Um levantamento aponta que 71,6% dos candidatos que concorrem no segundo turno das eleições municipais do próximo dia 26 respondem a processos na Justiça.
Segundo o levantamento feito pelo site Congresso em Foco (www.congressoemfoco.com.br), 43 dos 60 postulantes que concorrem às Prefeituras das 30 cidades onde haverá segundo turno têm pendências com a Justiça. No total, estes candidatos somam 249 ações.
Para levantar os dados sobre os candidatos, foram consultadas as páginas na internet do STF (Supremo Tribunal Federal), da Justiça Federal e dos tribunais de Justiça de cada Estado.
Em 16 cidade, os dois candidatos à Prefeitura são réus em processos em alguma instância do Judiciário. Entre elas estão as seguintes capitais: São Paulo (SP), Belém (PA), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC) e Manaus (AM).
Já em outros 11 municípios, apenas um dos concorrentes no segundo turno respondem a processos. Entre elas estão Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Luís (MA).
Em apenas três cidades não foram encontrados processos contra os postulantes à Prefeitura: Belo Horizonte (MG), Canoas (RS) e Macapá (AP).
Casos mais comuns
Segundo o site Congresso em Foco, foram encontradas dificuldades para acessar dados sobre os candidatos a prefeito nas páginas da internet dos Tribunais de Justiça.
Em quase nenhum dos websites --com exceção do STF-- é possível saber qual o assunto a que as ações se referem.
Houve também dificuldades em se consultar agravos, apelações em segunda instância e outros recursos nos processos. Portanto, foram considerados apenas processos de origem.
Mas, entre os 249 processos encontrados no levantamento, os casos mais comuns se referem a execuções fiscais, ações populares e processos por improbidade administrativa.
Porém, foram também encontradas ações que tratam desde cobranças de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) até inquéritos de corrupção e compra de votos.
Polêmica
A divulgação dos nomes de candidatos envolvidos em processos têm causado grande polêmica.
Em agosto deste ano, a Associação dos Magistrados Brasileiros divulgou a primeira lista de candidatos que eram réus em ações judiciais.
A AMB também pediu em ação que as candidaturas de postulantes "fichas sujas" fossem impedidas. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, rejeitou a ação, alegando que ela feriria o princípio da presunção de inocência.
Na ocasião, a lista foi criticada por juristas e por políticos que foram incluídos na categoria. Na opinião deles, o fato de os candidatos serem réus em processos não poderia ser usado contra suas candidaturas, já que tais ações ainda não teriam transitado em julgado.
Candidatos processados se defendem dizendo que tais ações podem ter sido iniciadas por motivos eleitoreiros. Já entidades como a AMB e o site Congresso em Foco entendem que a divulgações de informações sobre a vida pregressa dos candidatos ajudaria os eleitores a fazerem melhores escolhas nas eleições ou, no mínimo, a votarem com consciência e informação sobre os elementos em disputa.
quinta-feira, outubro 23, 2008
segunda-feira, outubro 20, 2008
Bate-boca criativo
No último MaxiMídia, o mais importante evento do meio publicitário nacional, em pleno painel sobre a Criatividade Brasileira, o mais importante, porque tinha como Presidente da Mesa o presidente da ABAP, Dalton Pastore, como Moderador, Luis Lara e como debatedores aqueles que a grande maioria do mercado publicitário julga como os maiores representantes dessa geração de criativos brasileiros, Nizan Guanaes e Fábio Fernandes, um confronto aberto se estabeleceu.
O que se viu foi um enorme bate-boca e, pior (ou melhor, a depender do ponto de vista), Fábio desancando Nizan como grande parte do mercado gostaria de fazer mas não tem a coragem necessária ou a oportunidade devida. Ali, diante de muitos, Fábio chutou um ídolo de barro até vê-lo reduzido ao que ele realmente é: barro.
Leiam a seguir, com atenção, o texto do email que Fábio Fernandes mandou a todos os seus funcionários da F/Nazca com o título "ninguém é obrigado a ler".
Leitura obrigatória.
Pessoal,
Achei que devia escrever a vocês para falar sobre o Maximidia e o debate/embate que eu travei com o Nizan.
Acho que não é novidade para os mais próximos e os nem tão próximos que tenho diferenças profundas, quase religiosas, na visão sobre o que é e o que deve ser o negócio, o objetivo do trabalho, a missão, os processos, a forma e o conteúdo do prodtuto final de uma agencia de propaganda, em relação ao dito personagem - pra mim, uma caricatura de ser-humano, dublê de político populista e novo-rico deslumbrado, comediante de frases de efeito repetidas à exaustão, arremedo de empresário anti-ético e criativo anti-estético.
Nunca escondi - nem dele - que o acho vil, pernicioso à nossa indústria, predador, oportunista, aproveitador, manipulador.
Nunca deixei de observar e comentar que todo o tempo em que ele esteve criador, foi um tempo que ele utilizou apenas para forjar um personagem que, com tino e capacidade de observação, o levaria a ter seu próprio negócio, onde ele reproduziria não aquilo que ele almejou como empregado mas, ao contrário, os piores modelos, os piores ambientes internos, piores lugares comuns, entre todas as agencias em que ele trabalhou. Desde que isso, convenientemente, implicasse em fazê-lo mais forte, mais rico, mais poderoso.
Nizan é um caso típico de uma pessoa que quanto mais tem mais quer. E que quanto mais quer menos mede esforços e as consequencias nefastas dos atos que ele pratica para ter mais. Ele é o exemplo pronto e acabado da insustentabilidade.
Se fosse presidente dos EUA não seria em nada diferente de Bush - só o discurso seria mais engraçado. Mas invadiria o Iraque, deportaria estrangeiros, perseguiria minorias, poluiria a atmosfera, cagaria para o mundo. O que interessa para ele é ele. E por ele, acha ele, que pode, ele, tudo.
Mas a minha questão mais vital em relação a ele, é o fato de que - queira eu ou não - ele se transformou em uma celebridade da propaganda brasileira. Os incautos, os bobos da corte, os novatos, os leigos, os incultos, clientes inclusive, publicitários inclusive, imprensa, principalmente, inclusive, o acham o máximo. E eu, que convivo muito bem com as minhas invejas, meus desencantos, meus fracassos, não teria nada a objetar se ele o fosse de fato. Portanto não é este, em nenhuma hipótese, o meu problema com ele.
O meu imenso, colossal, infinito problema com ele é que, amparado por essa "populariadade", "unanimidade", "superioridade" ele diz o que quer, do jeito e na hora que quer, destruindo o que quer, com voz e pompas de "representante da categoria".
Agencias que produzem trash for cash (ou, lixo por dinheiro, em bom português) existiram e existirão sempre. Na realidade, em boa parte elas até nos ajudam a sermos melhor percebidos como inovadores, originais, cuidadosos, diferentes.
O Brasil, entretanto, é o único país do mundo onde a publicidade tem no discurso do seu maior expoente que "o que é bom é feito para ser copiado", "propaganda criativa é bobagem", "eficiência é o contrário de originalidade", ou as pérolas que ouvimos no próprio Maximídia "momento de crise não momento de inovar". Ou seja: na falta de capacidade ou de vontade de fazer boa propaganda, propaganda de qualidade (o que, obviamente, na nossa opinião passa obrigatoriamente por inovação, criatividade, excelência na execução e excitação do pessoal interno de uma agencia de propaganda) o que ele faz - oficialmente - é nos colocar na posição de meninos traquinas, revoltadinhos de plantão, criativos irresponsáveis que querem brincar com o dinheiro dos clientes, enquanto ele finge que é Jack Welch, Warren Buffet ou Armínio Fraga. Nizan não sabe mais quem ele é. Ele é publicitário mas quer fingir que é analista econômico. Foi criativo mas gostaria mesmo era de ser dono da Ambev. Tem um business microscópico mas arrota ares de colega de turma de um Jorge Gerdau. Mas eu sei quem é Nizan. É um demagogo. Ele sabe bem que o discurso do tradicionalismo, do conservadorismo, da mediocridade, da pasteurização, agrada em cheio a uma imensa gama de bundões de plantão que preferem demitir do que investir. Preferem temer do que empreender, preferem dividir os prejuízos, já que nos lucros ele posa com a esposa em sandálias de 3.200 reais em seu apartamento em Paris. Preferem disseminar o caos, porque a alegria dos bons momentos ele rega com champagne em festas particulares com celebridades estéreis e etéreas de ultima hora.
Na publicidade, que afinal é o meu negócio, embora sempre que eu fale nisso ele ache que o assunto está infantil demais (lembrem-se, ele é um business man) ele sabe também que há bundões prontos a gastar mais para contratar uma meia dúzia de artistas famosos, cantando um jingle com uma logomarca formada por funcionários da empresa, do que se "arriscarem" a criar um posicionamento de verdade, uma linguagem proprietária, um estilo único e próprio.
Na visão desse chupa-sangue de plantão, ele está certo. Tanto que acerta duas vezes com uma mesma tacada: acalenta os desejos mais primitivos de um ou outro cliente cagão e ainda fatura muito mais em cima do trouxa que tem que enfiar todo o dinheiro do mundo para ser ouvido/visto/lembrado com uma bobajada cheia de clichês e formulinhas baratas, que definitivamente não sobreviveriam a um plano de mídia comprado com poucos recursos. De quebra, ele ainda usa todo o seu arsenal de repetidores e baba-ovos da imprensa e arredores para confirmar que um monte de estrume na verdade é um pote de ouro.
E o bobo alegre que aprovou e pagou pela campanha, acha que fez a coisa certa de novo.
Reis nus. Que se sentem vestidos com o melhor da tecnologia e design da indústria textil. E eu, daqui do alto da minha inocência, só vejo que eles têm pênis pequenos.
Não é à toa que ele está tão preocupado com a crise de liquidez que todos vamos enfrentar nos próximos tempos. Ele sabe que o dinheiro, quanto mais valioso e raro fica, melhor tem que ser aplicado. E, com menos dinheiro, é a inteligência o que a propaganda vai voltar a exigir.
Quanto mais economizarmos, compensados por uma mensagem forte e memorável, mais eficientes seremos para os nossos clientes.
Ninguém lembra de um amigo medíocre que fala pouco, alguns até se recordam de um amigo chato que fala muito, mas todos sentem saudades do amigo genial que falava coisas legais. Ou seja: o modelo de negócio dele desmoronou. A festa acabou para quem não passava de vendedor de um montão de espaço na mídia e começou para quem tem o Que e o Como dizer nesse espaço, que será inevitavelmente menor.
E isso ele não sabe fazer.
Isso foi o que suscitou o nosso duelo na última quinta feira.
Ao contrário do que ele ainda tentou fazer alguns crerem, eu não estava discutindo sobre o ofício da criação ou sobre "leões em Cannes".
Ao contrário do que ele fingiu que estava acontecendo, a nossa discussão não era sobre a criatividadezinha e os sonhos dos seus pequenos criadores.
Nós discutíamos sim era sobre uma questão que, apesar de tudo, ele mesmo ainda tem senso crítico suficiente para entender, mesmo que intimamente isso seja altamente doloroso, já que foi o que um dia ele mesmo já tanto defendera. Nós estávamos discutindo caráter.
Porque, ao contrário dos que não oferecem o melhor para os seus clientes por falta de recursos, talento, ferramental, essa mediocrização a que ele está submetendo as agencias controladas por ele é um esforço premeditado para esvaziar toda e qualquer possibilidade de que o discurso dos que fazem melhor, com mais interesse, mais cuidado, mais compromisso e mais responsabilidade se reestabeleça.
O trabalho que as agencias do Nizan faz, a maneira como ele trata seus funcionários, as propostas comerciais indecorosas que elas oferecem aos seus clientes, não seriam um problema tão grande se não fosse o fato, como eu já disse, de que o discurso que o embasa é avassaladoramente mais potente que o que nós e outros poucos como nós, conseguimos rebater daqui.
Quando alguém vende a alma ao demônio isso deixa de ser um problema exclusivamente dele quando esse alguém vai à Caras, à Exame e à Veja para convencer a todos de que vender a alma é o certo.
E o que aconteceu de bom no final de tudo isso? Na minha opinião, várias coisas.
A primeira é que muitos agora viram que o que ele diz não é uma verdade. É uma opinião viciada, interesseira e oportunista.
E não é a opinião do resto do mercado.
Segundo, é que outros que pensam como nós entenderam que ele pode e deve ser confrontado.
Terceiro, é que se definiram claramente os discursos e as práticas no dia a dia. Agora, já pode-se começar a entender que mediocridade e mesmice são apenas uma opção e, tanto são uma opção, que têm um lugar (ou um grupo) certo onde podem ser solicitadas.
Mas existem sim outras opções e nós estamos na ponta entre as agencias de propaganda latu-sensu que oferecem essa opção.
Quarto, é que sempre é bom ver os que se fazem de bonzinhos e corretos finalmente mostrando as suas garras e suas verdadeiras motivações. Naquele mesmo dia à tarde o Nizan me telefonou aqui na agencia. Como eu não o atendi, deixou, literalmente, o seguinte recado com a Sueli: "Diga ao Fábio que ele é viado, frouxo, que ele me bate em público mas se ele for homem que telefone para mim!"
Disse também, mais tarde, em um jantar com pessoas que me conhecem que "Eu só não bati em Fábio Fernandes porque ele estava maquiado - e eu não bato em homem maquiado". Para os que não entenderam o enigma (como eu, que fui perguntar a uma pessoa que o conhece) ele acha que eu... passo lápis nos olhos. Sim, acreditem. Alguém, inclusive, já o ouviu relatando que alguém lhe contou que uma certa vez, sob a chuva, o lápis dos meus olhos borrou e eu corri para colocar os óculos escuros.... :-))))) Inacreditável, mas é a mais pura verdade. Foi a esse ponto que esse sujeito chegou.
Por isso mesmo eu resolvi escrever a todos vocês sobre isso. Porque o que eu tenho a dizer sobre ele é bem pior do que seria se ele apenas usasse lápis para ressaltar os seus lindos olhos. O que eu tenho a dizer sobre ele é claro, verdadeiro, profundo e cabal.
Fico feliz de não me maquiar, mas não teria problema nenhum em admití-lo se, ainda que absurdo, isso fosse verdade.
O duro para ele deve ser ouvir o que eu penso - e que a cada dia mais gente vem me dizer que foi bom eu dizê-lo porque é o que quase todo mundo pensa - e, mesmo sendo a mais aguda verdade, não poder admití-lo.
Porque é revelador, comprometedor e devastador.
O rei está nu. E eu sei que ele não é de nada.
Fabio Fernandes
F/NAZCA SAATCHI & SAATCHI
Agency of The Year 1999, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007.
O que se viu foi um enorme bate-boca e, pior (ou melhor, a depender do ponto de vista), Fábio desancando Nizan como grande parte do mercado gostaria de fazer mas não tem a coragem necessária ou a oportunidade devida. Ali, diante de muitos, Fábio chutou um ídolo de barro até vê-lo reduzido ao que ele realmente é: barro.
Leiam a seguir, com atenção, o texto do email que Fábio Fernandes mandou a todos os seus funcionários da F/Nazca com o título "ninguém é obrigado a ler".
Leitura obrigatória.
Pessoal,
Achei que devia escrever a vocês para falar sobre o Maximidia e o debate/embate que eu travei com o Nizan.
Acho que não é novidade para os mais próximos e os nem tão próximos que tenho diferenças profundas, quase religiosas, na visão sobre o que é e o que deve ser o negócio, o objetivo do trabalho, a missão, os processos, a forma e o conteúdo do prodtuto final de uma agencia de propaganda, em relação ao dito personagem - pra mim, uma caricatura de ser-humano, dublê de político populista e novo-rico deslumbrado, comediante de frases de efeito repetidas à exaustão, arremedo de empresário anti-ético e criativo anti-estético.
