quarta-feira, março 28, 2012

Queda no consumo de refrigerantes

A categoria de refrigerantes acusou, em 2011, a sétima retração consecutiva no mercado dos Estados Unidos. As bebidas gasosas sem álcool tiveram o volume de vendas reduzido em 1%, o que levou o indicador para níveis próximos dos registrados em 1996. De acordo com a Beverage Digest, apenas as marcas Dr Pepper, Sprite, Diet Mtn Dew e Fanta anunciaram crescimento no ano passado. A crise econômica e a mudança de hábitos alimentares, como a ingestão de sucos, são fatores considerados na origem dessa regressão no consumo.
Dentre as Top 10, a Fanta foi a que registrou mais crescimento em volume de vendas: 3%. A alta contribuiu para que o rótulo passasse a Diet Dr Pepper no ranking. A Fanta tem recebido bastante atenção da Coca-Cola, que em 2011 investiu em um campanha global para a marca.
Na disputa mais interessante, a Diet Coke manteve a vice-liderança, segurando a Pepsi na terceira posição. As duas marcas, no entanto, enfrentaram quedas consideráveis de 4% e 4,8%, respectivamente. A líder Coca-Cola também registrou queda de 1% no volume de vendas. A maior retração entre as top 10 foi da Diet Pepsi, que apontou uma queda de 8,2% em volume.
Um porta-voz da PepsiCo afirmou que “Pepsi e Diet Pepsi tiveram bom desempenho em canais de varejo, onde os consumidores têm a opção (de escolher as marcas)”. As estatísticas da Beverage Digest incluem as vendas das máquinas de refrigerantes, uma área sob o domínio da Coca-Cola.
“A Coca tem aproximadamente 70% do mercado americano de máquinas de refrigerantes, o que aumenta consideravelmente a participação da companhia no volume geral de todos os canais, em comparação com os números do varejo apenas”, afirmou John Sicher, publisher e editor da Beverage Digest.

A partir de informações by Advertising Age

terça-feira, março 27, 2012

Jovens brasileiros são os mais vaidosos

Cuidar do corpo não é tarefa fácil na adolescência, época de transformações, de combate às famigeradas espinhas etc., mas os brasileiros nessa faixa etária vão à batalha e são, em toda América Latina, os mais vaidosos.
É o que atesta a pesquisa “Lateenos”, da Kantar World Panel que incluiu 15 países da região. No ano passado, os adolescentes eram 151 milhões, representando 27% da população da América Latina (e a estimativa é de que em 2015 esse percentual caia para 23%). O Brasil sozinho tem 51% dos adolescentes da região.
A maioria dos “lateenos” (56%) gasta o dinheiro que recebe dos pais, ou conquista trabalhando, em roupas e acessórios. No caso do Brasil o percentual sobe para 66%. Em segundo lugar vêm os gastos em alimentos, 45% para ambos, e o terceiro item varia. Na América Latina é o gasto com Transporte (36%) e no Brasil está o Cuidado Pessoal (39% das respostas), confirmando a nossa propensão à vaidade desde cedo. “A brasileira especialmente vive uma pressão para ser perfeita. Há um padrão de beleza mais exacerbado aqui e nos cobramos uma perfeição que não existe em outros países. E isso acaba se refletindo no bolso e até para os adolescentes, está no nosso DNA e também é estimulado pela mídia”, avalia Patricia Menezes, gerente de marketing da Kantar Worldpanel.
Com o quarto item no Brasil sendo o Transporte e na região os Cuidados Pessoais, o quinto lugar ficou com gastos em telefonia (24% na região e 20% no Brasil).
Para o adolescente brasileiro, no quesito Cuidados Pessoais, as cinco principais preocupações são: Dentes (43%), Cabelos (36%), Acne (31%), Excesso de Peso (23%) e Estrias (20%).

Hábitos de compra

O estudo avaliou também o grau de proatividade dos teens na hora de buscar os produtos que gostam de consumir. Na região, a maioria 54% declararam ser grandinhos e ir às compras do que necessita, mas o segundo maior percentual (19%) é formado pelo grupo para quem vale o que já tiver em casa, comprado pelos pais. Depois deles, vêm 18% que pedem aos pais para comprar o que querem e, finalmente, 8% dos adolescentes disseram confiar na escolha dos pais.
Sem especificar dados, o estudo afirma, ainda, que as meninas são maioria entre aqueles que vão eles próprios comprar os produtos de que precisam.
A gerente da Kantar destaca que, além das companhias do setor têxtil, outras empresas passaram a dar mais atenção ao público adolescente, mas ainda é um movimento recente e ela considera haver ainda grandes oportunidades, particularmente para as áreas de cuidados pessoais (que ainda foca muito nas meninas), alimentos e telecom.
O estudo acaba sendo uma chance para avaliar o tamanho desse mercado e o que os adolescentes desejam. “O consumidor, especialmente no Brasil, está mais poderoso e o adolescente é o consumidor do futuro. Eles são os desafios que as empresas terão amanhã”, destaca Patricia.

Roseani Rocha, Meio & Mensagem

Aumenta investimento online


Os clientes das agências de publicidade vão gastar mais com anúncios em redes sociais este ano, segundo a eMarketer. A pesquisa Percepções do Anunciante mostra que as empresas ainda estão aprendendo a usar mídias sociais para alcançar os objetivos de marketing online e têm confiando mais na ferramenta.
Mais da metade (59%) dos comerciantes norte-americanos e as agências possuem planos para aumentar seus meios de comunicação social e vão apresentar maiores gastos com publicidade em sites como o Facebook nos próximos 12 meses, diz o estudo. Em comparação, menos de um terço (31%) planeja aumentar os investimentos de exibição de anúncios em propaganda display na internet e apenas 29% esperam anunciar em sites de veículos.


De acordo com a eMarketer, os gastos com publicidade online nos Estados Unidos vão crescer 24,1% neste ano para US $ 15,4 bilhões. Esta estimativa inclui os gastos com banners, rich media, patrocínios e vídeo comprado em todos os principais provedores de inventário de anúncios de exibição (por exemplo, sites de editoras, redes, bolsas, DSPs, etc), bem como redes sociais e mobile.
O crescimento na rede social e os gastos com publicidade em dispositivos móveis serão mais acentuados. O investimento em publicidade paga em sites de redes sociais, jogos e aplicativos deve subir 43% este ano. Em aparelhos móveis o salto é de 80%. 

A ressurreição da imprensa


Um estudo do instituto americano Pew informa: “Um número crescente de executivos prevê que dentro de cinco anos muitos jornais circularão em papel somente aos domingos.”
Nos outros dias servirão aos leitores em edições eletrônicas.
É impossível prever o futuro dos meios impressos, mas talvez esteja aí uma boa pista. Em 2007, Arthur Sulzberger, dono do “The New York Times”, disse o seguinte: “Eu não sei se daqui a cinco anos estaremos imprimindo o ‘Times’. Quer saber? Não me importo com isso.”
Passaram-se os cinco anos, ele investiu na versão do jornal na internet, e hoje a empresa, que controla também o “Boston Globe” e o “Herald Tribune”, tem 406 mil assinantes eletrônicos.
Surpreendentemente, no ano passado a carteira de assinantes do “Times” dominical impresso subiu 0,2%, depois de cinco anos de queda. Está em 992 mil exemplares. Atribui-se esse movimento ao fato de a assinatura de papel da edição de domingo dar pleno direito à eletrônica, sem custo adicional.
Mais uma vez, o “Times” sinaliza o futuro. Seu conteúdo não está blindado. O público tem direito a dez artigos mensais, e, diariamente, suas principais notícias estão acessíveis na rede. Além disso, está aberto o acesso a textos cujos links foram colocados em redes sociais.
A má notícia vem da Pew: para cada US$ 10 que o mercado americano de publicidade no papel perdeu, só ganhou US$ 1 no mundo eletrônico. Como as edições dominicais são as mais gordas e versáteis para a publicidade, o gradual desaparecimento das edições impressas nos dias de semana não seria o fim do mundo.

