhar rápido, sem gastar muito; e não errar duas vezes". Alan G. Lafley, presidente mundial da Procter&Gamble.

terça-feira, maio 10, 2011

Carinhoso? De novo?

Sinceramente, deveria ser proibido usar a música "Carinhoso" como jingle. Feita para expressar uma emoção, a música está se banalizando com o uso abusivo que a propaganda sem imaginação dá a ela. A música já foi usada para vender exames cardíacos, chocolates, roupas infantis, fraldas geriátricas, planos de saúde, iogurte, etc, etc, etc. Se você tem um produto e não tem uma idéia, dá-lhe "Carinhoso". Nos países de língua inglesa costuma-se dizer que, se você não tiver uma idéia, é só lançar mão de uma canção dos Beatles, colocar qualquer imagem de fundo e pronto, terá um comercial elogiável. Aqui, penso, querem fazer o mesmo com "Carinhoso". Não cola. Os Beatles têm centenas de canções como opção. "Carinhoso" é uma só. Já deu.

e-Guerrilha: emails que acertam no alvo

Nossos clientes nos relatam os resultados excelentes em suas campanhas de e-Guerrilha com seguindo algumas regras básicas e importantes.

Confira:

1. INVISTA EM SUA BASE DE E-MAILS:

De nada vale ter uma listagem enorme e irrelevante para o negócio. "Já tivemos mailing de 25 mil e-mails e não sabía-mos nem o nome das pessoas", diz Maurício Renner, editor de site de tecnologia da informação. "Depois de constatar que muitas mensagens não eram sequer abertas, fizemos uma campanha de recadastramento e temos hoje uma base consistente de 8.700 assinantes."

2. ABRA UM CANAL PARA OPT-OUT:

Em todos os e-mails que enviar, disponibilize um link para descadastramento, caso contrário, a sua empresa corre o risco de ficar associada ao desrespeito e à prática de spam.

3. ACERTE NA FREQUÊNCIA:

A não ser que tenha autorização do cadastrado para envios mais frequentes, atenha-se aos e-mails quinzenais ou no máximo semanais. O excesso de e-mails pode gerar uma imagem negativa.

4. SEJA RELEVANTE:

Analise os links clicados pelos destinatários para identificar grupos de interesse. Se houver tribos bem distintas, segmente sua base de contatos, de modo a criar e-mails efetivamente relevantes para quem recebe.

5. POSSIBILITE A TROCA:

Não se restrinja a enviar mensagens. Apresente para o destinatário um canal de aprofundamento e interação, seja por e-mail, fone, site ou blog. Em sites e blogs, disponibilize formulários de cadastro e apresente a possibilidade de indicar amigos.

6. DOSE O TAMANHO DOS ARQUIVOS:

Não carregue os e-mails com imagens ou anexos pesados. Caso queira disponibilizar arquivos grandes para o destinatário, gere um link que conduza a eles.

7. SEJA OBJETIVO:

Tenha títulos e mensagens objetivas. Seu e-mail concorre com várias outras mensagens, você tem poucos segundos para atrair quem lê.

8. DRIBLE O ANTI-SPAM:

Antes de liberadas pelos provedores, as mensagens passam por filtros anti-spam. Existem palavras ranqueadas em mecanismos específicos, se uma delas atinge certa pontuação, é interpretada como lixo. Palavras como: "Sexo", "Viagra", "Clique Aqui" e links para o Orkut, por exemplo, alcançam muitos pontos. Em períodos de programa Big Brother Brasil, "BBB" é um termo que também assusta. Antes de disparar várias mensagens eletrônicas convém testar o envio para endereços de provedores distintos. Uma vez aprovadas, tudo OK para o restante do grupo.

9. INVISTA NO ENVIO:

Há empresas especializadas em envio de e-mail. Elas têm pacotes econômicos para envios reduzidos, como mil mensagens mensais. O disparo "doméstico" costuma ser barrado pelos provedores.