Nunca escondi - nem dele - que o acho vil, pernicioso à nossa indústria, predador, oportunista, aproveitador, manipulador.
Nunca deixei de observar e comentar que todo o tempo em que ele esteve criador, foi um tempo que ele utilizou apenas para forjar um personagem que, com tino e capacidade de observação, o levaria a ter seu próprio negócio, onde ele reproduziria não aquilo que ele almejou como empregado mas, ao contrário, os piores modelos, os piores ambientes internos, piores lugares comuns, entre todas as agencias em que ele trabalhou. Desde que isso, convenientemente, implicasse em fazê-lo mais forte, mais rico, mais poderoso.
Nizan é um caso típico de uma pessoa que quanto mais tem mais quer. E que quanto mais quer menos mede esforços e as consequencias nefastas dos atos que ele pratica para ter mais. Ele é o exemplo pronto e acabado da insustentabilidade.
Se fosse presidente dos EUA não seria em nada diferente de Bush - só o discurso seria mais engraçado. Mas invadiria o Iraque, deportaria estrangeiros, perseguiria minorias, poluiria a atmosfera, cagaria para o mundo. O que interessa para ele é ele. E por ele, acha ele, que pode, ele, tudo.
Mas a minha questão mais vital em relação a ele, é o fato de que - queira eu ou não - ele se transformou em uma celebridade da propaganda brasileira. Os incautos, os bobos da corte, os novatos, os leigos, os incultos, clientes inclusive, publicitários inclusive, imprensa, principalmente, inclusive, o acham o máximo. E eu, que convivo muito bem com as minhas invejas, meus desencantos, meus fracassos, não teria nada a objetar se ele o fosse de fato. Portanto não é este, em nenhuma hipótese, o meu problema com ele.
O meu imenso, colossal, infinito problema com ele é que, amparado por essa "populariadade", "unanimidade", "superioridade" ele diz o que quer, do jeito e na hora que quer, destruindo o que quer, com voz e pompas de "representante da categoria".
Agencias que produzem trash for cash (ou, lixo por dinheiro, em bom português) existiram e existirão sempre. Na realidade, em boa parte elas até nos ajudam a sermos melhor percebidos como inovadores, originais, cuidadosos, diferentes.
O Brasil, entretanto, é o único país do mundo onde a publicidade tem no discurso do seu maior expoente que "o que é bom é feito para ser copiado", "propaganda criativa é bobagem", "eficiência é o contrário de originalidade", ou as pérolas que ouvimos no próprio Maximídia "momento de crise não momento de inovar". Ou seja: na falta de capacidade ou de vontade de fazer boa propaganda, propaganda de qualidade (o que, obviamente, na nossa opinião passa obrigatoriamente por inovação, criatividade, excelência na execução e excitação do pessoal interno de uma agencia de propaganda) o que ele faz - oficialmente - é nos colocar na posição de meninos traquinas, revoltadinhos de plantão, criativos irresponsáveis que querem brincar com o dinheiro dos clientes, enquanto ele finge que é Jack Welch, Warren Buffet ou Armínio Fraga. Nizan não sabe mais quem ele é. Ele é publicitário mas quer fingir que é analista econômico. Foi criativo mas gostaria mesmo era de ser dono da Ambev. Tem um business microscópico mas arrota ares de colega de turma de um Jorge Gerdau. Mas eu sei quem é Nizan. É um demagogo. Ele sabe bem que o discurso do tradicionalismo, do conservadorismo, da mediocridade, da pasteurização, agrada em cheio a uma imensa gama de bundões de plantão que preferem demitir do que investir. Preferem temer do que empreender, preferem dividir os prejuízos, já que nos lucros ele posa com a esposa em sandálias de 3.200 reais em seu apartamento em Paris. Preferem disseminar o caos, porque a alegria dos bons momentos ele rega com champagne em festas particulares com celebridades estéreis e etéreas de ultima hora.
Na publicidade, que afinal é o meu negócio, embora sempre que eu fale nisso ele ache que o assunto está infantil demais (lembrem-se, ele é um business man) ele sabe também que há bundões prontos a gastar mais para contratar uma meia dúzia de artistas famosos, cantando um jingle com uma logomarca formada por funcionários da empresa, do que se "arriscarem" a criar um posicionamento de verdade, uma linguagem proprietária, um estilo único e próprio.
Na visão desse chupa-sangue de plantão, ele está certo. Tanto que acerta duas vezes com uma mesma tacada: acalenta os desejos mais primitivos de um ou outro cliente cagão e ainda fatura muito mais em cima do trouxa que tem que enfiar todo o dinheiro do mundo para ser ouvido/visto/lembrado com uma bobajada cheia de clichês e formulinhas baratas, que definitivamente não sobreviveriam a um plano de mídia comprado com poucos recursos. De quebra, ele ainda usa todo o seu arsenal de repetidores e baba-ovos da imprensa e arredores para confirmar que um monte de estrume na verdade é um pote de ouro.
E o bobo alegre que aprovou e pagou pela campanha, acha que fez a coisa certa de novo.
Reis nus. Que se sentem vestidos com o melhor da tecnologia e design da indústria textil. E eu, daqui do alto da minha inocência, só vejo que eles têm pênis pequenos.
Não é à toa que ele está tão preocupado com a crise de liquidez que todos vamos enfrentar nos próximos tempos. Ele sabe que o dinheiro, quanto mais valioso e raro fica, melhor tem que ser aplicado. E, com menos dinheiro, é a inteligência o que a propaganda vai voltar a exigir.
Quanto mais economizarmos, compensados por uma mensagem forte e memorável, mais eficientes seremos para os nossos clientes.
Ninguém lembra de um amigo medíocre que fala pouco, alguns até se recordam de um amigo chato que fala muito, mas todos sentem saudades do amigo genial que falava coisas legais. Ou seja: o modelo de negócio dele desmoronou. A festa acabou para quem não passava de vendedor de um montão de espaço na mídia e começou para quem tem o Que e o Como dizer nesse espaço, que será inevitavelmente menor.
E isso ele não sabe fazer.
Isso foi o que suscitou o nosso duelo na última quinta feira.
Ao contrário do que ele ainda tentou fazer alguns crerem, eu não estava discutindo sobre o ofício da criação ou sobre "leões em Cannes".
Ao contrário do que ele fingiu que estava acontecendo, a nossa discussão não era sobre a criatividadezinha e os sonhos dos seus pequenos criadores.
Nós discutíamos sim era sobre uma questão que, apesar de tudo, ele mesmo ainda tem senso crítico suficiente para entender, mesmo que intimamente isso seja altamente doloroso, já que foi o que um dia ele mesmo já tanto defendera. Nós estávamos discutindo caráter.
Porque, ao contrário dos que não oferecem o melhor para os seus clientes por falta de recursos, talento, ferramental, essa mediocrização a que ele está submetendo as agencias controladas por ele é um esforço premeditado para esvaziar toda e qualquer possibilidade de que o discurso dos que fazem melhor, com mais interesse, mais cuidado, mais compromisso e mais responsabilidade se reestabeleça.
O trabalho que as agencias do Nizan faz, a maneira como ele trata seus funcionários, as propostas comerciais indecorosas que elas oferecem aos seus clientes, não seriam um problema tão grande se não fosse o fato, como eu já disse, de que o discurso que o embasa é avassaladoramente mais potente que o que nós e outros poucos como nós, conseguimos rebater daqui.
Quando alguém vende a alma ao demônio isso deixa de ser um problema exclusivamente dele quando esse alguém vai à Caras, à Exame e à Veja para convencer a todos de que vender a alma é o certo.
E o que aconteceu de bom no final de tudo isso? Na minha opinião, várias coisas.
A primeira é que muitos agora viram que o que ele diz não é uma verdade. É uma opinião viciada, interesseira e oportunista.
E não é a opinião do resto do mercado.
Segundo, é que outros que pensam como nós entenderam que ele pode e deve ser confrontado.
Terceiro, é que se definiram claramente os discursos e as práticas no dia a dia. Agora, já pode-se começar a entender que mediocridade e mesmice são apenas uma opção e, tanto são uma opção, que têm um lugar (ou um grupo) certo onde podem ser solicitadas.
Mas existem sim outras opções e nós estamos na ponta entre as agencias de propaganda latu-sensu que oferecem essa opção.
Quarto, é que sempre é bom ver os que se fazem de bonzinhos e corretos finalmente mostrando as suas garras e suas verdadeiras motivações. Naquele mesmo dia à tarde o Nizan me telefonou aqui na agencia. Como eu não o atendi, deixou, literalmente, o seguinte recado com a Sueli: "Diga ao Fábio que ele é viado, frouxo, que ele me bate em público mas se ele for homem que telefone para mim!"
Disse também, mais tarde, em um jantar com pessoas que me conhecem que "Eu só não bati em Fábio Fernandes porque ele estava maquiado - e eu não bato em homem maquiado". Para os que não entenderam o enigma (como eu, que fui perguntar a uma pessoa que o conhece) ele acha que eu... passo lápis nos olhos. Sim, acreditem. Alguém, inclusive, já o ouviu relatando que alguém lhe contou que uma certa vez, sob a chuva, o lápis dos meus olhos borrou e eu corri para colocar os óculos escuros.... :-))))) Inacreditável, mas é a mais pura verdade. Foi a esse ponto que esse sujeito chegou.
Por isso mesmo eu resolvi escrever a todos vocês sobre isso. Porque o que eu tenho a dizer sobre ele é bem pior do que seria se ele apenas usasse lápis para ressaltar os seus lindos olhos. O que eu tenho a dizer sobre ele é claro, verdadeiro, profundo e cabal.
Fico feliz de não me maquiar, mas não teria problema nenhum em admití-lo se, ainda que absurdo, isso fosse verdade.
O duro para ele deve ser ouvir o que eu penso - e que a cada dia mais gente vem me dizer que foi bom eu dizê-lo porque é o que quase todo mundo pensa - e, mesmo sendo a mais aguda verdade, não poder admití-lo.
Porque é revelador, comprometedor e devastador.
O rei está nu. E eu sei que ele não é de nada.
Fabio Fernandes
F/NAZCA SAATCHI & SAATCHI
Agency of The Year 1999, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007.
quinta-feira, outubro 16, 2008
Quando o improvável acontece
"100% de esforço onde houver 1% de chance". Essa é a assinatura da campanha que a MPM Propaganda, uma das agências de Nizan Guanaes, desenvolveu para a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE). A ação, que contará com filme, spot de rádio e anúncios de mídia impressa, mostra que a entidade não mede esforços na difusão de conhecimentos sobre os mais avançados tratamentos para pacientes com linfoma, leucemia, mieloma múltiplo e mielodisplasia no Brasil. A idéia é recorrente. Todo mundo, em uma agência de publicidade de qualquer paragem, já usou essa máxima de que algo improvável pode acontecer quando as condições para que aconteça convirjam de maneira adequada. Mas a realização da idéia pela MPM qualificou o lugar-comum, com um resultado visual que lembra documentário do Discovery Channel, associado à leve poesia da interação entre a imagem real e o desenho, que serve de assinatura final da peça.
Veja o filme “Besouro”
http://www.youtube.com/watch?v=krJg69VIMrw
Veja o filme “Besouro”
http://www.youtube.com/watch?v=krJg69VIMrw
quarta-feira, outubro 15, 2008
Acessos forjados em sites são criticados
Foi-se o tempo dos panfletos que emporcalhavam as ruas e estampavam frases manjadas como "Trago a pessoa amada em sete dias". Agora, panfleto é spam e a sentença poderia ser trocada por "Trago sucesso na internet em milhares de cliques". É com propostas nestes moldes que sites como o Mymp3plays.com embolsam entre U$ 15 e U$ 50 para aumentar artificialmente acessos dos perfis de bandas cadastradas do MySpace. Estes são os valores do download do programa capaz de burlar a contagem do número de acessos em sites.
Gravadoras estão de olho nesses números e estrelas inglesas como Lily Allen e Arctic Monkeys ganharam as primeiras manchetes por causa dos números estratosféricos de seus page views, em parte questionados pelo produtor musical Dudu Marote. Em entrevista ao Jornal do Brasil, publicada na segunda-feira, o homem que aparou sucessos de Skank e Jota Quest usou o termo "jabá na internet" para definir as "empresas que se especializam em colocar comentários em blogs e em sites".
Do Youtube para a EMI
– Não é difícil descobrir que há algo errado. A comunidade pode ter milhares de membros, mas as discussões não são movimentadas. Na internet, mentira tem perna curta – sentencia Wagner Martins, sócio da Espalhe, agência especializada em marketing de guerrilha.
Martins garante que acessos inflados existem, mas não trazem resultados favoráveis:
– Talento e criatividade em se promover contam cada vez mais. Pode ser romântico, mas ainda acredito que a liberdade da web sirva para favorecer este tipo de coisa e desmascarar de vez o jabá.
Num comunicado em resposta às suposições de irregularidade na contabilidade dos acessos, posta em debate por Marote , o departamento de tecnologia do MySpace é categórico: "Privacidade e segurança são prioritários. O enfrentamento ao spam inclui implementação de tecnologia para a prevenção de mensagens indesejadas. O esforço do MySpace em relação ao combate ao spam é contínuo". Por seu lado, a assessoria de imprensa do Google no Brasil afirma que os números de visualizações dos vídeos do YouTube não podem ser forjados.
Diretor executivo da Riot, dedicada exclusivamente a estratégias com redes sociais, blogs e fóruns, Pedro Ivo Resende alerta que artistas que insistirem na prática podem acabar prejudicados.
– Não existe empresa séria que faça isso, só profissionais que vêem pontos fracos nos sistemas. A repercussão negativa pode acabar com uma banda. É fácil detectar um desvio de padrão por meio do histórico no servidor – ressalta Resende. – Este procedimento de fato existe, mas ainda não foi adotado por gravadoras. Há um trabalho muito sério de divulgação na internet. Ela está ocupando o papel da rádio, das gravadoras e das lojas. É um ambiente que, se bem explorado, pode gerar dinheiro.
Os mais de 2 milhões de acessos no YouTube de Como ocê pode abandonar eu , vídeo gravado no celular por um fã anônimo da recém-lançada banda goiana Pedra Letícia, chamou a atenção do gerente do departamento artístico da EMI, Victor Kelly, que faz questão de separar marketing viral de jabá.
– Alguns artistas têm uma assessoria de marketing viral para fomentar a carreira. Empresas prestam estes tipos de serviço – distingue Kelly. – Já ouvi dizer que no MySpace é possível conseguir burlar números com a ajuda de softwares, mas não tenho provas disso. Às vezes, você vê um número lá que não quer dizer a realidade. As pessoas sempre dão um jeitinho em tudo.
Kelly reconhece que fica curioso para ouvir artistas que estão no topo das listas de acesso dos principais sites, mas faz ressalvas. O executivo ignora a matemática. Para ele, 7 milhões, total de visualizações dos vídeos do grupo goiano, tem valor menor do que 3 mil pessoas num show.
– Nunca vou contratar só pelos acessos. Vou aos shows, não pode ser algo apenas de internet. O Pedra Letícia ganhou o circuito universitário do Paraná. Em Londrina você vê milhares de pessoas cantando músicas que só podiam ser ouvidas no YouTube.
O grupo não tinha CDs ou MP3. Mas sempre soube que maquiar cifras na internet não é bom negócio.
– Forjar os números não vai ajudar no que realmente é preciso: aumentar a quantidade de fãs. Não quero parecer famoso, quero ser famoso. Você pode gerar um bafafá, mas não cria algo enraizado – analisa o vocalista do Pedra Letícia, Fabiano Cambota.