Elio Gaspari, O Globo

sexta-feira, março 16, 2012

Faça como Jobs


Dias atrás, assisti a uma das piores séries de slides de PowerPoint da minha vida (e olha que já vi muitas). Por isso, quando li o sobre “Os segredos das apresentações de Steve Jobs”, decidi traduzir, resumir e deixar tudo mastigadinho para você que faz ou vai fazer um show de slides.
O material foi publicado no excelente blog LifeHacker, que colocou os links para uma apresentação e um vídeo produzidos pelo autor do livro "Os segredos das apresentações de Steve Jobs", Carmine Gallo, que é também colunista da revista Businessweek. A seguir, você confere a apresentação na íntegra em inglês e também um resumo com as principais dicas dadas por Gallo, separadas em três atos.

Três atos:
Ato 1 - Crie uma história
Ato 2 - Entregue uma experiência
Ato 3 - Refine e ensaie

“Ato I”
1 - Encontre algo que você ama
Para convencer o público de algo, é preciso convencer a si mesmo. O tom “messiânico” de Jobs só não soa ridículo, porque ele realmente acredita no que diz. Para justificar o trecho, Carmine Gallo usa a seguinte frase de Jobs: “Você deve encontrar o que você ama. O que realmente importa é ir para a cama de noite dizendo 'Fiz alguma coisa maravilhosa"

2 – Planeje
Antes de abrir o PowerPoint pegue um papel e rabisque suas idéias. Planeje como será a apresentação. Os especialistas recomendam que você divida seu tempo privilegiando as ideias: coletando dados, organizando eles e rabiscando uma história.

3 – Crie sempre um vilão
Todas as apresentações de Jobs são baseadas no modelo de herói contra vilão, em que o produto da Apple é a solução para uma situação antagônica ou um concorrente. Em 1984, por exemplo, o papel coube a IBM.

“Ato II”
1 – “Simplicidade é o máximo da sofisticação”
A frase acima, também de Steve Jobs, resume esse passo que indica: jamais use bullets, quando puder imagens ao invés de texto e cada slide deve ter, no máximo, 40 caracteres.

2 – Não use jargão
Jobs pouco fala de gigabytes. Ele prefere dizer que “no iPod cabem mil músicas”. Faça o mesmo, simplificando os termos técnicos sem usar definições abstratas.

“Ato III”
1 - Presença de Palco
Olho nos olhos da platéia, tenha uma postura aberta e com autoridade e saiba se expressar usando as mãos. Como fazer tudo isso? Use o próximo passo como mantra.

2 – Treine
Um repórter da revista BussinessWeek que acompanhou Steve Jobs escreveu que ele “treina sua naturalidade por muitas horas, por muitos dias”. Os treinos do CEO se intensificam nas 48 horas antes do keynote. É quando ele pede feedback da equipe.

3 – Se divirta
Durante um problema na MacWorld de 2007, Jobs aproveitou para contar uma piada sobre os velhos tempos da Apple. Assim, minimizou a falha na apresentação e mostrou confiança. A lição é que é importante entreter o público sempre.

Juliano Barreto, INFO

quarta-feira, março 07, 2012

Uma conversa sobre marketing político


Entrevista concedida a Ronald Meiguins, aluno de publicidade e propaganda da Feapa, em novembro de 2011, como base para seu Trabalho de Conclusão de Curso.

Fale um pouco sobre a sua formação e de sua trajetória no marketing político, como tudo começou?

Chico Cavalcante - Minha entrada no mundo das polêmicas publicas, das análises de conjuntura e das ações de comunicação política, se deu pela porta esquerda. Eu era militante de uma organização marxista de oposição ao regime militar o que me obrigava a falar e pensar política, a persuadir, a argumentar, a discursar para públicos diversos e, sobretudo, a escrever muito. Naquele período eu estudava Filosofia e Letras na UFPA, mas já atuava em órgãos de imprensa como o Jornal Resistência, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos. Na metade dos anos 80, após ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional por atividade subversiva (conspirar contra o regime militar) decidi cursar Marketing Político em São Paulo. Quando retornei a Belém fui trabalhar com publicidade na Agência da Casa (Globo/TV Liberal) para, em seguida, ser contratado pela Griffo, agência que já atuava em marketing político. Também trabalhei na Mendes e na Galvão, grandes escolas. Em 1992 fundei minha própria agência, a Vanguarda. Minha agência, tocada a quatro mãos com meu irmão Alcindo Cavalcante, nasceu com foco na comunicação política, mas só passamos a atuar com eleições em 1994, quando assumi minha primeira campanha, de Valdir Ganzer para o governo do Pará e Edmilson Rodrigues para o senado. A campanha foi derrotada eleitoralmente, mas vitoriosa politicamente, porque pela primeira vez o PT rompeu o seu limite histórico de votos, entre 3 e 5%, obtendo 18% dos votos no Estado e mais de 20% dos votos na capital. Edmilson, o candidato ao senado, obteve quase 300 mil votos, basicamente na capital, o que o cacifou a se candidatar a prefeito na eleição seguinte.

Quanto tempo o Sr° está no ramo do marketing político?

Chico Cavalcante - Se contarmos o tempo em que trabalhei na Griffo, estou fazendo campanhas eleitorais profissionalmente há 27 anos e atuo em publicidade há 30 anos, tanto como redator e diretor de arte quanto como estrategista de marketing comercial e político.

Quais os candidatos e partidos para quem o Sr° já trabalhou em Belém?

Chico Cavalcante - Sou um homem de esquerda, ou seja, tenho uma formação humanista a partir de uma perspectiva marxista. Isso me levou a atuar em marketing político com legendas de esquerda, como PT, PCdoB, PSOL, PSB ou de centro-esquerda, como PV e PDT. Isso não significa que eu não trabalharia para outras legendas, desde que a candidatura mostrasse um histórico convincente e um projeto de governo que respondesse a pelo menos algumas das minhas expectativas como cidadão. Para a prefeitura de Belém, que penso ser o foco de sua pergunta, eu fiz três campanhas: Edmilson Rodrigues (PT) em 1996, Edmilson Rodrigues, reeleição, em 2000 e Ana Júlia (PT) em 2004. Em 2008 eu estava fazendo outras campanhas, como a de Flávio Dino (PCdoB) em São Luiz, quando fui chamado aqui na reta final da campanha de Mário Cardoso (PT), com tarefas específicas, que era elevar a votação de Mário - que não passava dos 7% - combater a candidatura adversária que ocupava o segundo lugar e naquele exibia 26% de intenção de votos. A elevação de Mário foi prodigiosa e ele não foi ao segundo turno por apenas 4 mil votos, sua diferença para Priante, do PMDB, que disputou a segunda volta contra Duciomar Costa.

