Sexta-feira, Março 16, 2012

Faça como Jobs


Dias atrás, assisti a uma das piores séries de slides de PowerPoint da minha vida (e olha que já vi muitas). Por isso, quando li o sobre “Os segredos das apresentações de Steve Jobs”, decidi traduzir, resumir e deixar tudo mastigadinho para você que faz ou vai fazer um show de slides.
O material foi publicado no excelente blog LifeHacker, que colocou os links para uma apresentação e um vídeo produzidos pelo autor do livro "Os segredos das apresentações de Steve Jobs", Carmine Gallo, que é também colunista da revista Businessweek. A seguir, você confere a apresentação na íntegra em inglês e também um resumo com as principais dicas dadas por Gallo, separadas em três atos.

Três atos:
Ato 1 - Crie uma história
Ato 2 - Entregue uma experiência
Ato 3 - Refine e ensaie

“Ato I”
1 - Encontre algo que você ama
Para convencer o público de algo, é preciso convencer a si mesmo. O tom “messiânico” de Jobs só não soa ridículo, porque ele realmente acredita no que diz. Para justificar o trecho, Carmine Gallo usa a seguinte frase de Jobs: “Você deve encontrar o que você ama. O que realmente importa é ir para a cama de noite dizendo 'Fiz alguma coisa maravilhosa"

2 – Planeje
Antes de abrir o PowerPoint pegue um papel e rabisque suas idéias. Planeje como será a apresentação. Os especialistas recomendam que você divida seu tempo privilegiando as ideias: coletando dados, organizando eles e rabiscando uma história.

3 – Crie sempre um vilão
Todas as apresentações de Jobs são baseadas no modelo de herói contra vilão, em que o produto da Apple é a solução para uma situação antagônica ou um concorrente. Em 1984, por exemplo, o papel coube a IBM.

“Ato II”
1 – “Simplicidade é o máximo da sofisticação”
A frase acima, também de Steve Jobs, resume esse passo que indica: jamais use bullets, quando puder imagens ao invés de texto e cada slide deve ter, no máximo, 40 caracteres.

2 – Não use jargão
Jobs pouco fala de gigabytes. Ele prefere dizer que “no iPod cabem mil músicas”. Faça o mesmo, simplificando os termos técnicos sem usar definições abstratas.

“Ato III”
1 - Presença de Palco
Olho nos olhos da platéia, tenha uma postura aberta e com autoridade e saiba se expressar usando as mãos. Como fazer tudo isso? Use o próximo passo como mantra.

2 – Treine
Um repórter da revista BussinessWeek que acompanhou Steve Jobs escreveu que ele “treina sua naturalidade por muitas horas, por muitos dias”. Os treinos do CEO se intensificam nas 48 horas antes do keynote. É quando ele pede feedback da equipe.

3 – Se divirta
Durante um problema na MacWorld de 2007, Jobs aproveitou para contar uma piada sobre os velhos tempos da Apple. Assim, minimizou a falha na apresentação e mostrou confiança. A lição é que é importante entreter o público sempre.

Juliano Barreto, INFO

Quarta-feira, Março 07, 2012

Uma conversa sobre marketing político


Entrevista concedida a Ronald Meiguins, aluno de publicidade e propaganda da Feapa, em novembro de 2011, como base para seu Trabalho de Conclusão de Curso.

Fale um pouco sobre a sua formação e de sua trajetória no marketing político, como tudo começou?

Chico Cavalcante - Minha entrada no mundo das polêmicas publicas, das análises de conjuntura e das ações de comunicação política, se deu pela porta esquerda. Eu era militante de uma organização marxista de oposição ao regime militar o que me obrigava a falar e pensar política, a persuadir, a argumentar, a discursar para públicos diversos e, sobretudo, a escrever muito. Naquele período eu estudava Filosofia e Letras na UFPA, mas já atuava em órgãos de imprensa como o Jornal Resistência, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos. Na metade dos anos 80, após ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional por atividade subversiva (conspirar contra o regime militar) decidi cursar Marketing Político em São Paulo. Quando retornei a Belém fui trabalhar com publicidade na Agência da Casa (Globo/TV Liberal) para, em seguida, ser contratado pela Griffo, agência que já atuava em marketing político. Também trabalhei na Mendes e na Galvão, grandes escolas. Em 1992 fundei minha própria agência, a Vanguarda. Minha agência, tocada a quatro mãos com meu irmão Alcindo Cavalcante, nasceu com foco na comunicação política, mas só passamos a atuar com eleições em 1994, quando assumi minha primeira campanha, de Valdir Ganzer para o governo do Pará e Edmilson Rodrigues para o senado. A campanha foi derrotada eleitoralmente, mas vitoriosa politicamente, porque pela primeira vez o PT rompeu o seu limite histórico de votos, entre 3 e 5%, obtendo 18% dos votos no Estado e mais de 20% dos votos na capital. Edmilson, o candidato ao senado, obteve quase 300 mil votos, basicamente na capital, o que o cacifou a se candidatar a prefeito na eleição seguinte.