O cantor desafia alguém a apontar algum artista que tenha despontado a partir de trambiques online:
– Você pode aumentar o número de integrantes da sua comunidade no Orkut. Se descobrem, você passa por ridículo – exemplifica Cambota. – O trabalho em internet é braçal. O número impressiona, é claro. Tivemos sorte porque o YouTube privilegia muito o humor. Nosso MySpace estava meio largado, mas por uma questão imbecil: tinha perdido a senha...
Edney Souza, diretor de operações da Pólvora Comunicação, com modelo semelhante aos da Riot e Espalhe, lembra que não é permitido criar perfis e blogs falsos na Europa, o que por aqui é chamado de estratégia de divulgação:
– Lá existem legislações contra esse tipo de coisa. A divulgação tem de ser feita de forma verdadeira.
Souza também faz uso de uma comparação que une copos de cerveja e marketing na internet na mesma idéia.
– É como quando você chega numa festa e vê que está todo mundo conversando. Você vai ver qual é o papo primeiro para depois ir tentando se inserir – teoriza Souza. – As pessoas te dão espaço, então você dá suas opiniões. O mais ético na internet é ouvir antes de falar.
Por Bráulio Lorentz, Jornal do Brasil.
Gravadoras estão de olho nesses números e estrelas inglesas como Lily Allen e Arctic Monkeys ganharam as primeiras manchetes por causa dos números estratosféricos de seus page views, em parte questionados pelo produtor musical Dudu Marote. Em entrevista ao Jornal do Brasil, publicada na segunda-feira, o homem que aparou sucessos de Skank e Jota Quest usou o termo "jabá na internet" para definir as "empresas que se especializam em colocar comentários em blogs e em sites".
Do Youtube para a EMI
– Não é difícil descobrir que há algo errado. A comunidade pode ter milhares de membros, mas as discussões não são movimentadas. Na internet, mentira tem perna curta – sentencia Wagner Martins, sócio da Espalhe, agência especializada em marketing de guerrilha.
Martins garante que acessos inflados existem, mas não trazem resultados favoráveis:
– Talento e criatividade em se promover contam cada vez mais. Pode ser romântico, mas ainda acredito que a liberdade da web sirva para favorecer este tipo de coisa e desmascarar de vez o jabá.
Num comunicado em resposta às suposições de irregularidade na contabilidade dos acessos, posta em debate por Marote , o departamento de tecnologia do MySpace é categórico: "Privacidade e segurança são prioritários. O enfrentamento ao spam inclui implementação de tecnologia para a prevenção de mensagens indesejadas. O esforço do MySpace em relação ao combate ao spam é contínuo". Por seu lado, a assessoria de imprensa do Google no Brasil afirma que os números de visualizações dos vídeos do YouTube não podem ser forjados.
Diretor executivo da Riot, dedicada exclusivamente a estratégias com redes sociais, blogs e fóruns, Pedro Ivo Resende alerta que artistas que insistirem na prática podem acabar prejudicados.
– Não existe empresa séria que faça isso, só profissionais que vêem pontos fracos nos sistemas. A repercussão negativa pode acabar com uma banda. É fácil detectar um desvio de padrão por meio do histórico no servidor – ressalta Resende. – Este procedimento de fato existe, mas ainda não foi adotado por gravadoras. Há um trabalho muito sério de divulgação na internet. Ela está ocupando o papel da rádio, das gravadoras e das lojas. É um ambiente que, se bem explorado, pode gerar dinheiro.
Os mais de 2 milhões de acessos no YouTube de Como ocê pode abandonar eu , vídeo gravado no celular por um fã anônimo da recém-lançada banda goiana Pedra Letícia, chamou a atenção do gerente do departamento artístico da EMI, Victor Kelly, que faz questão de separar marketing viral de jabá.
– Alguns artistas têm uma assessoria de marketing viral para fomentar a carreira. Empresas prestam estes tipos de serviço – distingue Kelly. – Já ouvi dizer que no MySpace é possível conseguir burlar números com a ajuda de softwares, mas não tenho provas disso. Às vezes, você vê um número lá que não quer dizer a realidade. As pessoas sempre dão um jeitinho em tudo.
Kelly reconhece que fica curioso para ouvir artistas que estão no topo das listas de acesso dos principais sites, mas faz ressalvas. O executivo ignora a matemática. Para ele, 7 milhões, total de visualizações dos vídeos do grupo goiano, tem valor menor do que 3 mil pessoas num show.
– Nunca vou contratar só pelos acessos. Vou aos shows, não pode ser algo apenas de internet. O Pedra Letícia ganhou o circuito universitário do Paraná. Em Londrina você vê milhares de pessoas cantando músicas que só podiam ser ouvidas no YouTube.
O grupo não tinha CDs ou MP3. Mas sempre soube que maquiar cifras na internet não é bom negócio.
– Forjar os números não vai ajudar no que realmente é preciso: aumentar a quantidade de fãs. Não quero parecer famoso, quero ser famoso. Você pode gerar um bafafá, mas não cria algo enraizado – analisa o vocalista do Pedra Letícia, Fabiano Cambota.
O cantor desafia alguém a apontar algum artista que tenha despontado a partir de trambiques online:
– Você pode aumentar o número de integrantes da sua comunidade no Orkut. Se descobrem, você passa por ridículo – exemplifica Cambota. – O trabalho em internet é braçal. O número impressiona, é claro. Tivemos sorte porque o YouTube privilegia muito o humor. Nosso MySpace estava meio largado, mas por uma questão imbecil: tinha perdido a senha...
Edney Souza, diretor de operações da Pólvora Comunicação, com modelo semelhante aos da Riot e Espalhe, lembra que não é permitido criar perfis e blogs falsos na Europa, o que por aqui é chamado de estratégia de divulgação:
– Lá existem legislações contra esse tipo de coisa. A divulgação tem de ser feita de forma verdadeira.
Souza também faz uso de uma comparação que une copos de cerveja e marketing na internet na mesma idéia.
– É como quando você chega numa festa e vê que está todo mundo conversando. Você vai ver qual é o papo primeiro para depois ir tentando se inserir – teoriza Souza. – As pessoas te dão espaço, então você dá suas opiniões. O mais ético na internet é ouvir antes de falar.
Por Bráulio Lorentz, Jornal do Brasil.
Milton Glaser: arte é trabalho
Talvez você pense que não conhece Milton Glaser.Mas se você se interessa por publicidade, comunicação e artes gráficas (ou design gráfico, como se diz agora), então você conhece esse profissional que criou peças de grande impacto ao longo de muitas décadas de trabalho profícuo. Se você já viu o poster que retrata Bob Dylan e mostra sua silhueta escura ornada por uma cabeleira psicodélica multicolorida ou se você já viu a frase "I Love New York" com a palavra "love" substituída por um coração vermelho, então você conhece Milton Glaser.
Nascido em 1929, Glaser estudou na Cooper Union entre 1948 e 1951 e continuou sua formação na Academia de Belas Artes de Bolonha com o pintor Giorgio Morandi.
Em 1954, Glaser, junto com Reyonld Ruffins, Seymour Chwast e Edward Sorel, fundaram os Pushpin Studios.
Durante vinte anos Glaser e Chwast dirigiram o Push Pin, uma referência que guiava o mundo design gráfico. Em 1974 Glaser montou o seu próprio escritório.
Fez posters, revistas, design de jornais, design de interiores, logotipos, discos, ilustrações para revista e jornal, tipografia, desenhos, aquarelas, material impresso, brinquedos.
Seu trabalho é fortemente caracterizado por ilustrações feitas à mão, tendo um estilo muito eclético. A sua arte foi mais ornamentada e virtuosa do início, passou para uma concepção mais redutiva, simples, forte e direta — reflexo da sua maturidade e da assimilação do tempo que passou por ele deixando suas marcas profundas, influenciando seu trabalho de maneira marcante.
Hoje menos conhecido e estudado, ao longo da sua carreira Glaser teve um grande impacto na ilustração e design gráfico contemporâneo e foi um dos grandes nomes na base de minha formação profissional. Foi a grande figura de referência para os designers de sucessivas gerações até os anos oitenta do século passado.
E deixou sua digital em nosso país. Em 1995 a empresa de design WBMG, de Walter Bernard & Milton Glaser, foi contratada para a reformulação gráfica do jornal O Globo.
Push Pin Style
Nos anos 60, o estéril Estilo Internacional Suiço, muitas vezes limitador e elitista, dominava o mercado do design gráfico. Foi quando surgiu o Push Pin Style, que tornou-se uma referência do design gráfico, ao lado do Pentagram, de Herb Lubalin, outro estúdio que marcou época.
O Push Pin Style não se prendia apenas ao que era considerado o "bom design", com um estilo excêntrico muitas vezes inspirado na estética do século XIX e nas tendências da cultura pop.
Criou uma linguagem contemporânea, compatível com um design pós-moderno. No Push Pin foram projectados capas de disco, livros, cartazes, identidades visuais, tipografias originais e Revistas.
Glaser usou desde então e usa hoje ainda a sua arte para influenciar pessoas, para fazer um discurso político anti-belicista, anti-colonialista e pacifista. Faz de seu trabalho longevo um belo exemplo de comunicação militante.
Na frente de seu modesto estúdio em New York lê-se, em Garamond, sua máxima de vida: "art is work".
Aforismos
Há muito o que aprender com Glaser, como nessas sugestões e dicas que podem ser muito úteis para todos os profissionais da área de criação:
1. Menos não é necessariamente mais. Existem trabalhos que só ganham o verdadeiro impacto pelo trabalho que deram.
2. Não se deve confiar num estilo único. A realidade muda, e os estilos devem adaptar-se. Um estilo pode ser muito funcional em um momento, ou durante algumas décadas, mas pode vir por água abaixo após um tempo.
3. Você só deve trabalhar para quem você gosta. Todo trabalho realmente significativo surgiu de um relacionamento afectivo com o cliente. Compartilhar de informações em comum e gerar um laço afetivo torna o trabalho mais completo, estimulante, eficiente.
4. Algumas pessoas são tóxicas, mantenha distância. Observe quais pessoas lhe sugam ou renovam as energias, quais agregam e quais não acrescentam nada em sua vida.
5. Profissionalismo não é suficiente. Profissionais tendem a repetir o sucesso quando acertam. Isso significa reduzir a margem de risco. Porém, uma das coisas mais necessárias no nosso campo é transgredir, e correr o risco de apresentar algo novo, aceitar a possibilidade de falhar ou ouvir alguns ‘nãos’.
6. Dúvida é melhor que certeza. Quando você tiver certeza de qualquer coisa na sua vida, fique preocupado. A dúvida é o caminho para a evolução.
7. Não se feche em poucas referências. Devemos ser persistentes e consistentes e, principalmente, compreender as idéia a fundo e a amplitude e correlações entre elas. ‘A riqueza do entendimento vem da profunda idéia histórica e filosófica’.
Video
http://miltonglaser.com/pages/milton/mg_index.html
Bibliografia
Milton Glaser: Graphic Design. Ed. Overlook TP, 1983.
Milton Glaser: Art Is Work. Thames and Hudson, 2000.
MEGGS, Philip B. (ed.) 6 Chapters in Design. Chronicle Books, 1997.
Milton Glaser. The Design of Dissent : Socially and Politically Graphics. Rockport Publishers, 2005.
CHWAST, Seymour. Push Pin Graphic: A Quarter Century Of Innovative Design And Illustration. Chronicle Books, 2004.
terça-feira, outubro 14, 2008
O que lêem os jornalistas
A terceira edição da pesquisa Barômetro de Imprensa traz alguns dados interessantes sobre os jornalistas brasileiros. Quinhentos e sessenta e três profissionais de mídia (320 de meios impressos, 111 de veículos online, 77 de TV e 55 de rádio) responderam ao questionário enviado por e-mail, em setembro, aos 39.772 listados no mailing da Maxpress. A pesquisa é realizada bimestralmente pela FSB Comunicações e seu relatório completo está disponível no site Observatório da Imprensa.
Vale a pena olhar de perto alguns dos resultados:
1. A internet ultrapassou o jornal impresso como principal fonte de informação no trabalho dos jornalistas. Para 57% dos entrevistados, sites e blogs da internet constituem as principais fontes de informação usadas cotidianamente no trabalho jornalístico.
2. Apesar da internet, os jornais são lidos diariamente pela maioria dos jornalistas de todas as mídias pesquisadas, em índices superiores a 80%. É a força do hábito, porque na verdade os jornais continuam a ter tiragens baixíssimas no país inteiro. O jornal de maior tiragem no país, a Folha de São Paulo, publica apenas o equivalente em exemplares a 7% da população da cidade onde é impresso.
3. Pela força de sua marca, a Folha de S.Paulo é o jornal mais lido pelos profissionais de mídia em São Paulo: ele foi indicado por 73,1% dos entrevistados, contra 62,7% de O Estado de S. Paulo (cada jornalista podia fazer até duas indicações).
4. No Rio de Janeiro, onde a tiragem dos jornais vêm sofrendo o maior refluxo dentre as capitais mais influentes, o preferido é O Globo (69%) e Folha aparece em segundo lugar, com 32,2% das indicações.
5. Nos resultados apurados com os 208 jornalistas entrevistados nos demais estados (excluindo Rio e São Paulo), o nome na liderança é a Folha de S.Paulo, seguida pelo Estado de S. Paulo e pelo Globo.
Vale a pena olhar de perto alguns dos resultados:
1. A internet ultrapassou o jornal impresso como principal fonte de informação no trabalho dos jornalistas. Para 57% dos entrevistados, sites e blogs da internet constituem as principais fontes de informação usadas cotidianamente no trabalho jornalístico.
2. Apesar da internet, os jornais são lidos diariamente pela maioria dos jornalistas de todas as mídias pesquisadas, em índices superiores a 80%. É a força do hábito, porque na verdade os jornais continuam a ter tiragens baixíssimas no país inteiro. O jornal de maior tiragem no país, a Folha de São Paulo, publica apenas o equivalente em exemplares a 7% da população da cidade onde é impresso.
3. Pela força de sua marca, a Folha de S.Paulo é o jornal mais lido pelos profissionais de mídia em São Paulo: ele foi indicado por 73,1% dos entrevistados, contra 62,7% de O Estado de S. Paulo (cada jornalista podia fazer até duas indicações).
4. No Rio de Janeiro, onde a tiragem dos jornais vêm sofrendo o maior refluxo dentre as capitais mais influentes, o preferido é O Globo (69%) e Folha aparece em segundo lugar, com 32,2% das indicações.
5. Nos resultados apurados com os 208 jornalistas entrevistados nos demais estados (excluindo Rio e São Paulo), o nome na liderança é a Folha de S.Paulo, seguida pelo Estado de S. Paulo e pelo Globo.
segunda-feira, outubro 13, 2008
Cuba, um furacão chamado bloqueio
No próximo 29 de outubro, a Assembléia Geral da ONU, após ouvir o informe apresentado pelo secretário-geral, Ban Ki Moon, votará o projeto de Cuba visando à suspensão do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à ilha do Caribe pelo governo dos EUA desde 1959.
Será a 17ª vez que a ONU tratará deste tema. Em 2007, dos 192 países-membros das Nações Unidas, 184 votaram a favor do projeto que pedia a suspensão. Infelizmente, suas resoluções não têm caráter obrigatório, exceto as do Conselho de Segurança.
O fato de a maioria dos países condenarem, por 16 vezes, o bloqueio representa um gesto de solidariedade à Ilha e uma derrota moral para a Casa Branca, cuja prepotência se evidencia por não ter a menor consideração para o que pensa a comunidade internacional, que repudia a hostilidade usamericana.
O bloqueio é o principal obstáculo ao desenvolvimento de Cuba. Ano passado, representou, para o país, prejuízo de US$ 3,775 bilhões. Ao longo dos 50 anos de Revolução, calcula-se que o total do prejuízo chegue a US$ 224,6 bilhões, levando em conta a desvalorização do dólar e suas flutuações no decorrer do tempo.