O que traz mais resultado para o candidato que quer se eleger, marketing político ou marketing eleitoral?

Chico Cavalcante - São duas coisas distintas embora sejam usadas como sinônimo no Brasil. Marketing político é toda atividade de marketing que se propõe a vender uma idéia política. Assim, o Greenpeace, por exemplo, faz marketing político. A propaganda institucional de governos é uma modalidade de marketing político. Essa atividade é permanente e sistêmica, por ser estratégica, ou seja, estar relacionada aos objetivos de longo prazo. Por sua vez o marketing eleitoral é tático e temporal. Está circunscrito ao tempo exato em que uma eleição transcorre.  Há quem diga que o marketing político é um esforço planejado para se cultivar a atenção, o interesse e a preferência de um mercado de eleitores, e que é o caminho seguro para o sucesso de quem deseja vencer na política. Não é verdade. Em política o caminho seguro é construído e nunca se dá previamente. Em política não há destino, há estratégia.  Por isso eu gosto da definição que diz que o marketing político é uma estratégia permanente de aproximação do partido e do candidato com o cidadão em geral, enquanto que o eleitoral é uma estratégia voltada para o eleitor, com o objetivo de fazer o partido ou candidato vencer uma determinada eleição.

O candidato é como um produto a venda? Que pontos ele deve privilegiar?

Chico Cavalcante - Essa história do candidato ser “um sabonete” começou em com a primeira campanha feita por uma agência de propaganda, a BBDO. Foi em 1952, nos Estados Unidos, quando o general Dwight Eisenhower se converteu no primeiro candidato presidencial em apelar aos serviços de uma agência, para que assumissem sua campanha televisiva. Nos Estados Unidos foi onde a rápida expansão dos meios de comunicação semeou o terreno fértil para um desenvolvimento progressivo e constante do marketing político. Anos mais tarde, na televisão, as campanhas eleitorais norte-americanas lançaram mão dos debates televisivos de candidatos, como os do John Kennedy e Richard Nixon (1960), multiplicando o alcance de um comício ou debate para além do aqui e agora das campanhas circunscritas geograficamente. O candidato pode ser chamado de “produto” apenas por um exercício retórico, mas ele não é um produto no sentido em que a indústria e a sociedade industrial entendem vir a ser um produto, já que um candidato tem história de vida, família, relações públicas e privadas, vida pública e privada, opinião que pode ter variado ao longo da vida, etc enquanto um produto é um elemento inerte, que pode ser conduzido sem qualquer ingerência de vontade. Tente lidar com Lula ou mesmo com Simão Jatene e colocá-lo onde ele não quer estar para você ver se ele vai. Não vai, a não ser que esteja convencido e nisso todo ser humano se diferencia de um produto. O ponto a se destacar depende da conjuntura em que a eleição se dá. Não existe uma fórmula pronta. O que será privilegiado na próxima eleição pode não ter sido relevante na eleição anterior.

Quais as estratégias políticas que o Sr° acha mais eficaz em relação a custo-benefício?

Chico Cavalcante - Como eu disse, não há uma fórmula pronta e acabada. Cada caso é um caso. O que pode ser bem-sucedido em uma determinado cenário pode se tornar ineficiente em outro aparentemente similar. As variáveis são infinitas e o único segredo para empreender campanhas bem sucedidas e que tem aplicação universal é conhecer bem as forças e fraquezas do seu candidato e as forças e fraquezas do adversário. Ter em mãos esse conhecimento não garante a vitória mas é um bom começo.

Por menor que seja a verba que o candidato tenha disponível, qual a mídia que o Sr° acha que ele nunca poderia deixar de usa-lá? Por que?

Chico Cavalcante - Toda mídia é decisiva porque uma campanha é, em última instância, em essência, comunicação. Nas democracias, não há campanha eleitoral sem mídia. Como chegar às massas, sem meios de comunicação de massas? Afora a mídia impressa e a internet, a mídia de massas é gratuita para as campanhas, porque é disponibilizada aos candidatos, partidos e coligações de maneira proporcional pelos Tribunais Eleitorais de acordo com a legislação vigente. No entanto, isso não significa que não exista um custo altíssimo com comunicação de rádio e tevê. Não há campanha política sem custos de comunicação, que inclui estratégia, criação, profissionais de suporte, estruturas de produção, impressão de material de divulgação e todo o aparato de conhecimento do humor do eleitor, como pesquisas qualitativas e quantitativas. Isso tudo custa dinheiro. E cada vez custa mais. Quando você vê uma campanha de fora, não tem ideia de que aquela máquina é movida por centenas de pessoas que estão dedicadas em tempo integral àquilo. Essas pessoas precisam ter os equipamentos necessários, ser remuneradas, alimentadas, deslocadas. Todo esse custo em uma campanha é contabilizado como “comunicação” porque responde a logística da comunicação e marketing, sem a qual a comunicação pode até acontecer. Por exemplo, num estado como o Pará, com mais de 300 repetidoras de TV distribuídas por um estado com estradas precárias se você precisar trocar comerciais diariamente só poderá fazê-lo se tiver a sua disposição um up-link de satélite. Como no marketing comercial, há o custo para pensar o produto, produzir o produto e para distribuir o produto para os pontos de venda.

O Sr° diz que " O peso do corpo-a-corpo é inversamente proporcional ao tamanho do colégio eleitoral". Através de que meios pode-se inverter essa situação?

Chico Cavalcante - O peso do corpo a corpo em uma cidade com 20 mil habitantes é alto, porque você pode, com mil cabos eleitorais ou militantes, cobrir todas as casas e chegar a todos os eleitores. Mas isso não é possível em uma cidade como Belém ou São Paulo. Aí aumenta a importância da mídia de massas, que diminui a distância entre a campanha e eleitor. Não há como inverter esse cenário. O próprio marketing da forma como o conhecemos hoje – e o marketing político como decorrência – são resultantes de uma mudança no modo de produção e distribuição de mercadorias. As cidades, os aglomerados urbanos, geraram a necessidade de meios de comunicação de largo alcance que produziram, historicamente, os meios de comunicação de massas, primeiro o rádio (que decorreu do telégrafo e do telefone como meios de comunicação à distância) e depois a tevê, que decorreu dos meios de transmissão à distância do rádio e da imagem em movimento que surgiu com o cinema. Não há sociedades de massas sem meios de comunicação de massas e essa é uma tendência que jamais se inverterá.

No decorrer de sua trajetória no Marketing Político houve muitas mudanças nas estratégias de comunicação tradicionais com as de hoje, como o Sr° vê isso?

Chico Cavalcante - O marketing político evoluiu muito em 30 anos, do mesmo que evoluíram os meios de comunicação e as formas de representação política. Surgido nos Estados Unidos, primeiro era visto com desconfiança, especialmente pelas lideranças políticas que viam nos consultores uma espécie de intrusos nas campanhas eleitorais, um meio ambiente que o político imagina dominar. Hoje o marketing político e os consultores de marketing político já são reconhecidos como ferramenta útil. Essa evolução passou, no Brasil, basicamente por três momentos que foram proporcionados pela redemocratização do país: as campanhas de Fernando Collor (1989), Lula (2002) e Dilma (2010) mostraram a importância crucial do marketing político para o posicionamento de imagem e para a conquista da preferência do eleitor. Em termos de novas técnicas, a principal assimilação recente veio de onde o marketing político nasceu - os Estados Unidos. Foi o uso dos meios digitais, que se tornaram relevantes a partir da campanha de Barack Obama em 2008, candidato a presidente dos Estados Unidos que, em sua campanha, utilizou largamente as ferramentas on-line inclusive para recolher fundos.