10. MENSURE OS RETORNOS:

e-Guerrilha não é mero instrumento para divulgação. Trata-se de um modo de conhecer melhor o cliente e identificar suas preferências. Tome as mensurações feitas por empresas de marketing como formas para incrementar seu negócio. Você pode inclusive fazer testes, enviando diferentes mensagens para dois grupos e comparando os retornos obtidos.

segunda-feira, maio 09, 2011

As lições de Rupert Murdoch

Rupert Murdoch, o magnata da mídia dono da News Corp, atraiu milhares de leitores para sua edição on-line do Times londrino para, de uma hora para a outra, decidir fechar a porteira e limitar o acesso apenas a assinantes.
Cerca de 150 mil leitores aceitaram registrar-se no site do Times, pouco mais de 12% do número de leitores on-line durante o período gratuito. Desses, somente 15 mil aceitaram pagar pelo acesso ao conteúdo. Ou seja, Murdoch conseguiu perder 98,8% dos leitores do site do Times ao passar a cobrar pelo acesso aos textos do jornal. Um fracasso retumbante.
Poderia, simplesmente, ampliar as possibilidades de publicidade no site, vendendo sua audiência como público-alvo para anunciantes e com isso garantir a rentabilidade do empreendimento.
No entanto, o cidadão Kane do século XXI acredita liderar uma cruzada em defesa dos direitos autorais, outra utopia burguesa ferida de morte pela internet. Acusa as ferramentas de busca de "plagiarem" o conteúdo de seus jornais. “São as pessoas que simplesmente pegam tudo e saem correndo, que roubam nossas matérias, que as pegam sem pagar. É o Google, é a Microsoft, é o Ask.com, um monte de pessoas”, indigna-se o barão da imprensa.
Com a medida, Murdoch queria impedir o que chama de plágio - na verdade, a difusão, a propagação da notícia por outras ferramentas - e obrigar os leitores de seu site a pagar pelo material consumido. Para ler, você precisa pagar.
Não deu certo. Não poderia dar. Seria como tentar cobrar de quem ouve uma piada e proibi-la de passar a piada adiante. Parece uma boa idéia, mas é impossível de operacionalizar o controle e a cobrança. Mais ainda: é impossível contar com a aceitação passiva das pessoas a isso.
Como a longa agonia da indústria fonográfica demonstra, a fórmula analógica não serve para lidar com os conteúdos digitais.
Os veículos de Murduch não são a única fonte de informação e a maioria absoluta das outras fontes está disponível gratuitamente.
Simplesmente querer cobrar pelo ar não obriga ninguém a pagar para poder respirar.

Frase

“Para nós o terrorismo é inadmissível. Essa prática minimiza o papel das massas em sua própria consciência; as faz aceitar sua impotência e voltar seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá para cumprir sua missão.”

Leon Trotski, "Escritos sobre o terrorismo"

quinta-feira, maio 05, 2011

Fina ironia

“Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares gastos, conseguimos matar uma pessoa.”

Michael Moore, cineasta.

terça-feira, maio 03, 2011

A CIA criou Bin Laden

Bin Laden e a sua rede terrorista, a Al Qaeda, foram criados pelos serviços secretos norte-americanos, a CIA, durante os anos oitenta do século passado.
A tese é defendida pelo historiador Norm Dixon num artigo dedicado a alguns aspectos da guerra dos mujahidines afegãos contra as tropas soviéticas no Afeganistão durante os anos oitenta.
Segundo o artigo, em 1986, o chefe da Central Intelligence Agency (CIA), William Casey, autorizou uma proposta de recrutamento mundial de fundamentalistas islâmicos para se juntarem à “Jihad” (Guerra Santa) no Afeganistão contra as tropas da União Soviética que tinham invadido o país em 1979.
Cerca de 100 mil militantes islâmicos deslocaram-se então para o Paquistão até ao ano de 1992. Cerca de 40 mil foram mobilizados para os combates e os restantes 60 mil frequentaram escolas corânicas para reforçarem as suas convicções e os seus conhecimentos religiosos.
Alguns dos operacionais foram recrutados pelo Centro de Refugiados de Kifah em Brooklin (Nova Iorque) no âmbito da chamada “Operação Ciclone”, de acordo com o jornal “Independente” citado pelo autor do artigo. Os fundamentalistas islâmicos recrutados receberam dinheiro e equipamento distribuídos no Paquistão através da organização Maktab al Khidamar (MAK – Escritório de Serviços), um ramo dos serviços secretos paquistaneses (ISI). O ISI era o principal canal para onde eram encaminhados os apoios secretos da CIA e da Arábia Saudita aos chamados “contras” afegãos.
Ussama Bin Laden, membro de uma abastada família saudita bem relacionada com a família real, era um dos administradores do MAK. Em 1989 tornou-se o único gestor desse organismo.
As actividades de Bin Laden no Paquistão e Afeganistão realizavam-se com o conhecimento e o apoio do regime saudita e da CIA. Milt Bearden, chefe de antena da CIA no Paquistão de 1986 a 1989 admitiu em 2000 ao jornal “New Yorker” que embora nunca tenha encontrado Bin Laden pessoalmente conhecia as suas actividades à frente do MAK.
O artigo de Norm Dixon cita também um antigo soldado britânico que se juntou secretamente aos mujahidines, Tom Carew, segundo o qual militares norte-americanos treinaram os fundamentalistas islâmicos em actividades de terrorismo urbano, designadamente carros-bomba, para actuar contra as tropas soviéticas nas maiores cidades afegãs.
Em 1987-88, Bin Laden concentrou a gestão dos campos de treino e das operações dos mujahidines numa organização que designou Al Qaeda (A Rede), uma holding capitalista criada com apoio dos serviços secretos paquistaneses, norte-americanos e sauditas.
Os mercenários desta organização, directamente recrutados e pagos por Bin Laden, foram armados pela CIA. Os militares que os treinavam foram destacados pelo Paquistão, pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha.
O objectivo principal destas actividades no Afeganistão era combater e expulsar as tropas da União Soviética, que o presidente dos Estados Unidos, então Ronald Reagan, qualificara como “o império do mal”. “Movimentos de libertação erguem-se e afirmam-se por si próprios em todos os continentes povoados pelo homem”, declarou Reagan em 8 de Março de 1985. “Isso acontece nas colinas do Afeganistão, em Angola, no Cambodja, na América Central. (…) Eles são os combatentes da liberdade”.
Ussama Bin Laden chefiava os “combatentes da liberdade” actuando no Afeganistão, Depois da derrota soviética no Afeganistão e em virtude da guerra civil que deflagrou neste país entre os mujahidines, Bin Laden transferiu depois o seu apoio para os Talibã.
De acordo com Norm Dixon, Bin Laden apenas passou a ser considerado “terrorista” pelos Estados Unidos quando se pronunciou contra a presença de 540 mil soldados norte-americanos na Arábia Saudita a partir da Guerra do Golfo em 1990-91.
No entanto, existe controvérsia quanto ao momento em que aconteceu esta viragem. Segundo o jornal francês “Le Fígaro”, Bin Laden teria sido visitado pelo chefe de antena da CIA num hospital do Dubai, onde estava em tratamento, emJulho de 2001, a dois meses do atentado de 11 de Setembro contra as torres gémeas de Nova Iorque.