O bloqueio é um polvo com tentáculos extraterritoriais, violando o direito internacional, em especial a Convenção de Genebra, que o qualifica de genocídio. Empresas, bancos e cidadãos que mantêm relações econômicas, comerciais ou financeiras com Cuba sofrem perseguições. A exemplo do que fez a China durante as Olimpíadas, também o governo usamericano bloqueia sites da Internet relacionados com Cuba.
A muito custo o governo cubano tem conseguido abrir pequenas brechas no bloqueio, como ao comprar alimentos dos EUA. As empresas vendedoras enfrentam gigantesca burocracia, sobretudo porque a comercialização tem de passar pela intermediação de um terceiro país, já que o bloqueio proíbe relações diretas entre EUA e Cuba. O comprador é obrigado a pagar adiantado e não pode vender seus produtos aos usamericanos; os navios retornam vazios aos portos de origem.
Os recentes furacões Gustav e Ike provocaram muitos danos à Ilha. Áreas agrícolas foram devastadas, 444 mil moradias afetadas, das quais 67 mil totalmente destruídas. Com a alta dos preços dos alimentos no mercado internacional, Cuba só não está com a corda no pescoço graças à solidariedade internacional, inclusive da União Européia e do Brasil.
O governo cubano solicitou à Casa Branca uma trégua no bloqueio nos próximos seis meses, por razões humanitárias. Até agora, Bush mantém completo silêncio. Contudo, a máquina publicitária da Casa Branca trata de camuflar a omissão presidencial com uma série de mentiras, como a oferta de US$ 5 milhões aos cubanos vítimas dos furacões.
Ora, o que representa essa ninharia diante dos US$ 46 milhões que a Usaid recebeu este ano para financiar grupos mercenários dedicados ao terrorismo anticubano? E outros US$ 40 milhões foram liberados para manter as transmissões de rádio e TV contra o regime de Cuba.
Apesar de o bloqueio causar mais danos que todos os furacões que já afetaram Cuba, a nação resiste e, agora, se mobiliza em amplos mutirões para consertar os estragos causados pela natureza e aprimorar a produção agrícola, graças às recentes medidas que facilitam aos camponeses acesso às terras onde, outrora, se cultivava cana-de-açúcar. Além de ter no Estado um comprador seguro, os agricultores cubanos poderão vender diretamente ao consumidor.
Sem olhar para o próprio umbigo, Cuba reitera sua solidariedade internacional e envia médicos às vítimas dos furacões no Haiti, e mantêm médicos e professores em mais de 70 países, a maioria pobres.
A história é uma velha senhora que nos surpreende a cada dia: quem imaginaria, há um ano, que o socialismo cubano veria a crise financeira de Wall Street e o Estado mais capitalista do mundo contradizerem todos os seus discursos e intervir no mercado para tentar salvar bancos e empresas? Como fica o dogma da imaculada concepção de que fora do mercado não há salvação?
PS: Contribuições para compra de alimentos e remédios a serem remetidos às vítimas dos furacões em Cuba podem ser remetidas a: Associação Ação Solidária Madre Cristina, Banco do Brasil 4328-1, Conta 6654-0.
Frei Betto é escritor, autor de "A mosca azul - reflexão sobre o poder" (Rocco), entre outros livros.
Será a 17ª vez que a ONU tratará deste tema. Em 2007, dos 192 países-membros das Nações Unidas, 184 votaram a favor do projeto que pedia a suspensão. Infelizmente, suas resoluções não têm caráter obrigatório, exceto as do Conselho de Segurança.
O fato de a maioria dos países condenarem, por 16 vezes, o bloqueio representa um gesto de solidariedade à Ilha e uma derrota moral para a Casa Branca, cuja prepotência se evidencia por não ter a menor consideração para o que pensa a comunidade internacional, que repudia a hostilidade usamericana.
O bloqueio é o principal obstáculo ao desenvolvimento de Cuba. Ano passado, representou, para o país, prejuízo de US$ 3,775 bilhões. Ao longo dos 50 anos de Revolução, calcula-se que o total do prejuízo chegue a US$ 224,6 bilhões, levando em conta a desvalorização do dólar e suas flutuações no decorrer do tempo.
O bloqueio é um polvo com tentáculos extraterritoriais, violando o direito internacional, em especial a Convenção de Genebra, que o qualifica de genocídio. Empresas, bancos e cidadãos que mantêm relações econômicas, comerciais ou financeiras com Cuba sofrem perseguições. A exemplo do que fez a China durante as Olimpíadas, também o governo usamericano bloqueia sites da Internet relacionados com Cuba.
A muito custo o governo cubano tem conseguido abrir pequenas brechas no bloqueio, como ao comprar alimentos dos EUA. As empresas vendedoras enfrentam gigantesca burocracia, sobretudo porque a comercialização tem de passar pela intermediação de um terceiro país, já que o bloqueio proíbe relações diretas entre EUA e Cuba. O comprador é obrigado a pagar adiantado e não pode vender seus produtos aos usamericanos; os navios retornam vazios aos portos de origem.
Os recentes furacões Gustav e Ike provocaram muitos danos à Ilha. Áreas agrícolas foram devastadas, 444 mil moradias afetadas, das quais 67 mil totalmente destruídas. Com a alta dos preços dos alimentos no mercado internacional, Cuba só não está com a corda no pescoço graças à solidariedade internacional, inclusive da União Européia e do Brasil.
O governo cubano solicitou à Casa Branca uma trégua no bloqueio nos próximos seis meses, por razões humanitárias. Até agora, Bush mantém completo silêncio. Contudo, a máquina publicitária da Casa Branca trata de camuflar a omissão presidencial com uma série de mentiras, como a oferta de US$ 5 milhões aos cubanos vítimas dos furacões.
Ora, o que representa essa ninharia diante dos US$ 46 milhões que a Usaid recebeu este ano para financiar grupos mercenários dedicados ao terrorismo anticubano? E outros US$ 40 milhões foram liberados para manter as transmissões de rádio e TV contra o regime de Cuba.
Apesar de o bloqueio causar mais danos que todos os furacões que já afetaram Cuba, a nação resiste e, agora, se mobiliza em amplos mutirões para consertar os estragos causados pela natureza e aprimorar a produção agrícola, graças às recentes medidas que facilitam aos camponeses acesso às terras onde, outrora, se cultivava cana-de-açúcar. Além de ter no Estado um comprador seguro, os agricultores cubanos poderão vender diretamente ao consumidor.
Sem olhar para o próprio umbigo, Cuba reitera sua solidariedade internacional e envia médicos às vítimas dos furacões no Haiti, e mantêm médicos e professores em mais de 70 países, a maioria pobres.
A história é uma velha senhora que nos surpreende a cada dia: quem imaginaria, há um ano, que o socialismo cubano veria a crise financeira de Wall Street e o Estado mais capitalista do mundo contradizerem todos os seus discursos e intervir no mercado para tentar salvar bancos e empresas? Como fica o dogma da imaculada concepção de que fora do mercado não há salvação?
PS: Contribuições para compra de alimentos e remédios a serem remetidos às vítimas dos furacões em Cuba podem ser remetidas a: Associação Ação Solidária Madre Cristina, Banco do Brasil 4328-1, Conta 6654-0.
Frei Betto é escritor, autor de "A mosca azul - reflexão sobre o poder" (Rocco), entre outros livros.
Copiar com sentido
Se copiarmos as idéias de uma pessoa, somos acusados de plágio. Porém, a escola ensinou-nos que, se copiarmos as ideias de muitas pessoas, já somos vistos como autores de um “novo” trabalho científico. Contudo, socialmente, o acto de copiar continua a ser visto como uma prática reprovável. A ironia é que classificamos de reprovável uma prática exercida, precisamente, para evitar as reprovações. Mas isso pouco importa, pois também ninguém questiona por que “separado” se escreve tudo junto e “tudo junto” se escreve separado…
A verdade é que o acto de copiar raramente é assumido por quem o executa. No entanto, no mundo publicitário, a cópia pode ser assumida sempre que as pequenas alterações revelem uma criatividade que não suscite quaisquer dúvidas de que copiar foi apenas uma opção e não uma necessidade. Sim, porque copiar é fácil, melhorar o que se copia é que já não é para todos. No fundo, este é o “segredo” dos sucessos do advercopy que, não raras vezes, conseguem deixar ao original uma ideia de esboço e à cópia uma imagem do trabalho acabado.
Assim, no advercopy pegamos numa imagem, frase ou ideia já conhecida (para facilitar a retenção) e acrescentamos-lhe as necessárias alterações (normalmente com forte carga humorística) na persecução dos objectivos da campanha. Apesar da menoridade com que muitas vezes é tratado, a verdade é que o advercopy encontra sustentação em princípios teóricos de marketing de muito boa gente: como os avisos para a dificuldade de reter uma campanha dados por Jay Levison (marketing de guerrilha) ou os alertas de Stephen Brown de como o marketing e a publicidade se tornaram chatos, demasiado cientificos e sem a necessária dose de humor (marketease).
Apesar de poderem ridicularizar a obra original, na grande maioria das vezes, as campanhas de advercopy acabam por ser uma homenagem de reconhecimento ao original, onde quem copia e é copiado obtém vantagens. Historicamente, a prática de copiar os sucessos dos outros estava ligada a marcas de menor dimensão. Mas até neste aspecto os tempos mudaram. A Burger King, por exemplo, pegou na imagem bem conhecida do solitário cowboy americano de Marlboro na mão, para lhe substituir o cigarro por uma batata frita ainda a deitar fumo. A Nissan transformou uma campanha da Volkswagen, onde um batalhão de polícia se protege atrás da segurança de um Polo, substituindo o Volkswagen por um Nissan e colocando o batalhão à frente do carro para que nada lhe pudesse acontecer.
Naturalmente, estes são apenas dois exemplos de como a criatividade, em vez de criar o novo, pode ser praticada com o “simples” saber olhar de outra forma para o que já foi criado. Já Salvador Dali dizia “Aqueles que não querem imitar coisa nenhuma produzem coisa nenhuma” e, na verdade, basta entender o que Dali disse para perceber que, na maioria das vezes, o sucesso da “cópia” é conseguido por esta ser ainda mais “original”… que o próprio original.
Por Paulo Nunes, do blog Fordoc, Portugal.
A verdade é que o acto de copiar raramente é assumido por quem o executa. No entanto, no mundo publicitário, a cópia pode ser assumida sempre que as pequenas alterações revelem uma criatividade que não suscite quaisquer dúvidas de que copiar foi apenas uma opção e não uma necessidade. Sim, porque copiar é fácil, melhorar o que se copia é que já não é para todos. No fundo, este é o “segredo” dos sucessos do advercopy que, não raras vezes, conseguem deixar ao original uma ideia de esboço e à cópia uma imagem do trabalho acabado.
Assim, no advercopy pegamos numa imagem, frase ou ideia já conhecida (para facilitar a retenção) e acrescentamos-lhe as necessárias alterações (normalmente com forte carga humorística) na persecução dos objectivos da campanha. Apesar da menoridade com que muitas vezes é tratado, a verdade é que o advercopy encontra sustentação em princípios teóricos de marketing de muito boa gente: como os avisos para a dificuldade de reter uma campanha dados por Jay Levison (marketing de guerrilha) ou os alertas de Stephen Brown de como o marketing e a publicidade se tornaram chatos, demasiado cientificos e sem a necessária dose de humor (marketease).
Apesar de poderem ridicularizar a obra original, na grande maioria das vezes, as campanhas de advercopy acabam por ser uma homenagem de reconhecimento ao original, onde quem copia e é copiado obtém vantagens. Historicamente, a prática de copiar os sucessos dos outros estava ligada a marcas de menor dimensão. Mas até neste aspecto os tempos mudaram. A Burger King, por exemplo, pegou na imagem bem conhecida do solitário cowboy americano de Marlboro na mão, para lhe substituir o cigarro por uma batata frita ainda a deitar fumo. A Nissan transformou uma campanha da Volkswagen, onde um batalhão de polícia se protege atrás da segurança de um Polo, substituindo o Volkswagen por um Nissan e colocando o batalhão à frente do carro para que nada lhe pudesse acontecer.
Naturalmente, estes são apenas dois exemplos de como a criatividade, em vez de criar o novo, pode ser praticada com o “simples” saber olhar de outra forma para o que já foi criado. Já Salvador Dali dizia “Aqueles que não querem imitar coisa nenhuma produzem coisa nenhuma” e, na verdade, basta entender o que Dali disse para perceber que, na maioria das vezes, o sucesso da “cópia” é conseguido por esta ser ainda mais “original”… que o próprio original.
Por Paulo Nunes, do blog Fordoc, Portugal.
quarta-feira, outubro 08, 2008
10 Melhores Citações de David Ogilvy - O Pai da Propaganda Moderna
David Ogilvy foi um publicitário inglês de renome que expandiu as fronteiras da criatividade e é considerado o “pai da propaganda moderna”.A seguir, dez, entre dezenas, de citações geniais deste profissional pioneiro, que me inspiram bastante:
1 - Na publicidade, o que você diz é mais importante que como você diz;
2 - Na publicidade, quanto mais informativo, mais persuasivo;
3 - O consumidor não é tolo. Ele é sua esposa;
4 - Nunca pare de testar e sua publicidade nunca deixará de se aprimorar;
5 - Nunca escreva um anúncio que você não gostaria que sua família visse. Você não mentiria para sua própria esposa. Não minta para a minha;
6 - Na era moderna dos negócios, é inútil ser criativo ao menos que você saiba vender o que você cria;
7 - Se você está tentando persuadir pessoas a fazer algo ou comprar alguma coisa, me parece que você deveria usar a linguagem delas, a linguagem que elas usam no dia-a-dia;
8 - É preciso uma grande idéia para atrair a atenção de consumidores e fazê-los comprar seus produtos. Ao menos que a publicidade contenha uma grane idéia, ela passará como um navio na noite. Duvido que mais de uma campanha entre 100 contenha uma grande idéia;
9 - O segredo de uma vida longa é uma carreira dupla. Uma para até os 60 anos e outra para os próximos 30;
10 - A publicidade reflete os costumes da sociedade, mas não os influencia.
Traduzi livremente o termo advertising para publicidade, embora o significado em inglês seja mais abrangente. Vale a pena também conferir o ótimo site da agência no link http://www.ogilvy.com.br/
terça-feira, outubro 07, 2008
Até debaixo d´água
A Epson criou uma ação instigante de guerrilha para divulgar sua nova linha de impressoras. Para evidenciar a resistência à água e à luz, a Epson enviará para clientes, revendedores e jornalistas um kit contendo a foto de uma flor e um borrifador, convidando para que seja feito um teste de resistência.O material segue acompanhado de texto explicativo e sugere: "Confira você mesmo!"
Frase
“Campanha eleitoral é uma guerra, com tudo que tem direito; tiros, bombardeios, espionagem, traições, contra-informação, guerrilha, loucura. E sempre deixa vítimas civis”.
Chico Santa Rita
Chico Santa Rita
quarta-feira, outubro 01, 2008
Dicas Úteis para Debates Eleitorais
César Maia, o prefeito marketeiro do Rio, postou em seu Blog algumas "Dicas para Debates Eleitorais" que se tornaram sucesso na internet, com centenas de links de referência e citações.
A base do seu texto é interessante, simples, mas ele perde-se em generalidades em vários pontos, o que torna sua abordagem superficial.
Tomando como ponto de partida o texto de Maia, reescrevi os três pontos originais e ampliei o leque com Dicas Úteis para uso de nossos candidatos e candidatas em debates eleitorais.
Penso que podem servir de orientação na preparação de nossos quadros para os embates midiáticos que acontecem no período eleitoral.