Cite um diferencial de sua campanha em relação a campanhas de outras agências?

Chico Cavalcante - A primeira questão é que temos princípios: não fazemos campanha para causas ou pessoas nas quais não acreditamos. Não há dinheiro que pague a consciência da gente. Emprestamos nossa inteligência e nosso preparo para alavancar alguém a uma posição de poder e isso exige responsabilidade. Além do uso do argumento como centro da atividade de convencimento eleitoral e da emoção verdadeira, autêntica, como amálgama desses argumentos, o diferencial metodológico das campanhas que fazemos é o que conceituei como “comunicação militante”, um conjunto de ferramentas que desenvolvi a partir do ano 2000 e que consiste no uso de redes reais (e não apenas virtuais) para criar uma cadeia de difusão de mensagens que possa se propagar para além do espaço da mídia convencional. Essa prática prevê a formação de agentes de comunicação militante, que organizam o debate político e a organização de simpatizantes em ruas, bairros, associações de moradores, sindicatos, etc. A comunicação militante usa uma composição entre as formas de organização militante desenvolvidas pelas organizações de esquerda ao longo dos anos contra a ditadura, combinado com ferramentas de marketing de guerrilha – ações de baixo custo e alto impacto que inclui intervenções em mídias sociais, atividades de rua e mídia exterior diferenciada.

O Sr° pode citar uma campanha política sua de sucesso e quais foram os pontos fortes, e se houve alguma que não deu certo, quais foram os pontos fracos?

Chico Cavalcante - Aqui há que distinguir o que se entende por sucesso ou fracasso. Por exemplo, em 2002 fizemos a campanha de Maria do Carmo Martins, ou simplesmente Maria, que era candidata a governadora pelo PT. Maria nem aparecia nas pesquisas. Deputada estadual por Santarém, era completamente desconhecida em Belém. Ela disputou a eleição contra pesos pesados da política local, como Hildegardo Nunes e Simão Jatene, este apoiado pelo governador mais bem avaliado da história recente, Almir Gabriel. Maria não apenas foi para o segundo turno como perdeu a eleição por apenas 1,3% dos votos, tornando-se uma personalidade política estadual, vindo a vencer depois duas eleições para prefeita em sua cidade natal, Santarém. Ou seja, Maria perdeu a eleição, mas ganhou politicamente uma dimensão que não tinha. Essa é a função do marketing político bem feito: fazer com que o candidato saia de uma eleição melhor do que entrou. Ganhar ou perder depende de outras variáveis e não apenas do marketing político. Fiz a campanha de Camilo Capiberibe no Amapá, que hoje é governador do Estado, o mais jovem já eleito no Brasil. Fizemos uma campanha barata, com recursos modestos, mas com um discurso focado, dentre outros itens, no desperdício de recursos que a corrupção provoca. No meio da campanha, uma ação da Polícia Federal colocou atrás das grandes dois dos adversários e fez com que nossa pauta se tornasse a pauta de todos. É óbvio que isso nos ajudou a vencer, embora essa ação da PF estivesse fora de nossa governabilidade. Essa foi uma das variáveis que nos levou à vitória e que não dependeu do marketing, embora o marketing tenha se beneficiado disso.
Para falar de êxito eleitoral, posso dar três exemplos:
Em 1996, em Belém, vencemos a eleição para a prefeitura de Belém a partir de uma disputa em que o nosso candidato, Edmilson Rodrigues, aparecia nas pesquisas em quinto lugar, com risíveis 2% de intenção. Cresceu de maneira avassaladora e quase vence o pleito no primeiro turno, sagrando-se vencedor com quase 20% de diferença para o candidato da situação, apoiado pelo então prefeito Hélio Gueiros.
Em 2006, Ana Júlia foi candidata ao governo contra Almir Gabriel, o governador mais bem avaliado do século XX, que já acumulava em seu currículo a prefeitura de Belém, dois mandatos como senador, dois mandatos de governador e o feito extraordinário de ter conseguido eleger governador ao seu auxiliar Simão Jatene, que havia servido durante anos a Jader Barbalho e se notabilizou como um quadro da burocracia partidária, sem nenhuma experiência eleitoral anterior. Contra esse gigante - naquele momento Almir era um gigante - postou-se Ana Júlia, que vinha de uma derrota eleitoral para Duciomar, em 2004. Nossa estratégia foi de uma simplicidade franciscana: sabedores que a campanha tucana viria com uma exibição rotunda de obras (90% delas feitas durante o mandato de Almir, com quem o presidente Fernando Henrique nutria amizade pessoal), resolvemos ignorar a pauta da situação e criar outra: a do déficit social que se nutriu à margem das grandes obras. Nosso discurso foi bem sucedido e sem fazer qualquer promessa mirabolante, Ana Júlia destacou-se e venceu o pleito com cerca de 10% de diferença para o ex-governador. Em que pese o bom desempenho de 2006, em 2010, por razões que até hoje desconheço, não fui chamado para a campanha de reeleição da governadora.
Em 2008, Maria do Carmo, prefeita de Santarém, foi candidata a reeleição, mas apresentava índices de aprovação baixíssimos, devido fundamentalmente a duas questões: uma crise com os órgãos de imprensa, que passaram a atacar fortemente sua administração e uma carência de recursos ocasionada pelo discurso de oposição que manteve contra o governo do Estado. Assim, em 2008, o ex-prefeito por dois mandatos, Lira Maia, o adversário de Maria entrou no pleito com 36% de vantagens sobre a prefeita do PT. Aproveitando o tempo de TV para fazer um minucioso balanço da administração, fizemos do vazio de informação o elemento surpresa. As pessoas diziam “Eu não sabia que ela tinha feito tanta coisa”. No segundo momento, exibimos testemunhais verdadeiros de gente que havia sido diretamente beneficiado pelas ações de Maria, como as crianças das comunidades Quilombolas que agora podiam estudar na própria comunidade e antes viajavam quilômetros para poder assistir às aulas. Maria venceu com 14% de diferença, o que significa que cresceu apenas no período da campanha mais de 40%.

Com tantos casos de corrupção no governo, como um candidato poderia criar uma imagem política sem ser comprometida pela atual discredibilidade política vigente?