segunda-feira, maio 02, 2011

Obama, Osama e o elogio à barbárie

Nas ruas dos Estados Unidos, a histeria generalizada se espraia. Populares, governo e órgãos de imprensa comemoram com fogos e festa o suposto assassinato de Osama Bin Laden. Digo suposto autorizado pela ausência de provas. Afinal, somente a palavra do governo dos Estados Unidos não vale um vintém.
Uma nação que arrota democracia mas engole Guantánamo está doente da alma. Guantánamo, para quem não sabe, é um campo de concentração ao estilo nazista patrocinado pelo governo estadunidense onde presos são mantidos sem direito a defesa alguma, submetidos a tortura física e psicológica, motivo de indignação internacional e alvo de duras críticas das organizações de direitos humanos.
O discurso contraditório com a prática é parte da história do Império, que tem uma longa folha corrida de ações rotineiras de violação aos direitos humanos.
Osama era culpado do atentado às Torres Gêmeas? Possivelmente sim, mas era preciso usar para provar essa culpa os métodos do estado de direito. Como pode um país e um povo que se diz partidário da democracia comemorar o vilipêndio de cadáver, a execução sumária de quem quer que seja? Como pode um país que quer hegemonizar culturalmente o mundo dar aos povos o exemplo de que o justiçamento ilegal é o meio correto de fazer justiça? Em nome dessa vingança milhares e milhares de civis inocentes foram mortos no Iraque, no Afeganistão e nas prisões ilegais mantidas secretamente pelos órgãos de inteligência dos Estados Unidos em diversos países limítrofes a esses palcos de guerra.
Osama, que pela barbárie colocou na mídia sua organização terrorista e Obama, que com esse ato midiático se cacifa eleitoralmente em um momento em que seu governo precisa dizer ao que veio, se irmanam em método e doutrina: o desprezo ao que é humano. Lamentavelmente, porque Obama se elegeu com um discurso anti-Bush, rejeitando a guerra preventiva e com uma plataforma de reforço à legalidade e de respeito à autonomia dos povos. Era o discurso. Na prática, o presidente Obama está desautorizando o candidato Obama. O conservadorismo de direita, impregnado à prática política e às normas de governo da Casa Branca, enterram dia após dia o sonho de um governo estadunidense que não pense apenas em si mas se situe no planeta.
O "olho por olho, dente por dente" não é uma lição que a humanidade precise voltar a recitar para se tornar melhor. Ao contrário. É o caminho mais curto para a selvageria.