1. As mídias são diferentes e atingem o público de maneira diferente. O debate eleitoral na TV e Rádio exigem posturas distintas. Na TV o que vale é a imagem. Voz escandida, tranqüila. Alguns especialistas receitam "sorriso-Reagan" para tudo. Bobagem. Tenha cuidado com o sorriso, que pode parecer cinismo ou desrespeito ao adversário. Num debate de 1 hora e meia entre 4 candidatos - incluindo o tempo ocupado pelo locutor-coordenador- cada um fala uns 15 minutos e assim mesmo de forma fatiada.
2. Na rádio a audiência mais importante é a cobertura da imprensa no dia seguinte. Portanto fatos novos ou pegadas firmes serão mais importantes se ganharem os jornais na cobertura ou se forem replicados no seu programa eleitoral no dia seguinte. Se o debate for a última oportunidade durante uma eleição (como o que se realiza no último dia antes do pleito), a preparação do candidato tem que ser intensa e cada palavra deve ser medida. Perde-se mais com o que não se diz do que com o que diz em ocasiões assim. Uma ausência de resposta pode valer pontos preciosos na contagem final.
3. Na TV, tenha postura. O importante é a imagem nunca ser derrotada, independente de perguntas e respostas. Não baixe os olhos. Desmontar a imagem dos outros na telinha (deixá-los nervosos, irritados) e manter a sua tranquila e firme, é que é o básico. Mesmo se você for atingido, mantenha a imagem como se você estivesse tranqüilo e superior. A câmera só estará em você quando você falar. Você tem tempo para se programar. Não deixe ofensas ou ataques sem resposta.
4. Em qualquer debate, quem pergunta deve estar na verdade perguntando a si mesmo. O outro é apenas a escada para a pergunta voltar a você. Quem responde tem a vantagem de falar por último. Essa sua última fala deve ser bem pensada, mesmo que saindo do tema, e lançando -com tranqüilidade- ao outro o desconhecimento e despreparo. Nunca podem subir a ofensas, pois dão direito de resposta. Se você chamar de mentiroso ao adversário, ele pedirá direito de resposta. Mas se você disser que ele "não tem apreço pela verdade", terá dito a mesma coisa sem garantir o direito de resposta do adversário. Uma afirmação tranqüila e incisiva vale muito mais. Quando se dirigir ao eleitor para pedir o voto, não se esqueça de sorrir, mas só o faça se esse sorriso puder ser sincero. Na dúvida, manter-se sério é melhor do que desferir um sorriso sardônico.
5. A memória é seletiva. O que fica de um debate para o público é muitas vezes, uma frase de efeito, uma formulação clara e feliz, uma jogada desconcertante, uma postura precisa, uma atitude, um gesto. Isso não é obra de marketeiro, depende da capacidade e do reflexo do candidato. Aliás, o gesto na TV conversa, argumenta, convence. Você está muito próximo do telespectador, talvez a um metro de sua cama ou sofá. É de fundamental importância. Um debate é primordialmente algo teatral. TV não é para se gritar como em comício. É fundamental preservar a voz para um debate. Um candidato rouco será sempre um candidato cansado.
6. Manter-se no tempo demonstra equilíbrio. Evite extrapolar o tempo das respostas, para não ser cortado pelo apresentador. O descontrole do tempo é visto como despreparo por alguns eleitores. Na TV, expressão conta muito, muito mesmo. Já entre com cara de vencedor. O visual conta muito. Peça a seus assessores que façam durante o treino as 10 perguntas que você não gostaria que lhe fizessem de forma alguma. Uma boa maneira de não perder uma resposta é começar respondendo, para depois argumentar. Se o mediador lhe pergunta o que você vai fazer para acabar com o caos no trânsito, tenha em mente 3 ações de impacto e as dispare. Depois, fundamente. Se o tempo se dissipar, a fundamentação pode ficar pela metade, mas sua resposta terá sido dada, passando para o eleitor a percepção de que você conhece o problema e tem uma solução concreta para ele.
7. O público vê um debate eleitoral como quem vê uma corrida de fórmula 1. Você quer saber o resultado final, mas se tiver uma batida no meio tudo ficará mais emocionante. Todos esperam um candidato sincero, verdadeiro e equilibrado. Como na Fórmula 1, acidente são aceitáveis, mas barbeiragens, jamais. Quem só ataca perde simpatia. Quem não se defende, parece acuado. O que mais conta no debate é o carisma, a sinceridade, o preparo (que se manifesta em propostas, números e atenção concentrada no evento) e a capacidade de comunicação de cada um. Isso tudo se traduz em postura corporal. Lembre-se: o corpo fala. E as pessoas entendem a sua linguagem.
8. As considerações finais são o filé dos debates eleitorais. Você pode corrigir um desempenho fraco se fizer de suas considerações finais um pedido de voto eloquente, sincero, bem construído. Nunca, nunca mesmo, "se despeça" em um debate de rádio e TV. Se isso for feito no primeiro turno, significa que você não estará no segundo-turno. Se isso for feito no segundo-turno, significa que você desaparecerá de vista quando estiver no cargo. Concentre-se em pedir votos, em dar ao eleitor razões novas e antigas para que ele vote em você e atue na propagação do voto. Demonstre confiança. Ninguém segue um líder cabisbaixo.
A base do seu texto é interessante, simples, mas ele perde-se em generalidades em vários pontos, o que torna sua abordagem superficial.
Tomando como ponto de partida o texto de Maia, reescrevi os três pontos originais e ampliei o leque com Dicas Úteis para uso de nossos candidatos e candidatas em debates eleitorais.
Penso que podem servir de orientação na preparação de nossos quadros para os embates midiáticos que acontecem no período eleitoral.
1. As mídias são diferentes e atingem o público de maneira diferente. O debate eleitoral na TV e Rádio exigem posturas distintas. Na TV o que vale é a imagem. Voz escandida, tranqüila. Alguns especialistas receitam "sorriso-Reagan" para tudo. Bobagem. Tenha cuidado com o sorriso, que pode parecer cinismo ou desrespeito ao adversário. Num debate de 1 hora e meia entre 4 candidatos - incluindo o tempo ocupado pelo locutor-coordenador- cada um fala uns 15 minutos e assim mesmo de forma fatiada.
2. Na rádio a audiência mais importante é a cobertura da imprensa no dia seguinte. Portanto fatos novos ou pegadas firmes serão mais importantes se ganharem os jornais na cobertura ou se forem replicados no seu programa eleitoral no dia seguinte. Se o debate for a última oportunidade durante uma eleição (como o que se realiza no último dia antes do pleito), a preparação do candidato tem que ser intensa e cada palavra deve ser medida. Perde-se mais com o que não se diz do que com o que diz em ocasiões assim. Uma ausência de resposta pode valer pontos preciosos na contagem final.
3. Na TV, tenha postura. O importante é a imagem nunca ser derrotada, independente de perguntas e respostas. Não baixe os olhos. Desmontar a imagem dos outros na telinha (deixá-los nervosos, irritados) e manter a sua tranquila e firme, é que é o básico. Mesmo se você for atingido, mantenha a imagem como se você estivesse tranqüilo e superior. A câmera só estará em você quando você falar. Você tem tempo para se programar. Não deixe ofensas ou ataques sem resposta.
4. Em qualquer debate, quem pergunta deve estar na verdade perguntando a si mesmo. O outro é apenas a escada para a pergunta voltar a você. Quem responde tem a vantagem de falar por último. Essa sua última fala deve ser bem pensada, mesmo que saindo do tema, e lançando -com tranqüilidade- ao outro o desconhecimento e despreparo. Nunca podem subir a ofensas, pois dão direito de resposta. Se você chamar de mentiroso ao adversário, ele pedirá direito de resposta. Mas se você disser que ele "não tem apreço pela verdade", terá dito a mesma coisa sem garantir o direito de resposta do adversário. Uma afirmação tranqüila e incisiva vale muito mais. Quando se dirigir ao eleitor para pedir o voto, não se esqueça de sorrir, mas só o faça se esse sorriso puder ser sincero. Na dúvida, manter-se sério é melhor do que desferir um sorriso sardônico.
5. A memória é seletiva. O que fica de um debate para o público é muitas vezes, uma frase de efeito, uma formulação clara e feliz, uma jogada desconcertante, uma postura precisa, uma atitude, um gesto. Isso não é obra de marketeiro, depende da capacidade e do reflexo do candidato. Aliás, o gesto na TV conversa, argumenta, convence. Você está muito próximo do telespectador, talvez a um metro de sua cama ou sofá. É de fundamental importância. Um debate é primordialmente algo teatral. TV não é para se gritar como em comício. É fundamental preservar a voz para um debate. Um candidato rouco será sempre um candidato cansado.
6. Manter-se no tempo demonstra equilíbrio. Evite extrapolar o tempo das respostas, para não ser cortado pelo apresentador. O descontrole do tempo é visto como despreparo por alguns eleitores. Na TV, expressão conta muito, muito mesmo. Já entre com cara de vencedor. O visual conta muito. Peça a seus assessores que façam durante o treino as 10 perguntas que você não gostaria que lhe fizessem de forma alguma. Uma boa maneira de não perder uma resposta é começar respondendo, para depois argumentar. Se o mediador lhe pergunta o que você vai fazer para acabar com o caos no trânsito, tenha em mente 3 ações de impacto e as dispare. Depois, fundamente. Se o tempo se dissipar, a fundamentação pode ficar pela metade, mas sua resposta terá sido dada, passando para o eleitor a percepção de que você conhece o problema e tem uma solução concreta para ele.
7. O público vê um debate eleitoral como quem vê uma corrida de fórmula 1. Você quer saber o resultado final, mas se tiver uma batida no meio tudo ficará mais emocionante. Todos esperam um candidato sincero, verdadeiro e equilibrado. Como na Fórmula 1, acidente são aceitáveis, mas barbeiragens, jamais. Quem só ataca perde simpatia. Quem não se defende, parece acuado. O que mais conta no debate é o carisma, a sinceridade, o preparo (que se manifesta em propostas, números e atenção concentrada no evento) e a capacidade de comunicação de cada um. Isso tudo se traduz em postura corporal. Lembre-se: o corpo fala. E as pessoas entendem a sua linguagem.
8. As considerações finais são o filé dos debates eleitorais. Você pode corrigir um desempenho fraco se fizer de suas considerações finais um pedido de voto eloquente, sincero, bem construído. Nunca, nunca mesmo, "se despeça" em um debate de rádio e TV. Se isso for feito no primeiro turno, significa que você não estará no segundo-turno. Se isso for feito no segundo-turno, significa que você desaparecerá de vista quando estiver no cargo. Concentre-se em pedir votos, em dar ao eleitor razões novas e antigas para que ele vote em você e atue na propagação do voto. Demonstre confiança. Ninguém segue um líder cabisbaixo.
terça-feira, setembro 30, 2008
Factóides
Gustavo Fortes, da Espalhe, explica a origem do factóide em César Maia.
1. A expressão “factóides” foi criada pelo escritor Arthur Miller, e depois usada por Alberto Dines em um artigo quando trabalhava em Lisboa. Em 1991, quando o atual prefeito do Rio, realizava pesquisas sobre comunicação política, duas leituras, uma do livro de Katleen Jamieson (Comunicação na Era Eletrônica) e outra de um artigo de Stela Senra (O Último Jornalista) ajudaram a entender as razões de um fato se transformar em noticia. Uma delas - numa sociedade da imagem - é que os fatos venham carregados de imagem, tanto em relação a quem está no centro dele, como em relação a quem narra.
2. A busca de uma palavra que traduzisse isso o levou de encontro ao uso da expressão “factóide”. Numa reportagem sobre o prefeito, na revista Veja em 1993, o jornalista Alfredo Ribeiro, destacou a questão, exagerando. O titulo da matéria foi: “Governar é lançar Factóides”. O prefeito estava numa fase de testes. Havia conseguido emplacar diversas fotos em matérias onde estava no centro dos fatos, havia conquistado várias capas de jornais e revistas e introduzido nos programas de rádio em que era convidado, a narrativa através de imagens.
3. O excesso nestes testes terminou lhe valendo como interpretação: maluco… O desgaste valeu, pois se passou a ter uma tecnologia experimentada de comunicação política, desenvolvida e comprovada. Mas -talvez por preconceito- factóide passou a ter uma tradução equivocada. Do que é -um fato carregado de imagem- passou a ser percebido como -um pseudo-fato- que é coisa diferente. Já em 1996 o “Aurélio” o incorporava no dicionário. Mas a versão do factóide como pseudo-fato se tornou mais difundida.
4. A partir de um certo momento, editores passaram a ter um cuidado excessivo com as imagens que o prefeito carregava em seus atos e fatos, o que produziu uma exclusão desnecessária de várias matérias, numa espécie de atenção para que “ele não nos use”.
5. Toda essa introdução é para chamar a atenção dos políticos -pois precisam usar esta tecnologia, buscando a notícia através de factóides- ou seja, fatos carregados de imagem. Quando a imagem não carrega fatos, esta é percebida pelas pessoas de forma negativa, como alegorias vazias e até pseudo-fatos, negando o fato que se quer destacar. Por exemplo: quando o presidente vai a uma plataforma de petróleo e mostra as mãos com óleo ele produz um factóide, pois a imagem carrega ou expressa um fato efetivo que quer destacar. Mas quando o governador anda de triciclo em Berlim, ele provoca um efeito negativo, no máximo uma alegoria. Não há fato: a imagem está solta.
6. Muitas vezes quando um político busca a imagem sem se preocupar com o fato, ele oculta o fato. Por exemplo: numa inauguração da reforma do Maracanã, presidente e governador resolveram bater pênaltis. Conseguiram a imagem, mas ocultaram o fato. Na comemoração de um ano de funcionamento de um posto de saúde, o governador dançando com a esposa, destacou o dia dos namorados, mas ocultou o fato. O presidente quando coloca o chapéu do MST, legitima o MST. Quando coloca um boné na Bolsa de Valores de SP, oculta o fato. A foto deveria ser dele batendo o martelo como se faz em NY.
7. O prefeito na fase de testes cometeu esses erros algumas vezes. Inevitável para aprender. Mas com anos em que essas questões estão mais que analisadas e são amplamente conhecidas pelos publicitários em política, não se justifica mais, que continuem a ser cometidos. Que os factóides sejam factóides para valer. Que se saiba o que são e como se os deve comunicar. Para que as queimaduras de primeiro grau não se transformem em de segundo ou terceiro grau.
1. A expressão “factóides” foi criada pelo escritor Arthur Miller, e depois usada por Alberto Dines em um artigo quando trabalhava em Lisboa. Em 1991, quando o atual prefeito do Rio, realizava pesquisas sobre comunicação política, duas leituras, uma do livro de Katleen Jamieson (Comunicação na Era Eletrônica) e outra de um artigo de Stela Senra (O Último Jornalista) ajudaram a entender as razões de um fato se transformar em noticia. Uma delas - numa sociedade da imagem - é que os fatos venham carregados de imagem, tanto em relação a quem está no centro dele, como em relação a quem narra.
2. A busca de uma palavra que traduzisse isso o levou de encontro ao uso da expressão “factóide”. Numa reportagem sobre o prefeito, na revista Veja em 1993, o jornalista Alfredo Ribeiro, destacou a questão, exagerando. O titulo da matéria foi: “Governar é lançar Factóides”. O prefeito estava numa fase de testes. Havia conseguido emplacar diversas fotos em matérias onde estava no centro dos fatos, havia conquistado várias capas de jornais e revistas e introduzido nos programas de rádio em que era convidado, a narrativa através de imagens.