Chico Cavalcante - Antes de tudo é preciso enfatizar que a falta de credibilidade da política e dos políticos é nociva para a democracia. É perniciosa, porque induz setores da popular a crer que outra forma de poder, que exclui a política pelo voto e os políticos eleitos, pode ser melhor. Essa é a raiz das ditaduras e do autoritarismo. Resgatar a política e fazer dela uma ferramenta de cidadania é fundamental para a democracia. Entregue apenas aos políticos profissionais e ao achaque dos interesses privados, a política perde seu caráter de bem-comum e passa a responder a vontades inconfessáveis.
Em seguida, é preciso limpar o terreno: não é verdade que vivemos o período de maior corrupção no país. A verdade é que desde 2002 as denúncias de corrupção são amplamente informadas, não há censura; são apuradas, a polícia federal e o ministério público podem atuar, e os corruptos estão sendo repelidos do governo federal, porque não existe acoitamento do governo para com práticas antiéticas, como havia em governos anteriores. O caso mais notório é o das privatizações levadas a cabo pelos governos Fernando Henrique (PSDB), um escândalo internacional, assim como o da construção da ponte Rio-Niteroi e da Transmazônica durante a ditadura, ou mesmo a construção de Brasília, cujo valor inicial ultrapassou em 100 vezes o valor final da obra. Mas eram outros tempos e o silêncio vigorou. Diferente de agora, quando um caso de um funcionário dos Correios embolsando R$ 3 mil quase derruba um governo inteiro (2005).
Esse arejamento é bom para o país. Na verdade, a atividade política não é bem vista pela população em lugar nenhum do mundo, e não apenas no Brasil e em grande medida isso tem a ver com duas coisas: a) a população não sabe como a política funciona e nem qual o papel exato de cada instância de poder, por isso cobra soluções da prefeitura que cabem ao governo do estado e do governo federal o que cabe à prefeitura, por exemplo; b) a população brasileira acredita que a corrupção é um mal do Brasil e que pode ser combatida apenas com medidas punitivas, quando deveria ser combatida com ampliação do espaço democrático de participação, com o ingresso de cidadãos comuns na vida pública, com financiamento público de campanha, com voto distrital e com o fortalecimento dos partidos. A corrupção é um mal que precisa ser combatido em todo o mundo. “A corrupção política compromete as esperanças de prosperidade e estabilidade dos países pobres e prejudica a economia global”, já disse o grupo Transparência Internacional (TI) em seu relatório anual 2010. Este ano, o TI investigou os efeitos nocivos da corrupção política, em parte para destacar novos acordos internacionais, com a Convenção da ONU contra a Corrupção, para coibir tais práticas, e elaborou uma lista com os políticos mais corruptos de todos os tempos. No topo do ranking está o ex-ditador da Indonésia Suharto, acusado de desviar entre US$ 15 bilhões e US$ 35 bilhões nos 31 anos em que ficou no poder (1967 a 1998). "O abuso do poder político para ganhos privados priva os mais necessitados de serviços públicos vitais, criando um nível de desespero que gera conflitos e violência", disse o presidente do IT, Peter Eigen. "Isso também afeta o bolso dos contribuintes e acionários em todo o mundo. O problema deve ser enfrentado em nível nacional e internacional", disse. O relatório revela ainda que sete dos 10 países com índices de corrupção política relativamente altos são da América Latina - Argentina, Bolívia, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá e Paraguai. O Brasil não figura nessa lista. Eu diria que o denuncismo e a condenação sumária são tão ruins quanto a corrupção, porque minam a credibilidade política, levando a população a acreditar que toda forma de fazer política é suja e que todos os que lidam com política também o são. Uma vez, em uma palestra para 300 estudantes de comunicação em uma faculdade local, eu sugeri que eles analisassem seriamente a possibilidade de atuar marketing político. Uma parte dos presentes me vaiou. "Como assim atuar nessa coisa suja que é a política", me indagou um exaltado. Assim como os caçadores de bruxa da idade média, que achavam que a pronúncia de uma palavra trazia em si o mal que a palavra descreve, há pessoas que acham que fazer política, falar de política e atuar em eleições é, em si, algo ruim, eivado do mal que supõem ser intrínseco da política. Estão errados. A política não suja. São as pessoas sujas que sujam a política, que é a atividade humana mais produtiva que existe porque sem ela não haveria estado, democracia, justiça, direitos humanos e economia global. Foi a política, a prática política, que moldou o mundo como conhecemos, para o bem e para o mal. Abandonar a política e condená-la não ajuda o mundo a progredir, mas apenas entrega o destino de todos nas mãos de alguns poucos. Quantos mais de nós atuamos, mais a vida de todos pode ser melhor. Atuar em política é atuar com um produto nobre: a vida social e o futuro das gerações presentes.

A ética é um grande mote eleitoral?

Chico Cavalcante - É um erro fazer do discurso ético ou da retórica moral, uma plataforma eleitoral. As eleições discutem o presente e o futuro imediato - as práticas de estado e a gestão da coisa pública - enquanto a ética se preocupa com as normas de conduta atemporais, com a influência que o código moral estabelecido exerce sobre a nossa subjetividade e a moral discute os costumes. A ética deveria, então, nortear o ensino, a educação, a vida cotidiana, as relações familiares e não apenas a política no seu sentido corrente. Diferente da moral, que se fundamenta na obediência às normas de condutas, tabus e costumes pré-concebidos, a ética é a base do bem viver social. e tem a ver com a reflexão sobre o valor humano das ações sociais consideradas tanto no âmbito coletivo como no âmbito individual. Os que querem fazer da ética uma plataforma eleitoral pensam que a função da política é vigiar a política. Não é. A função da política é ética em si, porque objetiva trabalhar para o bem comum. A política reflete a ética social de dada época e de dada sociedade. Para mudar a política é preciso revisitar a ética daquela sociedade. Pessoas que furam fila, que atropelam e não socorrem, que param em fila dupla, que agridem mulheres e crianças, que desrespeitam o bem público, que fogem da participação e da solução dos problemas coletivos, que dão mal exemplo aos filhos, essas pessoas votam em políticos que refletem esse comportamento, que se identificam com sua ética. Não adianta tapar o sol com a peneira. Para mudar a política é preciso mudar os eleitores e eles mudarão a qualidade dos políticos que conduzem aos mandatos. Em uma sociedade organizada a tarefa de vigiar a política e os políticos cabe ao Ministério Público, à Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), além, é claro, da imprensa. A ética, portanto, tem que ser uma pratica de vida. Tem que estar nas casas, nas ruas, nas escolas, para chegar ao parlamento, aos palácios de governos, aos órgãos públicos. Digo sempre aos meus clientes que para se diferenciar dos corruptos não é preciso fazer muito esforço, basta não roubar, basta ser transparente, basta não ser conivente com as práticas ancestrais da pilhagem da coisa pública. Mas esse não é um conselho que o marketing se obriga a dar. Ou é uma prática do postulante ao cargo ou não é. Isso não nasce na política, nasce na vida e então se espalha para os aparelhos de poder e para os mandatários. Quando entro em uma campanha estou fazendo uma escolha ética. Se confio no político e conheço sua biografia, eu trabalho pra ele. Se não confio, declino. O dinheiro pode muito. Mas não pode nos dar um sono tranquilo se não estamos bem com a nossa consciência.

segunda-feira, março 05, 2012

Hóstia alucinógena


Don Achille, padre da igreja do Santo Espírito de Campobasso, na região central da Itália, foi obrigado a lidar com uma situação insólita depois que hóstias “alucinógenas” causaram comportamento hostil por parte de seus fiéis.
De acordo com o noticiário local, as hóstias podem foram produzidas com uma farinha contaminada com fungos que, em um processo semelhante a uma intoxicação alimentar, provocam reações alucinógenas semelhantes ao efeito do ácido lisérgico (LSD) em menos de um minuto.
Por causa dessa reação, Don Achille diz ter sido perseguido por duas idosas que o atacaram com bolsadas e gritavam que ele era “o demônio”. Para se proteger, ele foi obrigado de se trancar na sacristia e esperar por ajuda externa.
A agressividade, no entanto, não foi o único efeito que as hóstias alucinógenas causaram: alguns dos fiéis disseram ter visto santos e anjos e outros ainda se abraçaram com crucifixos e se recusavam a largar.
O fato pitoresco - e certamente recorrente, já que trigo está na base da alimentação humana desde a descoberta do cultivo -  foi abafado pelas autoridades, mas segundo o jornal Abruzzo24Ore, a retirada dos fiéis não foi nada tranquila. Foi necessária a intervenção da polícia local.
O cérebro humano é um campo fértil para demônios, anjos, santos e espíritos.