Quanto tempo o Sr° está no ramo do marketing político?

Chico Cavalcante - Se contarmos o tempo em que trabalhei na Griffo, estou fazendo campanhas eleitorais profissionalmente há 27 anos e atuo em publicidade há 30 anos, tanto como redator e diretor de arte quanto como estrategista de marketing comercial e político.

Quais os candidatos e partidos para quem o Sr° já trabalhou em Belém?

Chico Cavalcante - Sou um homem de esquerda, ou seja, tenho uma formação humanista a partir de uma perspectiva marxista. Isso me levou a atuar em marketing político com legendas de esquerda, como PT, PCdoB, PSOL, PSB ou de centro-esquerda, como PV e PDT. Isso não significa que eu não trabalharia para outras legendas, desde que a candidatura mostrasse um histórico convincente e um projeto de governo que respondesse a pelo menos algumas das minhas expectativas como cidadão. Para a prefeitura de Belém, que penso ser o foco de sua pergunta, eu fiz três campanhas: Edmilson Rodrigues (PT) em 1996, Edmilson Rodrigues, reeleição, em 2000 e Ana Júlia (PT) em 2004. Em 2008 eu estava fazendo a campanha de Flávio Dino (PCdoB) em São Luiz e fui chamado aqui na reta final da campanha de Mário Cardoso (PT), com tarefas específicas, que era elevar a votação de Mário, que não passava dos 7% e combater a candidatura adversária que ocupava o segundo lugar e que naquele momento estava com 26% de intenção de votos. A elevação de Mário foi prodigiosa e ele não foi ao segundo turno por apenas 4 mil votos de diferença para Priante, do PMDB.

O que traz mais resultado para o candidato que quer se eleger, marketing político ou marketing eleitoral?

Chico Cavalcante - São duas coisas distintas embora sejam usadas como sinônimo no Brasil. Marketing político é toda atividade de marketing que se propõe a vender uma idéia política. Assim, o Greenpeace, por exemplo, faz marketing político. A propaganda institucional de governos é uma modalidade de marketing político. Essa atividade é permanente e sistêmica, por ser estratégica, ou seja, estar relacionada aos objetivos de longo prazo. Por sua vez o marketing eleitoral é tático e temporal. Está circunscrito ao tempo exato em que uma eleição transcorre.  Há quem diga que o marketing político é um esforço planejado para se cultivar a atenção, o interesse e a preferência de um mercado de eleitores, e que é o caminho seguro para o sucesso de quem deseja vencer na política. Não é verdade. Em política o caminho seguro é construído e nunca se dá previamente. Em política não há destino, há estratégia.  Por isso eu gosto da definição que diz que o marketing político é uma estratégia permanente de aproximação do partido e do candidato com o cidadão em geral, enquanto que o eleitoral é uma estratégia voltada para o eleitor, com o objetivo de fazer o partido ou candidato vencer uma determinada eleição.

O candidato é como um produto a venda? Que pontos ele deve privilegiar?

Chico Cavalcante - Essa história do candidato ser “um sabonete” começou em com a primeira campanha feita por uma agência de propaganda, a BBDO. Foi em 1952, nos Estados Unidos, quando o general Dwight Eisenhower se converteu no primeiro candidato presidencial em apelar aos serviços de uma agência, para que assumissem sua campanha televisiva. Nos Estados Unidos foi onde a rápida expansão dos meios de comunicação semeou o terreno fértil para um desenvolvimento progressivo e constante do marketing político. Anos mais tarde, na televisão, as campanhas eleitorais norte-americanas lançaram mão dos debates televisivos de candidatos, como os do John Kennedy e Richard Nixon (1960), multiplicando o alcance de um comício ou debate para além do aqui e agora das campanhas circunscritas geograficamente. O candidato pode ser chamado de “produto” apenas por um exercício retórico, mas ele não é um produto no sentido em que a indústria e a sociedade industrial entendem vir a ser um produto, já que um candidato tem história de vida, família, relações públicas e privadas, vida pública e privada, opinião que pode ter variado ao longo da vida, etc enquanto um produto é um elemento inerte, que pode ser conduzido sem qualquer ingerência de vontade. Tente lidar com Lula ou mesmo com Simão Jatene e colocá-lo onde ele não quer estar para você ver se ele vai. Não vai, a não ser que esteja convencido e nisso todo ser humano se diferencia de um produto. O ponto a se destacar depende da conjuntura em que a eleição se dá. Não existe uma fórmula pronta. O que será privilegiado na próxima eleição pode não ter sido relevante na eleição anterior.

Quais as estratégias políticas que o Sr° acha mais eficaz em relação a custo-benefício?