3. O excesso nestes testes terminou lhe valendo como interpretação: maluco… O desgaste valeu, pois se passou a ter uma tecnologia experimentada de comunicação política, desenvolvida e comprovada. Mas -talvez por preconceito- factóide passou a ter uma tradução equivocada. Do que é -um fato carregado de imagem- passou a ser percebido como -um pseudo-fato- que é coisa diferente. Já em 1996 o “Aurélio” o incorporava no dicionário. Mas a versão do factóide como pseudo-fato se tornou mais difundida.
4. A partir de um certo momento, editores passaram a ter um cuidado excessivo com as imagens que o prefeito carregava em seus atos e fatos, o que produziu uma exclusão desnecessária de várias matérias, numa espécie de atenção para que “ele não nos use”.
5. Toda essa introdução é para chamar a atenção dos políticos -pois precisam usar esta tecnologia, buscando a notícia através de factóides- ou seja, fatos carregados de imagem. Quando a imagem não carrega fatos, esta é percebida pelas pessoas de forma negativa, como alegorias vazias e até pseudo-fatos, negando o fato que se quer destacar. Por exemplo: quando o presidente vai a uma plataforma de petróleo e mostra as mãos com óleo ele produz um factóide, pois a imagem carrega ou expressa um fato efetivo que quer destacar. Mas quando o governador anda de triciclo em Berlim, ele provoca um efeito negativo, no máximo uma alegoria. Não há fato: a imagem está solta.
6. Muitas vezes quando um político busca a imagem sem se preocupar com o fato, ele oculta o fato. Por exemplo: numa inauguração da reforma do Maracanã, presidente e governador resolveram bater pênaltis. Conseguiram a imagem, mas ocultaram o fato. Na comemoração de um ano de funcionamento de um posto de saúde, o governador dançando com a esposa, destacou o dia dos namorados, mas ocultou o fato. O presidente quando coloca o chapéu do MST, legitima o MST. Quando coloca um boné na Bolsa de Valores de SP, oculta o fato. A foto deveria ser dele batendo o martelo como se faz em NY.
7. O prefeito na fase de testes cometeu esses erros algumas vezes. Inevitável para aprender. Mas com anos em que essas questões estão mais que analisadas e são amplamente conhecidas pelos publicitários em política, não se justifica mais, que continuem a ser cometidos. Que os factóides sejam factóides para valer. Que se saiba o que são e como se os deve comunicar. Para que as queimaduras de primeiro grau não se transformem em de segundo ou terceiro grau.
sexta-feira, setembro 26, 2008
Carta do leitor
"Dominque Wolton, um dos mais renomados pensadores midiáticos franceses, em sua obra "Penser la Communication" alerta sobre os perigos dos excessos da segmentação nas televisões a cabo e o risco de perdermos nosso último elo democrático de comunicação comum. Assim como um dia abrimos mão dos conselhos tribais em volta das fogueiras, onde discutíamos os nossos problemas comunitários, agora podemos perder as nossas últimas referências sociais universais. Apesar de todos os erros e problemas, a TV aberta ainda é um meio com grande importância para a democratização da informação e para a socialização de uma programação universal. Para existir democracia, precisamos de objetivos políticos comuns, mas também precisamos de assuntos comuns para uma integração de experiências. Em outras palavras, precisamos nos manter em contato para uma formação de identidade pelos meios de comunicação de massa como a TV.
A expansão da internet, suas promessas de convergência de todos os meios e garantias de interatividade total, ainda demandam grandes investimentos por parte dos governos de países como o Brasil. Uma promessa dispendiosa para o futuro. Mas aceitar a inevitável degradação das TVs públicas e o fim prematuro de uma experiência tão promissora da rede de TVs públicas em nosso país, é limitar o nosso próprio potencial de crescimento instalado. A televisão aberta, pública ou privada, também pode ser um instrumento fundamental nas políticas culturais e educacionais brasileiras. Televisão comum não precisa ser sinônimo de baixaria, vulgaridade ou consumismo, assim como computador e internet não significam, necessariamente, cultura e informação. Segundo dados alarmantes, os sites mais vistos e mais lucrativos da rede ainda são os sites pornográficos, a baixara na internet. É essa a contribuição que tenho a dar sobre o debate do conflito de meios antigos e novos e gostaria de ver essa opinião publicada em seu blog, que é, para mim, uma das referências na área de comunicação.
Obrigado e bom trabalho.
Antonio Brasil Neto, professor de jornalismo."
A expansão da internet, suas promessas de convergência de todos os meios e garantias de interatividade total, ainda demandam grandes investimentos por parte dos governos de países como o Brasil. Uma promessa dispendiosa para o futuro. Mas aceitar a inevitável degradação das TVs públicas e o fim prematuro de uma experiência tão promissora da rede de TVs públicas em nosso país, é limitar o nosso próprio potencial de crescimento instalado. A televisão aberta, pública ou privada, também pode ser um instrumento fundamental nas políticas culturais e educacionais brasileiras. Televisão comum não precisa ser sinônimo de baixaria, vulgaridade ou consumismo, assim como computador e internet não significam, necessariamente, cultura e informação. Segundo dados alarmantes, os sites mais vistos e mais lucrativos da rede ainda são os sites pornográficos, a baixara na internet. É essa a contribuição que tenho a dar sobre o debate do conflito de meios antigos e novos e gostaria de ver essa opinião publicada em seu blog, que é, para mim, uma das referências na área de comunicação.
Obrigado e bom trabalho.
Antonio Brasil Neto, professor de jornalismo."
Sun Tzu e a realidade do conflito
Sun Tzu foi um general, estrategista militar e pensador chinês que viveu no século IV AC. No comando do Exército Real de Wu acumulou inúmeras vitórias, derrotando exércitos inimigos e capturando seus comandantes. Foi um profundo conhecedor das manobras militares e escreveu os textos que ficaram conhecidos, no ocidente, como "A arte da guerra", onde agrupa observações e ensinamentos de tática e estratégia de combate e de logística de guerra. Aqui, Sun Tzu e a realidade do conflito, por ele mesmo:
"O verdadeiro objetivo da guerra é a paz. Na paz, preparar-se para a guerra; na guerra, preparar-se para a paz.
O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar.
Dominar a arte da guerra é fundamental para o Estado. Conhecê-la bem é questão de vida ou morte. A diferença entre segurança e ruína. Em nenhuma circunstância deve ser negligenciada.
Mova-se apenas se houver uma vantagem real a ser obtida.
Jamais repita as mesmas táticas que lhe deram uma vitória, procure variá-las segundo as circunstâncias.
Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...
Toda força militar tem o logro como base. Por isso, quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe; quando longe devemos fazê-lo acreditar que estamos perto. Preparar iscas para atrair o inimigo.
Fingir desorganização e esmagá-lo. Se ele tem forças superiores, evite-o.
Se seu adversário tem temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranqüilo não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado.
Os soldados capturados devem ser mantidos e tratados com bondade. Chama-se isso usar o inimigo aprisionado para aumentar nossa própria força.
Se as ordens de comando não foram bastantes claras, se não foram totalmente compreendidas, então a culpa é do general, porem se as ordens são claras e os soldados, apesar disso desobedecem então a culpa é dos seus oficiais.
A arte da guerra é governada por cinco fatores constantes, que devem ser levados em conta. São: a Lei Moral; o Céu; a Terra; o Chefe; o Método e a Disciplina.
A água modela o curso de acordo com a natureza do solo por onde passa; o soldado prepara sua vitória de acordo com o inimigo que está enfrentando".
"O verdadeiro objetivo da guerra é a paz. Na paz, preparar-se para a guerra; na guerra, preparar-se para a paz.
O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar.
Dominar a arte da guerra é fundamental para o Estado. Conhecê-la bem é questão de vida ou morte. A diferença entre segurança e ruína. Em nenhuma circunstância deve ser negligenciada.
Mova-se apenas se houver uma vantagem real a ser obtida.
Jamais repita as mesmas táticas que lhe deram uma vitória, procure variá-las segundo as circunstâncias.
Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...
Toda força militar tem o logro como base. Por isso, quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe; quando longe devemos fazê-lo acreditar que estamos perto. Preparar iscas para atrair o inimigo.
Fingir desorganização e esmagá-lo. Se ele tem forças superiores, evite-o.
Se seu adversário tem temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranqüilo não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado.
Os soldados capturados devem ser mantidos e tratados com bondade. Chama-se isso usar o inimigo aprisionado para aumentar nossa própria força.
Se as ordens de comando não foram bastantes claras, se não foram totalmente compreendidas, então a culpa é do general, porem se as ordens são claras e os soldados, apesar disso desobedecem então a culpa é dos seus oficiais.
A arte da guerra é governada por cinco fatores constantes, que devem ser levados em conta. São: a Lei Moral; o Céu; a Terra; o Chefe; o Método e a Disciplina.
A água modela o curso de acordo com a natureza do solo por onde passa; o soldado prepara sua vitória de acordo com o inimigo que está enfrentando".
Política, comunicação e persuasão
A palavra serve para exprimir ou comunicar uma idéia, um sentimento, um desejo, uma vontade, um conteúdo. Serve para explicar e para entender. Pode ser a lupa que descortina o conhecimento, a chave que abre portas e masmorras ou, como disse o poeta, o estilete dilacerador. A palavra é vida e é morte. A palavra é o signo que transporta o sentimento do mundo.
A arte de convencer pela palavra é muito antiga. Em sua forma moderna, a propaganda política foi inaugurada pelo bolchevismo, e especialmente por Lênin, o organizador, e Trotski, o intelectual que esgrimia a palavra como poucos.
Mas mesmo antes deles houve líderes que reconheceram sua importância. Napoleão Bonaparte foi um desses sábios guerreiros. Ele disse: "Para ser justo, não é suficiente fazer o bem, é igualmente necessário que os administrados estejam convencidos. A força fundamenta-se na opinião. Que é o governo? Nada, se não dispuser da opinião pública."
Mas foram Hitler e Goebbels que utilizaram com maior sucesso as técnicas de controle da opinião pública e, assim, acabaram dando enorme contribuição à propaganda moderna. Os fundamentos do que fizeram, teorizaram e formularam estão na base do marketing atual e da teoria do Posicionamento, a mais bem desenvolvida teoria de persuasão através do marketing e da publicidade, formulada por Jack Trout e All Ries.
Mas o que é propaganda? "A propaganda é uma tentativa de influenciar a opinião e a conduta da sociedade, de tal modo que as pessoas adotem uma conduta determinada", escreveu Bartlett, em Political propaganda. E qual a diferença, então, entre propaganda e publicidade? Jean-Marie Domenach, em seu clássico livro “A propaganda política”, responde: "A publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas."
Pesquisa de opinião pública encomendada pelo Ministério da Justiça e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ao Ibope mostrou que, para 30% dos pesquisados, a televisão é o principal veículo informativo e, para muitos, 28%, formativo. Ela é avaliada como uma importante fonte de atualização de conhecimentos e de entretenimento. No entanto, a maioria dos entrevistados, 57%, afirmou não se preocupar com o conteúdo da programação televisiva.
Poder de influenciar somado ao desinteresse pelo conteúdo dos programas. Eis aí a fórmula ideal para o controle da opinião pública.
A partir do momento em que se percebeu que o homem médio é um ser essencialmente influenciável, e que é possível mudar-lhe as opiniões e as idéias, os especialistas passaram a utilizar em matéria política o que já se verificara viável do ponto de vista comercial.
Assim, as campanhas eleitorais nos EUA – com suas "paradas", orquestras, girls e cartazes, que são um verdadeiro e ruidoso reclame – pouco diferem das campanhas publicitárias comerciais. Se você vai ao YouTube e digita "ad" (de "advertising") e o nome do candidato, verá centenas de peças de vídeo, oficiais e oficiosas, que usam os elementos presentes na publicidade comercial de qualquer produto.
"Os poderes destrutivos contidos nos sentimentos e ressentimentos humanos podem ser utilizados, manipulados por especialistas", disse J. Monnerot. E para isso são utilizadas leis específicas: as leis da propaganda ou da comunicação política. Já as publiquei aqui, mas penso que a conjuntura eleitoral exige que voltemos a elas, relancionando-as, inclusive, com as ações de marketing comercial, que ao longo do século XX foi se apropriando paulatinamente das ferramentas da comunicação política, transformando-as em eficientes mecanismos de abertura e manutenção de mercado.
Lei da Simplificação e do Inimigo Único
Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que se pertence ou o ódio pelo campo adverso. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os comunistas e judeus acabaram eleitos como "inimigo único" (usavam como exemplo Marx e Trotski, ambos judeus e comunistas); para os estadunidenses, eram os “comunistas” ao longo da Guerra Fria e hoje são os “terroristas”, um eufemismo para nominar os muçulmanos fundamentalistas, ou os "narco-guerrilheiros", outro neologismo, agora usado para desqualificar os movimentos de resistência armada ainda existentes na América Latina. Aliás, sobre a guerra suja anti-comunista nem tudo ainda veio à tona. Em 2001, a publicação de um livro de história que revelava o envolvimento dos EUA na morte de mais de 100 mil comunistas indonésios foi bloqueada pelo governo do presidente George W. Bush.
O livro, produzido com base a relatórios do Departamento de Estado, detalhava as atividades diplomáticas e de inteligência dos EUA na Indonésia entre 1965 e 1966. Ele mostrava que, durante uma ação sangrenta contra os comunistas, a Embaixada dos EUA em Jacarta forneceu às forças indonésias uma lista com nomes de líderes do PKI, o Partido Comunista Indonésio. A publicação também sugeria que o serviço secreto americano tenha contribuído para o assassinato de mais de 100 mil membros do PKI. Um exemplar foi obtido pelo Arquivo de Segurança Nacional, um instituto de pesquisa que luta pela publicação de documentos oficiais que deixaram de ser confidenciais, depois que o livro foi enviado a livrarias do governo acidentalmente. Segundo o arquivo, o livro diz que, em dezembro de 1965, Marshall Green, então embaixador dos EUA em Jacarta, ‘endossou um pagamento secreto de cerca de US$ 5.000 ao Kap-Gestapu, o movimento que liderava a repressão na Indonésia’.
A grande imprensa silenciou sobre os fatos e sobre os relatos.
Lei da Ampliação e Desfiguração
A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado correntemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos e omite os elementos estruturais do argumento contrário. A permanente campanha da imprensa contra o governo Lula, por exemplo, tenta jogar na conta do líder petista todas as crises que acontecem no país, incluindo a "crise aérea" fabricada pela greve dos controladores de vôo em busca de elevação salarial ou a crise separatista boliviana, que agrupa governadores contrários a Evo Morales, o índio presidente do país vizinho. Nesse caso, a imprensa alardeou uma crise de falta de gás de cozinha no Brasil, que não aconteceu, para em seguida falar em soberania nacional "em defesa" das ações da Petrobrás, que devem ser regidas por interesses comerciais, já que trata-se de uma empresa, e não de sentimentos patrióticos canalhas e oportunistas.
Lei da Orquestração
A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Goebbels dizia: "A Igreja Católica mantém-se porque repete a mesma coisa há dois mil anos. O Estado nacional-socialista deve agir analogamente."
Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu: "A propaganda deve limitar-se a pequeno número de idéias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das idéias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes. As alterações nela introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão.
Portanto, a qualidade fundamental de toda campanha de propaganda é a permanência do tema, aliada à variedade de apresentação.
Lei da Transfusão
A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais. É o que os oradores fazem quando querem amoldar uma multidão ao seu objetivo: jamais contradizem as pessoas frontalmente, mas de início declaram-se de acordo com ela.
A maior preocupação dos estrategistas (que os bolheviques chamavam de "propagandistas") reside na identificação e na exploração do gosto popular, mesmo naquilo que tem de mais perturbador e absurdo.