sexta-feira, março 02, 2012

Candidatos devem estar com contas aprovadas


Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovaram durante a sessão administrativa desta quinta-feira (1º) a resolução que trata da prestação de contas nas Eleições 2012. A principal novidade trazida na resolução deste ano é referente a exigência de aprovação das contas eleitorais para a obtenção da certidão de quitação eleitoral e, em conseqüência, do próprio registro de candidatura. A decisão foi tomada por maioria de votos (4x3).
Esta resolução define ainda as regras para a arrecadação e os gastos de recursos por partidos políticos, candidatos e comitês financeiros bem como para prestação de contas da utilização desses valores.
Quitação eleitoral
Ao apresentar seu voto-vista na sessão desta noite, a ministra Nancy Andrighi defendeu a exigência não apenas da apresentação das contas, como ocorreu nas Eleições 2010, mas também da sua aprovação pela Justiça Eleitoral para fins de obter a certidão de quitação eleitoral. A certidão de quitação eleitoral é documento necessário para obtenção do registro de candidatura, sem o qual o candidato não pode concorrer. De acordo com a ministra, não se pode considerar quite com a Justiça Eleitoral o candidato que tiver suas contas reprovadas.
“O candidato que foi negligente e não observou os ditames legais não pode ter o mesmo tratamento daquele zeloso que cumpriu com seus deveres. Assim, a aprovação das contas não pode ter a mesma conseqüência da desaprovação”, disse Nancy Andrighi ao reafirmar que quem teve contas rejeitadas não está quite com a Justiça Eleitoral.
Ela destacou ainda que existem mais de 21 mil candidatos que tiveram contas reprovadas e que se encaixam nessa situação.
Por essas razões, a ministra sugeriu a inclusão de um dispositivo na resolução para se adequar ao novo entendimento. O dispositivo a ser incluído já estava previsto na Resolução 22.715/2008 (artigo 41, parágrafo 3º) e prevê que “a decisão que desaprovar as contas de candidato implicará o impedimento de obter a certidão de quitação eleitoral”.
Na versão anterior, esse dispositivo previa que o candidato ficaria impedido de receber tal quitação durante todo o curso do mandato ao qual concorreu. Mas a maioria dos ministros decidiu não estabelecer o tempo do impedimento, que será analisado caso a caso.
Nesse sentido formaram a maioria as ministras Nancy Andrighi, Carmen Lúcia, juntamente com o ministro Marco Aurélio e o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski.
Artigo 54
Outra alteração inserida na resolução foi proposta pelo ministro Marco Aurélio em relação ao artigo 54. A redação deste artigo, que antes previa que nenhum candidato poderia ser diplomado até que suas contas fossem julgadas, agora será idêntica ao artigo 29, parágrafo 2º, da Lei 9.504/97.
O dispositivo prevê que “a inobservância do prazo para encaminhamento das prestações de contas impede a diplomação dos eleitos, enquanto perdurar”.
Essa alteração foi aprovada pela maioria formada pelos ministros Marco Aurélio, Marcelo Ribeiro, Carmen Lúcia, Nancy Andrighi e Ricardo Lewandowski.
A alteração foi necessária para que os candidatos não sejam prejudicados pela possibilidade de as contas não serem analisadas antes da diplomação, o que é de responsabilidade dos tribunais e não dos candidatos.
Regras
Entre as demais regras estabelecidas na resolução, está a exigência de requerimento do registro de candidatura ou do comitê financeiro para o início da arrecadação de recursos. Além disso, é necessário ter CNPJ
(Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) e conta bancária especificamente destinada a registrar a movimentação financeira de campanha.
A resolução também prevê as punições que serão aplicadas no caso de os gastos com a campanha extrapolarem os limites estabelecidos previamente pelo partido de cada candidato. De acordo com o parágrafo 5º do artigo 3º da resolução, o gasto além do limite ficará sujeito ao pagamento de multa no valor de cinco a dez vezes a quantia em excesso, valor que deverá ser recolhido no prazo de cinco dias úteis. O candidato que gastar em excesso também poderá responder por abuso de poder econômico.
Comitê financeiro
A resolução ainda determina que cada partido político deverá constituir comitês financeiros com a finalidade de arrecadar recursos e aplicá-los nas campanhas eleitorais. O prazo para a constituição desses comitês é de 10 dias úteis após a escolha de seus candidatos em convenção partidária. E, depois de constituídos, os comitês deverão ser registrados dentro de cinco dias perante o Juízo Eleitoral responsável pelo registro dos candidatos.
Doações
A norma aprovada especifica ainda as regras para as doações, inclusive pela internet, feitas por pessoas físicas e jurídicas. As doações podem ser feitas por meio de cheques cruzados e nominais, transferência bancária, boleto de cobrança com registro ou cartão de crédito ou cartão de débito. Caso as doações sejam feitas em depósitos em espécie, deve estar devidamente identificado com o CPF/CNPJ do doador.
Datas
As datas definidas para a prestação de contas de campanha estão previstas no capítulo II da resolução. Nos municípios em que houver apenas primeiro turno, os candidatos, partidos e comitês financeiros deverão enviar até o dia 6 de novembro de 2012 a prestação com a movimentação financeira referente ao primeiro turno.
Aqueles que concorrerem ao segundo turno deverão apresentar as contas referentes aos dois turnos até o dia 27 de novembro de 2012.

Oito lições de liderança de Nelson Mandela


Anos atrás a Times Magazine publicou um artigo intitulado “Oito Lições de Liderança”, baseadas nas lições de vida de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e ativista que ajudou a sociedade sul-africana a derrubar o Apartheid, o regime racista que vigorou no seu país por décadas e que distinguia brancos e negros dando à cor da pele status sociais distintos.
As lições, que reproduzo a seguir, são um resumo de seu modo e podem inspirar lideranças a construírem suas próprias lições:
1) Coragem não é a ausência de medo, é algo que permite inspirar os outros a irem além do temor.
2) Lidere na dianteira, sem nunca deixar de ter uma base segura atrás.
3) É vital saber liderar ao lado, fazendo com que os liderados acreditem que estão na frente.
4) Conheça o seu inimigo, particularmente os passatempos favoritos dele.
5) Mantenha seus amigos bem próximos e os inimigos mais perto ainda.
6) As aparências são muito importantes. E nunca se esqueça de sorrir.
7) Não é apenas branco ou preto. Veja sempre as outras possibilidades.
8) Sair também é liderar. Saber abandonar uma ideia, uma tarefa, ou uma relação é muitas vezes a mais difícil de decisão que um líder tem de tomar.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

A DM9 e a nova forma de classificar o público-alvo

A agência DM9DDB fez uma pesquisa e criou essa nova categoria de análise do comportamento humano, focada no mundo digital. O vídeo cujo link acompanha este post é a introdução ao método, relacionando as categorias e a explicação de cada um dos grupos, que seriam:

1) Imersos: tiveram parte da sua identidade definida a partir da tecnologia;
2) Ferramentados: recorrem a tecnologia para agilizar as tarefas mas não a idolatram;
3) Fascinados: querem parecer modernos e tecnológicos;
4) Emparelhados: a tecnologia é fundamental para por em prática os projetos da vida;
5) Evoluídos: o universo das máquinas e tecnologia é seu habitat.

A classificação criada é polêmica. Como toda classificação. Pode ser algo relevante ou pode ser na verdade apenas mais uma das várias maneiras de se segmentar pessoas (o que é prática do marketing desde quando diabo era criança). O marketing (mercadologia) busca agrupar pessoas em segmentos para chegar perto da melhor maneira de "falar" com elas. Vale a busca, mas esses grupos são formados por indivíduos, que podem ter comportamentos distintos de acordo com uma quantidade infinita de variáveis. Isso porque somos seres irracionais (emocionais, já que a emoção é uma forma recorrente de romper com a racionalidade) na maior parte do tempo. Somos pessoas, afetadas pelo ambiente que nos cerca e pelos contextos onde atuamos. Somos nós, nossa biologia, nosso meio social, nossa posição econômica, nossa localização geográfica. Os recortes são sempre limitados. Sejam eles digitais ou analógicos.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=BIvkAtr1k2U

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Manual do marketing de guerrilha

Meu livro "Manual do Marketing de Guerrilha" chega às prateleiras reais e virtuais das grandes livrarias do país. Lançado ontem pela editora Senac-SP, uma das maiores e mais importantes editoras de negócios do país, o livro é o mais atual e completo painel já feito no Brasil sobre o tema. Para quem ainda não sabe, o marketing de guerrilha é a forma de divulgação mais adequada a para um mundo que mudou da economia de produção em massa para a de produtos customizados, dirigidos para nichos específicos. Na obra, apresento em meio a profusos exemplos, as vantagens do marketing de guerrilha, seus conceitos norteadores e também como planejar uma ação que traga resultados melhores e a um custo bem menor do que uma campanha tradicional, sempre tendo como foco uma divulgação que levará à venda, à consolidação da marca e à criação de fluxos de informação em torno da marca.

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29428253&sid=1898642651429374547582246

quinta-feira, dezembro 29, 2011

É a economia, estúpido

Estudo divulgado por prestigiado organismo internacional de pesquisa econômica indica que o Brasil conseguiu arrebatar ao Reino Unido o sexto lugar na lista das maiores economias mundiais. O estudo, realizado pelo Centre for Economics and Business Research (CEBR) mostra também um avanço dos países asiáticos e um recuo dos europeus na tabela das economias globais.
Em entrevista à rádio BBC, o executivo-chefe do CEBR, Douglas McWilliams, confirmou que o fato faz parte de uma tendência, que se acentuou nos últimos dez anos. “Creio que é parte de uma grande alteração econômica, na qual não apenas vemos uma transferência de ocidente para oriente, mas também vemos países que produzem artigos essenciais – comida, energia e coisas do género – se desenvolverem e gradualmente subirem na tabela da liga económica”, disse McWilliams.
A imprensa tucana torceu o nariz para a notícia que chamou a atenção do mundo. O comentarista econômico Celso Ming, em seu blog no jornal O Estado de São Paulo, tentou minimizar o fato, alegando que seria "natural" que o PIB brasileiro ultrapassasse a soma de toda riqueza que "um país menor" produz, ou, em suas palavras, superasse "o tamanho da economia de países bem mais acanhados (sic) em massa consumidora e extensão".
Minc ilustra: "tamanho do PIB é como o tamanho de caneca. E o Brasil tem quatro vezes a população do Reino Unido e 35 vezes a sua área territorial".
Realmente as metáforas deveriam ser deixadas para profissionais.
Poucas vezes li opiniões tão estúpidas em se tratando de economia, uma área pródiga de análises, previsões e opiniões estúpidas.
Do alto de sua estupidez, a afirmação de Minc não resiste a nenhum exercício lógico. Se seu raciocínio fizesse algum sentido, a China e a Índia já seriam os países mais ricos do mundo há pelo menos dois séculos e o Pará e o Amazonas seriam, na atualidade, os estados mais ricos do Brasil. A simples adição de território e população nem sempre geram riquezas. Aliás, a regra e o bom senso têm sistematicamente negado essa ilação.
Lançada por um dos marqueteiros de Bill Clinton durante a campanha eleitoral que em 1992 interrompeu um longo reinado republicano na Casa Branca, a frase que dá o título à este post poderia ser um alerta a Minc e a seus pares de tucanato: enquanto o mundo afunda em sua pior crise econômica dos últimos 100 anos, o Brasil cresce com distribuição de renda. Está perfeito? Não, não está. Longe disso. Mas está melhor do que quando quem mandava no país mandava também em Celso Minc.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Privataria Tucana: a entrevista

A Geração Editorial, feliz editora que lançou "A Privataria Tucana" – cujo conteúdo investigativo denuncia a pirataria praticada com o dinheiro público em benefício de fortunas privadas, tendo o ex-governador José Serra e o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e ex-tesoureiro das campanhas eleitorais de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, como personagens principais – acertou na mosca ao trocar noite de autógrafos por um Twitcam com o autor do livro, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., em São Paulo. Logo o vídeo transformou-se em comunicação viral.
São mais de 140 minutos de entrevista a um seleto grupo de blogueiros e jornalistas. E, logo no início do vídeo, a primeira resposta dada aos entrevistadores pelo mais que serendipitoso jornalista autor das denúncias revela que não é somente a fina flor de políticos piratas que terá de se haver com a opinião pública. A grande imprensa, que silenciou diante das graves denúncias do jornalista, está devendo muitas explicações aos cidadãos brasileiros.
O link para o vídeo está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=ufUjcYOY_iE

O marketing do tiro no pé

O jornalista Marcelo Cabral informa na revista IstoÉ que a Diageo, uma das maiores fabricantes mundiais de bebidas alcoólicas, com receita mundial de R$ 28 bilhões por ano, decidiu processar e anular o registro de marca de uma pequena indústria mineira de cachaça, chamada João Andante. Segundo a companhia reclamante, a marca João Andante "configura uma imitação" de sua famosa marca de uísque Johnnie Walker, a mais vendida do planeta e pode "atingir os esforços de consolidação do produto". Seria, assim, "uma tentativa de pegar carona na marca, criando uma associação indevida na mente dos consumidores", diz um comunicado da Diageo reproduzido pelo jornalista.
Seja qual for o veredicto a Diageo já conseguiu fazer o impossível: tornar conhecida uma desconhecida marca de cachaça mineira sem que esta tenha investido um único real em sua divulgação. Do nada, a pinga feita de maneira artesanal se tornou uma das mais requisitadas do país. "Antes do processo, vendíamos 200 garrafas por mês", diz Gabriel Silva, um dos sócios da marca. "Agora chegamos a duas mil unidades por mês".
Além da antipatia que gera um processo de uma gigante contra uma pequena indústria que faturava apenas R$ 8 mil com esse produto, o ataque à João Andante é desproporcional. "Os produtos são de nichos distintos, não havendo ameaça de perda de mercado", disse Gilberto Galan, da ESPM de São Paulo a Marcelo Cabral.
Na briga dos caminhantes quem perdeu foi o bom senso.