Lei da Unanimidade
Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismos, e se mantêm apenas por ter o indivíduo as impressões de que a sua opinião é espossada unanimemente por todos no seu meio. É tarefa da propaganda reforçar essa unanimidade e mesmo criá-la artificialmente. Em marketing comercial isso se chama "formação de fidelidade". Desde suas origens, as ações empreendidas pela Coca-Cola Company contribuiram para criar em torno de sua marca um alto indice de envolvimento e comprometimento do consumidor. E fez isso explorando convenientemente os valores mais predominantes na sociedade estadunidense e estabelecer profundas ligações da marca com quase todos os aspects de sua vida. Esse modelo aprofundou-se com a mundialização da marca, que passou a adaptar-se aos elementos que são universalmente entendidos como frescor, bem estar e felicidade.
A arte de convencer pela palavra é muito antiga. Em sua forma moderna, a propaganda política foi inaugurada pelo bolchevismo, e especialmente por Lênin, o organizador, e Trotski, o intelectual que esgrimia a palavra como poucos.
Mas mesmo antes deles houve líderes que reconheceram sua importância. Napoleão Bonaparte foi um desses sábios guerreiros. Ele disse: "Para ser justo, não é suficiente fazer o bem, é igualmente necessário que os administrados estejam convencidos. A força fundamenta-se na opinião. Que é o governo? Nada, se não dispuser da opinião pública."
Mas foram Hitler e Goebbels que utilizaram com maior sucesso as técnicas de controle da opinião pública e, assim, acabaram dando enorme contribuição à propaganda moderna. Os fundamentos do que fizeram, teorizaram e formularam estão na base do marketing atual e da teoria do Posicionamento, a mais bem desenvolvida teoria de persuasão através do marketing e da publicidade, formulada por Jack Trout e All Ries.
Mas o que é propaganda? "A propaganda é uma tentativa de influenciar a opinião e a conduta da sociedade, de tal modo que as pessoas adotem uma conduta determinada", escreveu Bartlett, em Political propaganda. E qual a diferença, então, entre propaganda e publicidade? Jean-Marie Domenach, em seu clássico livro “A propaganda política”, responde: "A publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas."
Pesquisa de opinião pública encomendada pelo Ministério da Justiça e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ao Ibope mostrou que, para 30% dos pesquisados, a televisão é o principal veículo informativo e, para muitos, 28%, formativo. Ela é avaliada como uma importante fonte de atualização de conhecimentos e de entretenimento. No entanto, a maioria dos entrevistados, 57%, afirmou não se preocupar com o conteúdo da programação televisiva.
Poder de influenciar somado ao desinteresse pelo conteúdo dos programas. Eis aí a fórmula ideal para o controle da opinião pública.
A partir do momento em que se percebeu que o homem médio é um ser essencialmente influenciável, e que é possível mudar-lhe as opiniões e as idéias, os especialistas passaram a utilizar em matéria política o que já se verificara viável do ponto de vista comercial.
Assim, as campanhas eleitorais nos EUA – com suas "paradas", orquestras, girls e cartazes, que são um verdadeiro e ruidoso reclame – pouco diferem das campanhas publicitárias comerciais. Se você vai ao YouTube e digita "ad" (de "advertising") e o nome do candidato, verá centenas de peças de vídeo, oficiais e oficiosas, que usam os elementos presentes na publicidade comercial de qualquer produto.
"Os poderes destrutivos contidos nos sentimentos e ressentimentos humanos podem ser utilizados, manipulados por especialistas", disse J. Monnerot. E para isso são utilizadas leis específicas: as leis da propaganda ou da comunicação política. Já as publiquei aqui, mas penso que a conjuntura eleitoral exige que voltemos a elas, relancionando-as, inclusive, com as ações de marketing comercial, que ao longo do século XX foi se apropriando paulatinamente das ferramentas da comunicação política, transformando-as em eficientes mecanismos de abertura e manutenção de mercado.
Lei da Simplificação e do Inimigo Único
Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que se pertence ou o ódio pelo campo adverso. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os comunistas e judeus acabaram eleitos como "inimigo único" (usavam como exemplo Marx e Trotski, ambos judeus e comunistas); para os estadunidenses, eram os “comunistas” ao longo da Guerra Fria e hoje são os “terroristas”, um eufemismo para nominar os muçulmanos fundamentalistas, ou os "narco-guerrilheiros", outro neologismo, agora usado para desqualificar os movimentos de resistência armada ainda existentes na América Latina. Aliás, sobre a guerra suja anti-comunista nem tudo ainda veio à tona. Em 2001, a publicação de um livro de história que revelava o envolvimento dos EUA na morte de mais de 100 mil comunistas indonésios foi bloqueada pelo governo do presidente George W. Bush.
O livro, produzido com base a relatórios do Departamento de Estado, detalhava as atividades diplomáticas e de inteligência dos EUA na Indonésia entre 1965 e 1966. Ele mostrava que, durante uma ação sangrenta contra os comunistas, a Embaixada dos EUA em Jacarta forneceu às forças indonésias uma lista com nomes de líderes do PKI, o Partido Comunista Indonésio. A publicação também sugeria que o serviço secreto americano tenha contribuído para o assassinato de mais de 100 mil membros do PKI. Um exemplar foi obtido pelo Arquivo de Segurança Nacional, um instituto de pesquisa que luta pela publicação de documentos oficiais que deixaram de ser confidenciais, depois que o livro foi enviado a livrarias do governo acidentalmente. Segundo o arquivo, o livro diz que, em dezembro de 1965, Marshall Green, então embaixador dos EUA em Jacarta, ‘endossou um pagamento secreto de cerca de US$ 5.000 ao Kap-Gestapu, o movimento que liderava a repressão na Indonésia’.
A grande imprensa silenciou sobre os fatos e sobre os relatos.
Lei da Ampliação e Desfiguração
A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado correntemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos e omite os elementos estruturais do argumento contrário. A permanente campanha da imprensa contra o governo Lula, por exemplo, tenta jogar na conta do líder petista todas as crises que acontecem no país, incluindo a "crise aérea" fabricada pela greve dos controladores de vôo em busca de elevação salarial ou a crise separatista boliviana, que agrupa governadores contrários a Evo Morales, o índio presidente do país vizinho. Nesse caso, a imprensa alardeou uma crise de falta de gás de cozinha no Brasil, que não aconteceu, para em seguida falar em soberania nacional "em defesa" das ações da Petrobrás, que devem ser regidas por interesses comerciais, já que trata-se de uma empresa, e não de sentimentos patrióticos canalhas e oportunistas.
Lei da Orquestração
A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Goebbels dizia: "A Igreja Católica mantém-se porque repete a mesma coisa há dois mil anos. O Estado nacional-socialista deve agir analogamente."
Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu: "A propaganda deve limitar-se a pequeno número de idéias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das idéias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes. As alterações nela introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão.
Portanto, a qualidade fundamental de toda campanha de propaganda é a permanência do tema, aliada à variedade de apresentação.
Lei da Transfusão
A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais. É o que os oradores fazem quando querem amoldar uma multidão ao seu objetivo: jamais contradizem as pessoas frontalmente, mas de início declaram-se de acordo com ela.
A maior preocupação dos estrategistas (que os bolheviques chamavam de "propagandistas") reside na identificação e na exploração do gosto popular, mesmo naquilo que tem de mais perturbador e absurdo.
Lei da Unanimidade
Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismos, e se mantêm apenas por ter o indivíduo as impressões de que a sua opinião é espossada unanimemente por todos no seu meio. É tarefa da propaganda reforçar essa unanimidade e mesmo criá-la artificialmente. Em marketing comercial isso se chama "formação de fidelidade". Desde suas origens, as ações empreendidas pela Coca-Cola Company contribuiram para criar em torno de sua marca um alto indice de envolvimento e comprometimento do consumidor. E fez isso explorando convenientemente os valores mais predominantes na sociedade estadunidense e estabelecer profundas ligações da marca com quase todos os aspects de sua vida. Esse modelo aprofundou-se com a mundialização da marca, que passou a adaptar-se aos elementos que são universalmente entendidos como frescor, bem estar e felicidade.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Novas frentes de luta na comunicação
Autor de diversos livros basilares, como "História da Sociedade da Informação", "Diversidade Cultural e Mundialização" e do clássico "Para ler o Pato Donald: comunicação de massas e colonialismo", o belga Armand Mattelart, professor da Universidade Paris VIII, na França, é um dos mais ácidos críticos do monopólio mundial dos meios de comunicação e da indústria cultural. Leia aqui algumas de suas polêmicas posições.Como o senhor vê a evolução das políticas públicas de comunicação no mundo? Os governos estão reféns da mídia?
A própria noção de "políticas públicas" no campo da comunicação e da cultura, como pregavam os países não alinhados às demandas da Unesco por uma Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação (Nomic), durante os anos 70, passou por uma travessia no deserto nas últimas duas décadas do século passado. As estratégias de ajuste estrutural e de desregulamentação a negavam, simplesmente.Tivemos que esperar o fim dos anos 90 e os primeiros anos deste século para que o imperativo das políticas públicas voltasse a ser ouvido nos debates sobre o ordenamento mundial da comunicação, apesar dos os governos continuarem muito reticentes.
Como se posiciona o movimento social neste contexto?
O movimento social teve um papel importante ao colocar na ordem do dia esta questão. Eu citava antes o posicionamento do movimento social na cúpula mundial da sociedade da informação. Poderia citar a formulação de projetos para a reforma dos sistemas de rádio e televisão que está emergindo na União Européia ou em vários países latino-americanos, da Argentina até o México, passando pelo Brasil. Estes projetos propõem a necessidade de repensar tanto o funcionamento do setor privado e do serviço público como de legitimar a existência de um terceiro setor, composto de meios comunitários ou associativos, livres e independentes.
O senhor está falando da comunicação popular?
Os atores da comunicação popular ampliaram suas perspectivas e já não se conformam só em reforçar suas redes e seu profissionalismo, mas se convertem num dos pontos avançados nas pressões que tendem a substituir estruturalmente o conjunto do sistema midiático e reabilitar a idéia do "público", alinhada com a declaração das organizações latino-americanas de comunicação, reunidas em Quito, em julho de 2004, por ocasião do Fórum Social das Américas: "Privilegiar a defesa e a promoção do público, porque o público permite o exercício da uma cultura deliberativa que confronta e aceita diversas posições para fazê-las dialogar e construir acordos baseados na discrepância sobre os conflitos que vivemos mas assumimos". Poderia referir-me também aos esforços desenvolvidos para instaurar políticas que preservem a "diversidade cultural" e o pluralismo dos meios.
Há avanços concretos nesta luta?
Sem cair no triunfalismo, penso que estão se abrindo novas problemáticas e frentes de luta no campo amplo da cultura. Em cada um deles, se assistiu à criação de redes cidadãs tanto em escala nacional quanto planetária. As iniciativas lançadas pela rede CRIS ou "Direitos a Comunicação na Sociedade da Informação" ou a "Coalizão para a diversidade cultural" o atestam.
Como os povos do mundo podem usar os meios de comunicação para dominar a mídia?
Temos que pensar na brutal assimetria dos receptores frente às empresas de mídia e eternizar contra-poderes, a fim de promover uma "ecologia da informação". É a filosofia da ação que motivou o lançamento, no segundo FMS de Porto Alegre de 2002, do projeto de uma "força ético-moral", encarnada em um observatório internacional dos meios (Media Watch Global). Este observatório está destinado a multiplicar-se através de observatórios nacionais, compostos por profissionais da informação, de todos os tipos de meios; de universitários e pesquisadores de todas as disciplinas, em particular especialistas dos meios e da informação; de usuários e observadores críticos da mídia e associações que os representam. Observar é também estudar as causas estruturais dos silêncios da cobertura midiática, a razão das censuras, das distorções, estar atento a todos os debates e iniciativas que concernem às estruturas dos meios. Observar não é só estigmatizar, mas suscitar propostas.
Como o senhor observa a ofensiva do capital financeiro mundial sobre a indústria da comunicação e do entretenimento?
É um fenômeno que responde a uma lógica global. A desregulamentação do sistema mundial de telecomunicações teve um papel nodal neste processo, pois aproximou as indústrias de conteúdos das indústrias de equipamentos. Este processo é aberto pela onda de choque originada nos Estados Unidos, em 1984, com o desmantelamento do quase monopólio do sistema doméstico, mas ganha realmente força a partir de 1998, com o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) que generaliza a "liberalização" das telecomunicações. A concentração alcança todos os setores das indústrias culturais, desde a imprensa, os livros e as livrarias até a rádio e televisão, passando pela indústria discográfica. Ela se reforça nos países que já possuíam altos índices de concentração e estréia nos países que pareciam constituir uma exceção.
Como esta concentração prejudica a liberdade de informação?
O problema é tamanho que até o Parlamento Europeu alertou sobre o risco que a liberdade de expressão e de informação correm com domínio de um punhado de grupos midiáticos e convocou os responsáveis da União Européia a elaborar uma diretriz que salvaguardasse o pluralismo dos meios, ameaçados pela concentração e a homogeneização crescente do modo de tratar a informação e seu conteúdo. Os atores do oligopólio incorporaram em suas estratégias a dimensão política dos debates internacionais sobre a comunicação e suas entidades representativas estão presentes em todos os lugares onde se discute a "nova ordem mundial da informação". E exercem pressões sobre os governos e as instituições internacionais com vistas a derrubar os marcos jurídicos que limitam as concentrações ou impedem as posições dominantes. Elas não toleram críticas a não ser as delas próprias.
As tecnologias de informação e comunicação (TIC) são um atalho para se democratizar a comunicação?
Não existe receita. O importante, me parece, é não se imolar sobre o altar das últimas tecnologias de informação e de comunicação. Apropriar-se delas mas sem ceder à amnésia que nos faz esquecer a longa e rica tradição de reflexão acumulada pelas experiências de usos populares de tecnologias anteriores, como o rádio, por exemplo.
segunda-feira, setembro 22, 2008
A egolatria multiuso de Olivetto
Com a falta de modéstia que lhe é peculiar, Washington Olivetto, o dono da poderosa agência WBrasil, está de volta à sua modalidade predileta de meta-existência: a super exposição na mídia, a invenção de histórias sobre si mesmo e a auto-construção de pautas positivas.
Em 2000, o publicitário disse para quem queria ouvir e para quem não estava nem aí para ele, que sua escolha como "publicitário do século" pela Associação Latino-americana de Publicidade e por uma enquete na Internet feita por profissionais do ramo foi mais do que merecida, arrematando com a frase: "Ganhar publicitário do século é fácil, ver o Corinthians ser campeão mundial de futebol, isso sim é relevante".
Inteligente, falante, fluente e influente, Olivetto ostenta pouco mais que 1,55 m de altura, mas é um dos grandes do meio, sendo um dos publicitários mais festejados do mundo - só no Festival de Cannes foi premiado 46 vezes.
Indubitavelmente, o brilhante dono da WBrasil é o inventor de um modelo de publicitário, aquele que brilha mais que suas campanhas. E teve seguidores, com destaque para Duda Mendonça, que deu mais entrevistas entre 2002 e 2004 que o próprio presidente Lula, fazendo muita gente crer que o mais importante líder sindical da nossa história e fundador do mais importante partido de esquerda do Ocidente havia sido "fabricado" por ele. Muita gente está disposta a acreditar em coisas inacreditáveis e disso vale-se o embusteiro, tenha ele na mão uma Bíblia, um mandato, um canal de TV ou apenas um comercial de 30 segundos.
É o próprio Olivetto quem explica seu método de construção de imagem: "Fui o primeiro publicitário a dar valor à exposição na mídia de maneira consistente e exaustiva. Tenho necessidade de estar na mídia o tempo todo, mas piloto para que seja o profissional, não o pessoal. Vou a todas as exposições mas não a vernissages, vou a todos os shows, nunca na estréia. Talvez isso explique minha visibilidade há 30 anos. Mas meus anunciantes estão o tempo todo nos veículos que cultuam celebridades. Se eu gravasse disco ou trabalhasse em novela, investiria nisso".