Na Suíça, download é legal

O jornalista Felipe Marra Mendonça, da revista Carta Capital, comenta na edição de 21 de dezembro, estudo feito pelo governo suíço para analisar o impacto da pirataria - downloads ilegais - na economia daquele país. As reclamações da indústrias do entretenimento e do Senado suscitaram a pesquisa.
A conclusão do estudo é de que os que "pirateiam" arquivos na internet também gastam dinheiro para comprar produtos da indústria do entretenimento. Assim, o governo decidiu não mexer nas leis de direitos autorais vigentes na Suíça. A lei suíça considera que fazer downloads é uma atividade legal, desde que para uso pessoal, ou seja, que não gere lucro com o ato, mas apenas o usufruto do conteúdo.
O estudo, minucioso, mostra que o alarde feito pela indústria, que relata perdas de postos de trabalho e receitas cada vez menores, é falácia. Um terço dos cidadãos suíços com mais de 15 anos baixam músicas, filmes e jogos pirateados na internet. Esses mesmos usuários mantêm gastos constantes com a indústrias do entretenimento e o ato de baixar conteúdo ou é complementar ou é uma forma de experimentar o produto antes de adquiri-lo. Além disso, os que baixam músicas ilegalmente gastam mais dinheiro indo a shows e bandas menos conhecidas conseguem maior exposição quando suas músicas são pirateadas e difundidas.
O estudo coloca uma pá de cal no alarmismo que começou quando o Senado do país decidiu investigar o que poderia ser "uma crise emergente na criatividade cultural suíça".
Esta é uma luta que a indústria já perdeu. Se levassem para cadeia todas as pessoas que baixam conteúdo na internet, teriam que construir um presídio do tamanho da África.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Os superestimados

Encontrei em meus arquivos um artigo denominado “Os superestimados do Brasil”, publicado pelo jornalista Dagomir Marquezi em 2008 na revista Época.
A releitura do artigo logo me trouxe à memória a razão de tê-lo guardado: era uma provocação exemplar, dessas que levam à reflexão.
O artigo toma como referência a idéia original da revista norte-americana Entertainment Weekly, que publica todo ano uma lista de artista que considera “overrated”.
Não existe uma tradução exata em português. Marquezi sugere que a mais próxima em nossa língua seria “superestimado”.
São obras e pessoas que, por alguma razão, costumam ser julgadas melhores do que são; que quando são colocadas sob os holofotes fazem você pensar “Esse cara não está com essa bola toda”. Na lista da revista estadunidense uma sequencia de mitos sagrados da cultura ianque, como a série Friends, considerada “infernalmente irritante”.
Com base na lógica criada pelo periódico, Marquezi cria sua própria lista de brasileiros superestimados.
Lembra Chico Buarque, que é visto como um semideus, mas o auge de sua carreira aconteceu há 30 anos e agora é mais lembrado pela cor dos olhos, por escrever livros que ninguém lê ou por estar namorando uma garota que poderia ser sua neta, do que por algo relevante que tenha produzido depois da primeira eleição direta pós-64.
A verve de Marquezi alcança Fernanda Montenegro, a primeira dama do teatro brasileiro, unanimidade nacional e patrimônio cultural do Brasil restaurado com perícia por Pitangui. O jornalista afirma, sem tergiversar, que Montenegro “há muito tempo faz o mesmo papel”, se tornando, ela própria, um personagem que se repete, na mesma impostação, nos mesmos trejeitos, na mesma pose maternal. Montenegro faz sempre o papel de Montenegro.
A lista chega ao rock de butique e encontra Pitty, que, longe de ser a última Coca-Cola do deserto, “entrou no mercado sendo tratada como dona de um talento espantoso e mostrando a arrogância de uma prima-dona”, mas cuja obra é ruim e puramente descartável.
O escritor finaliza sua lista com Glauber Rocha, símbolo do cinema anti-conformista nos anos 1960, representante máximo do mantra “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”, mas ninguém agüenta ver sequer “dois minutos seguidos de qualquer um de seus filmes” a não ser que tenha forte tendência masoquista ou precise fazê-lo por obrigação profissional.
Marquezi conclui desafiando o leitor a fazer ele próprio sua lista. Eu fiz a minha, mas nunca publiquei aqui por receio de ser queimado em praça pública.
O que dizer, por exemplo, de Luan Santana, um dos aclamados ídolos musicais do país e cujo maior sucesso parece ser um plágio de uma música da Xuxa? Ou de Maria Gadu, desafinada como um serrote, posando de Cassia Eller ressuscitada? Ou de Luana Piovani, um saco de celulites e de ignorância, que se acredita mais bela que Gisele Bundchen e mais inteligente que Einstein? Ou de Rafinha Bastos, analfabeto funcional com grave déficit de atenção, que faz sucesso nas redes sociais recebendo jabá para opinar sobre tudo e sobre todos como se fosse reencarnação de Sócrates - o filósofo, não o jogador de futebol. Ou mesmo de Arnaldo Jabor, cineasta fracassado que se tornou o porta-voz do mais abominável conservadorismo? Superestimados? Sim. Com certeza.
Os superestimados estão entre nós. Em todas as áreas, em todos os lugares, para todos os gostos. Faça sua própria lista. No mínimo servirá como uma reflexão de que tão fácil como construir mitos, é começar a questioná-los.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Frase

"São Paulo parece uma versão real do filme Blade Runner (Ridley Scott, 1982). A cidade agora tem 70 heliportos, com os ricos voando num outro nível que os pobres". Slavoj Zizek, filósofo.

Frase

"Pode ser que Paulo Coelho não faça grande literatura, mas o certo é que fundou um culto literário. O escritor exerce o dom da automultiplicação". Nirlando Beirão, jornalista.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Uma lição às avessas

Os uniformes dos alunos de educação básica da rede estadual de ensino, em Alagoas, devem passar a contar com logomarcas de empresas a partir de 2012. É o que indica a lei nº 7.288, publicada no Diário Oficial do Estado na última semana. A lei, sancionada pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), foi, com razão, criticada por educadores.
Segundo a lei aprovada, as empresas devem pagar pelos uniformes e fazer melhorias nas unidades de ensino. Assim, como fazendeiros que marcam o gado do pasto que conservam, elas terão direito a estampar sua marca nas roupas dos estudantes.
É a danação do capitalismo e, a um só tempo, a falência do estado. Quando empresas se oferecem para sujar uniformes escolares com suas marcas e o Estado usa esse desvario para aceitar que esses entes privados "reformem unidades escolares" está na hora de decretar falência.
Teotônio Vilela Filho deveria renunciar. A oposição a ele deveria pedir seu lugar. Quem não tem capacidade sequer de reformar unidades escolares e oferecer uniformes limpos aos alunos tem que pegar o chapéu e desocupar o lugar.
Para a vice-presidente do Sinteal (Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas), Consuelo Correia, a lei não irá salvar a educação pública alagoana do caos em que se encontra. "A categoria rejeita esta ideia de transformar alunos em outdoors ambulantes, porque, na verdade, o que o Estado pretende com isso é se livrar das obrigações que tem para com a educação em Alagoas, quem sabe já pensando numa tentativa de privatização do ensino público”, disse a educadora.
O governador e os deputados de Alagoas fazem escola. Às avessas.

segunda-feira, novembro 21, 2011

O valioso tempo dos maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial.


Mário Pinto de Andrade
Escritor e político angolano (1928-1990)