Já gravou disco, na verdade. A canção em que Jorge Benjor repete insistentemente a frase "Alô, Alô dabliú Brasil" é, na verdade, um jingle da agência de WO que, com reiteradas audições radiofônicas, forçosamente adentrou no cancioneio popular brasileiro - ainda que aquela lenga-lenga de duas notas tocadas toscamente por Benjor não possa, seriamente, ser chamada de música. É musak terceiromundista.
Ótimo contador de histórias, Olivetto inventou de si mesmo (seu principal personagem e sua marca mais querida) e repetiu mil e uma vezes uma história fantástica de que teria entrado na publicidade por acaso: "ia para uma das duas faculdades que fazia em São Paulo (e que não terminei). O pneu do carro furou onde havia uma pequena agência de publicidade chamada HGP. Eu era ruim para trocar pneus e então resolvi pedir um estágio. Disse ao dono da agência que tinha furado o pneu e que o meu pneu não furava duas vezes na mesma rua. Portanto, que ele devia me dar uma oportunidade porque senão era ele quem perderia a oportunidade. O sujeito achou engraçado e me deu uma chance. Tinha 18 anos."
Nenhum adulto, no pleno domínio de suas faculdades mentais, pode acreditar nessa bobagem, de um primarismo lógico exemplar, mas a imprensa nacional teima em reproduzir essa fantasia autoproclamatória como se fosse a realidade dos fatos. É por isso que vivemos em um mundo, como disse Carl Sagan, "assombrado por monstros e demônios".
Olivetto, enfadonhamente ególatra, aproveita-se da credulidade humana para avançar nas fantasias que constituem sua autobiografia.
Com uma boa agência montada em contas expressivas, um nome solidamente implantado no imaginário do negócio da comunicação, o empresário dedica-se agora a revigorar seu ego contando mais uma lorota que quer ver ganhar ares de verdade. E deve conseguir.
Afinal, como dizia Goebbels, uma lorota contada mil vezes ganha ares de verdade. E começa, às vezes, a parecer verdade. Especialmente se conta para isso com a boa vontade irrestrita da grande imprensa.
Na edição da revista Época de 22 de setembro de 2008, por exemplo, Olivetto supera-se e atribui a si mesmo simplesmente a "autoria"... de um ditado popular brasileiro que tem o tempo de existência da própria língua portuguesa moderna: "o primeiro... a gente nunca esquece". Cabem aqui palavras infindas: beijo, amor (nos vários sentidos da palavra), filho, namorado, namorada, marido, livro, carro, apartamento, emprego, etc, etc.
Tomada da cultura de massas e usada brilhantemente em uma campanha de sutiãs criada na década de oitenta pelo próprio Olivetto, a frase é na verdade de uso corrente, aquilo que chamamos comumente de "ditado" ou "adágio" popular. O mérito de Olivetto não foi o de "criar" a frase que já estava criada, mas de colocá-la no contexto do produto que pretendia vender.
Mas eis que Olivetto, inconformado com o limite que a realidade impõe, chama para si nada menos que a autoria da frase que faz parte do senso comum nacional. "O sentimento de afeto às primeiras coisas sempre existiu", admite ele no release publicado por Época. Contudo, vai além: "mas não essa formulação: "o primeiro a gente nunca esquece", que entrou para a cultura popular". Assim é, se lhe parece.
Como aqueles cantores e compositores extremamente talentosos que fizeram muito sucesso aos vinte e pouco anos e vivem hoje da reedição incessante de coletâneas com suas velhas canções, Olivetto está embriagado de nostalgia. E perdendo velozmente o senso de realidade.
Em 2000, o publicitário disse para quem queria ouvir e para quem não estava nem aí para ele, que sua escolha como "publicitário do século" pela Associação Latino-americana de Publicidade e por uma enquete na Internet feita por profissionais do ramo foi mais do que merecida, arrematando com a frase: "Ganhar publicitário do século é fácil, ver o Corinthians ser campeão mundial de futebol, isso sim é relevante".
Inteligente, falante, fluente e influente, Olivetto ostenta pouco mais que 1,55 m de altura, mas é um dos grandes do meio, sendo um dos publicitários mais festejados do mundo - só no Festival de Cannes foi premiado 46 vezes.
Indubitavelmente, o brilhante dono da WBrasil é o inventor de um modelo de publicitário, aquele que brilha mais que suas campanhas. E teve seguidores, com destaque para Duda Mendonça, que deu mais entrevistas entre 2002 e 2004 que o próprio presidente Lula, fazendo muita gente crer que o mais importante líder sindical da nossa história e fundador do mais importante partido de esquerda do Ocidente havia sido "fabricado" por ele. Muita gente está disposta a acreditar em coisas inacreditáveis e disso vale-se o embusteiro, tenha ele na mão uma Bíblia, um mandato, um canal de TV ou apenas um comercial de 30 segundos.
É o próprio Olivetto quem explica seu método de construção de imagem: "Fui o primeiro publicitário a dar valor à exposição na mídia de maneira consistente e exaustiva. Tenho necessidade de estar na mídia o tempo todo, mas piloto para que seja o profissional, não o pessoal. Vou a todas as exposições mas não a vernissages, vou a todos os shows, nunca na estréia. Talvez isso explique minha visibilidade há 30 anos. Mas meus anunciantes estão o tempo todo nos veículos que cultuam celebridades. Se eu gravasse disco ou trabalhasse em novela, investiria nisso".
Já gravou disco, na verdade. A canção em que Jorge Benjor repete insistentemente a frase "Alô, Alô dabliú Brasil" é, na verdade, um jingle da agência de WO que, com reiteradas audições radiofônicas, forçosamente adentrou no cancioneio popular brasileiro - ainda que aquela lenga-lenga de duas notas tocadas toscamente por Benjor não possa, seriamente, ser chamada de música. É musak terceiromundista.
Ótimo contador de histórias, Olivetto inventou de si mesmo (seu principal personagem e sua marca mais querida) e repetiu mil e uma vezes uma história fantástica de que teria entrado na publicidade por acaso: "ia para uma das duas faculdades que fazia em São Paulo (e que não terminei). O pneu do carro furou onde havia uma pequena agência de publicidade chamada HGP. Eu era ruim para trocar pneus e então resolvi pedir um estágio. Disse ao dono da agência que tinha furado o pneu e que o meu pneu não furava duas vezes na mesma rua. Portanto, que ele devia me dar uma oportunidade porque senão era ele quem perderia a oportunidade. O sujeito achou engraçado e me deu uma chance. Tinha 18 anos."
Nenhum adulto, no pleno domínio de suas faculdades mentais, pode acreditar nessa bobagem, de um primarismo lógico exemplar, mas a imprensa nacional teima em reproduzir essa fantasia autoproclamatória como se fosse a realidade dos fatos. É por isso que vivemos em um mundo, como disse Carl Sagan, "assombrado por monstros e demônios".
Olivetto, enfadonhamente ególatra, aproveita-se da credulidade humana para avançar nas fantasias que constituem sua autobiografia.
Com uma boa agência montada em contas expressivas, um nome solidamente implantado no imaginário do negócio da comunicação, o empresário dedica-se agora a revigorar seu ego contando mais uma lorota que quer ver ganhar ares de verdade. E deve conseguir.
Afinal, como dizia Goebbels, uma lorota contada mil vezes ganha ares de verdade. E começa, às vezes, a parecer verdade. Especialmente se conta para isso com a boa vontade irrestrita da grande imprensa.
Na edição da revista Época de 22 de setembro de 2008, por exemplo, Olivetto supera-se e atribui a si mesmo simplesmente a "autoria"... de um ditado popular brasileiro que tem o tempo de existência da própria língua portuguesa moderna: "o primeiro... a gente nunca esquece". Cabem aqui palavras infindas: beijo, amor (nos vários sentidos da palavra), filho, namorado, namorada, marido, livro, carro, apartamento, emprego, etc, etc.
Tomada da cultura de massas e usada brilhantemente em uma campanha de sutiãs criada na década de oitenta pelo próprio Olivetto, a frase é na verdade de uso corrente, aquilo que chamamos comumente de "ditado" ou "adágio" popular. O mérito de Olivetto não foi o de "criar" a frase que já estava criada, mas de colocá-la no contexto do produto que pretendia vender.
Mas eis que Olivetto, inconformado com o limite que a realidade impõe, chama para si nada menos que a autoria da frase que faz parte do senso comum nacional. "O sentimento de afeto às primeiras coisas sempre existiu", admite ele no release publicado por Época. Contudo, vai além: "mas não essa formulação: "o primeiro a gente nunca esquece", que entrou para a cultura popular". Assim é, se lhe parece.
Como aqueles cantores e compositores extremamente talentosos que fizeram muito sucesso aos vinte e pouco anos e vivem hoje da reedição incessante de coletâneas com suas velhas canções, Olivetto está embriagado de nostalgia. E perdendo velozmente o senso de realidade.
sexta-feira, setembro 19, 2008
A república dos juizes e a ditadura da legislação eleitoral
Se está proibido usar outdoor na campanha eleitoral, transformar o carro em um outdoor ambulante também está. Com este entendimento, a Justiça Eleitoral de Mato Grosso decidiu multar e apreender os carros que foram totalmente pintados com propaganda eleitoral. Além de violar a legislação eleitoral, o “envelopamento” dos carros com propaganda estaria "ferindo" também a legislação de trânsito que não permite a "alteração das características físicas do veículo sem autorização prévia".
Adesivar um carro não provoca "alteração das caracteristicas físicas do veiculo" nem transforma um carro "em outdoor", como exibir uma projeção de um comercial de TV em um prédio não o transforma em uma tv. Parece óbvio pensar assim. Mas os óbvio não faz sentido na república dos juízes, onde a lei detalha até mesmo a distância entre uma pintura de muro e outra.
O abuso da interpretação da norma legal só não é superior às caracteristicas restritivas da própria legislação eleitoral em vigor. Isso para não falar que Tribunais Eleitorais são invenções made in Brazil que não encontram paralelo em nenhum país desenvolvido.
Nesse marco, o debate que a sociedade brasileira está devendo a si mesma é que as regras restritivas ao livre exercicio democrático nas eleições estão tirando o pleito das ruas e transferindo-o para os tribunais.
Com isso, as áreas de comunicação e de inteligência das campanhas começam a perder terrenos para os grupos cada vez mais numerosos de advogados e contadores, que passam a ser peças imprescindíveis em uma campanha eleitoral e depois dela.
É evidente aqui que quem legisla em nome dessas restrições legisla em causa própria.
A idéia, totalmente imbecil, de que essas limitações no exercício democrático se fazem em nome da "democracia", do "estado de direito", do "combate à corrupção", da "proibição do caixa 2" ou da "manutenção da ordem" carecem de fundamentos mínimos, já que considerar a exposição de outdoor nas ruas ou distribução de bottoms como estimulo à corrupção e, contraditoriamente, achar que contratatar milhares de pessoas para agitar bandeira nas esquinas não caracteriza compra de voto são argumentos que beiram a canalhice.
Com uma legislação restritiva cujo detalhismo lembra o didatismo da pedagogia dos que têm limitação de aprendizado, a crítica política tornou-se "calúnia e difamação" e perde-se tempo de antena até mesmo por dizer, no horário eleitoral, o que os periódicos dizem abertamente.
É a campanha do conformismo ou da crítica eunuca, que não penetra em ninguém e, portanto, não faz aquilo que as eleições deveriam fazer com principalidade: estimular o debate.
Você nem percebe, mas com essas restrições o Brasil está se tornando menos democrático e as eleições estão saindo das ruas e indo para a sala de jantar. A quem serve esse toque de recolher eleitoral é uma resposta que deve vir da reflexão de cada um.
Na prática, são restrições que esterilizaram o debate, encurtaram o tempo de campanha, impediram a exposição das candidatos em via pública e deixaram a campanha de rua reduzida a caminhadas e pequenos atos públicos ou, ainda, àquela patética exposição de hordas de famélicos balançando indolentemente bandeiras de tecido barato em troca de um prato de comida e de uma remuneração de 05 reais por dia.
Com isso, talvez involuntariamente, os magistrados aumentaram o peso da TV no mix de campanha, elevando os custos de produção e de mão de obra especializada e reduziram a fonte de informação sobre candidatos e propostas ao horário eleitoral "gratuito" no rádio e na TV.
Um tiro no pé da democracia. De bazooka. A torcida organizada da toga comemora seu irrestrito exercício de poder. A sociedade brasileira, que vive campanhas eleitorais tristes, conservadoras e monótonas, não. A democracia não respira ar tão rarefeito.
Adesivar um carro não provoca "alteração das caracteristicas físicas do veiculo" nem transforma um carro "em outdoor", como exibir uma projeção de um comercial de TV em um prédio não o transforma em uma tv. Parece óbvio pensar assim. Mas os óbvio não faz sentido na república dos juízes, onde a lei detalha até mesmo a distância entre uma pintura de muro e outra.
O abuso da interpretação da norma legal só não é superior às caracteristicas restritivas da própria legislação eleitoral em vigor. Isso para não falar que Tribunais Eleitorais são invenções made in Brazil que não encontram paralelo em nenhum país desenvolvido.
Nesse marco, o debate que a sociedade brasileira está devendo a si mesma é que as regras restritivas ao livre exercicio democrático nas eleições estão tirando o pleito das ruas e transferindo-o para os tribunais.
Com isso, as áreas de comunicação e de inteligência das campanhas começam a perder terrenos para os grupos cada vez mais numerosos de advogados e contadores, que passam a ser peças imprescindíveis em uma campanha eleitoral e depois dela.
É evidente aqui que quem legisla em nome dessas restrições legisla em causa própria.
A idéia, totalmente imbecil, de que essas limitações no exercício democrático se fazem em nome da "democracia", do "estado de direito", do "combate à corrupção", da "proibição do caixa 2" ou da "manutenção da ordem" carecem de fundamentos mínimos, já que considerar a exposição de outdoor nas ruas ou distribução de bottoms como estimulo à corrupção e, contraditoriamente, achar que contratatar milhares de pessoas para agitar bandeira nas esquinas não caracteriza compra de voto são argumentos que beiram a canalhice.
Com uma legislação restritiva cujo detalhismo lembra o didatismo da pedagogia dos que têm limitação de aprendizado, a crítica política tornou-se "calúnia e difamação" e perde-se tempo de antena até mesmo por dizer, no horário eleitoral, o que os periódicos dizem abertamente.
É a campanha do conformismo ou da crítica eunuca, que não penetra em ninguém e, portanto, não faz aquilo que as eleições deveriam fazer com principalidade: estimular o debate.
Você nem percebe, mas com essas restrições o Brasil está se tornando menos democrático e as eleições estão saindo das ruas e indo para a sala de jantar. A quem serve esse toque de recolher eleitoral é uma resposta que deve vir da reflexão de cada um.
Na prática, são restrições que esterilizaram o debate, encurtaram o tempo de campanha, impediram a exposição das candidatos em via pública e deixaram a campanha de rua reduzida a caminhadas e pequenos atos públicos ou, ainda, àquela patética exposição de hordas de famélicos balançando indolentemente bandeiras de tecido barato em troca de um prato de comida e de uma remuneração de 05 reais por dia.
Com isso, talvez involuntariamente, os magistrados aumentaram o peso da TV no mix de campanha, elevando os custos de produção e de mão de obra especializada e reduziram a fonte de informação sobre candidatos e propostas ao horário eleitoral "gratuito" no rádio e na TV.
Um tiro no pé da democracia. De bazooka. A torcida organizada da toga comemora seu irrestrito exercício de poder. A sociedade brasileira, que vive campanhas eleitorais tristes, conservadoras e monótonas, não. A democracia não respira ar tão rarefeito.
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