Chico Cavalcante - Como eu disse, não há uma fórmula pronta e acabada. Cada caso é um caso. O que pode ser bem-sucedido em uma determinado cenário pode se tornar ineficiente em outro aparentemente similar. As variáveis são infinitas e o único segredo para empreender campanhas bem sucedidas e que tem aplicação universal é conhecer bem as forças e fraquezas do seu candidato e as forças e fraquezas do adversário. Ter em mãos esse conhecimento não garante a vitória mas é um bom começo.

Por menor que seja a verba que o candidato tenha disponível, qual a mídia que o Sr° acha que ele nunca poderia deixar de usa-lá? Por que?

Chico Cavalcante - Toda mídia é decisiva porque uma campanha é, em última instância, em essência, comunicação. Nas democracias, não há campanha eleitoral sem mídia. Como chegar às massas, sem meios de comunicação de massas? Afora a mídia impressa e a internet, a mídia de massas é gratuita para as campanhas, porque é disponibilizada aos candidatos, partidos e coligações de maneira proporcional pelos Tribunais Eleitorais de acordo com a legislação vigente. No entanto, isso não significa que não exista um custo altíssimo com comunicação de rádio e tevê. Não há campanha política sem custos de comunicação, que inclui estratégia, criação, profissionais de suporte, estruturas de produção, impressão de material de divulgação e todo o aparato de conhecimento do humor do eleitor, como pesquisas qualitativas e quantitativas. Isso tudo custa dinheiro. E cada vez custa mais. Quando você vê uma campanha de fora, não tem ideia de que aquela máquina é movida por centenas de pessoas que estão dedicadas em tempo integral àquilo. Essas pessoas precisam ter os equipamentos necessários, ser remuneradas, alimentadas, deslocadas. Todo esse custo em uma campanha é contabilizado como “comunicação” porque responde a logística da comunicação e marketing, sem a qual a comunicação pode até acontecer. Por exemplo, num estado como o Pará, com mais de 300 repetidoras de TV distribuídas por um estado com estradas precárias se você precisar trocar comerciais diariamente só poderá fazê-lo se tiver a sua disposição um up-link de satélite. Como no marketing comercial, há o custo para pensar o produto, produzir o produto e para distribuir o produto para os pontos de venda.

O Sr° diz que " O peso do corpo-a-corpo é inversamente proporcional ao tamanho do colégio eleitoral". Através de que meios pode-se inverter essa situação?

Chico Cavalcante - O peso do corpo a corpo em uma cidade com 20 mil habitantes é alto, porque você pode, com mil cabos eleitorais ou militantes, cobrir todas as casas e chegar a todos os eleitores. Mas isso não é possível em uma cidade como Belém ou São Paulo. Aí aumenta a importância da mídia de massas, que diminui a distância entre a campanha e eleitor. Não há como inverter esse cenário. O próprio marketing da forma como o conhecemos hoje – e o marketing político como decorrência – são resultantes de uma mudança no modo de produção e distribuição de mercadorias. As cidades, os aglomerados urbanos, geraram a necessidade de meios de comunicação de largo alcance que produziram, historicamente, os meios de comunicação de massas, primeiro o rádio (que decorreu do telégrafo e do telefone como meios de comunicação à distância) e depois a tevê, que decorreu dos meios de transmissão à distância do rádio e da imagem em movimento que surgiu com o cinema. Não há sociedades de massas sem meios de comunicação de massas e essa é uma tendência que jamais se inverterá.

No decorrer de sua trajetória no Marketing Político houve muitas mudanças nas estratégias de comunicação tradicionais com as de hoje, como o Sr° vê isso?

Chico Cavalcante - O marketing político evoluiu muito em 30 anos, do mesmo que evoluíram os meios de comunicação e as formas de representação política. Surgido nos Estados Unidos, primeiro era visto com desconfiança, especialmente pelas lideranças políticas que viam nos consultores uma espécie de intrusos nas campanhas eleitorais, um meio ambiente que o político imagina dominar. Hoje o marketing político e os consultores de marketing político já são reconhecidos como ferramenta útil. Essa evolução passou, no Brasil, basicamente por três momentos que foram proporcionados pela redemocratização do país: as campanhas de Fernando Collor (1989), Lula (2002) e Dilma (2010) mostraram a importância crucial do marketing político para o posicionamento de imagem e para a conquista da preferência do eleitor. Em termos de novas técnicas, a principal assimilação recente veio de onde o marketing político nasceu - os Estados Unidos. Foi o uso dos meios digitais, que se tornaram relevantes a partir da campanha de Barack Obama em 2008, candidato a presidente dos Estados Unidos que, em sua campanha, utilizou largamente as ferramentas on-line inclusive para recolher fundos.

Cite um diferencial de sua campanha em relação a campanhas de outras agências?

Chico Cavalcante - A primeira questão é que temos princípios: não fazemos campanha para causas ou pessoas nas quais não acreditamos. Não há dinheiro que pague a consciência da gente. Emprestamos nossa inteligência e nosso preparo para alavancar alguém a uma posição de poder e isso exige responsabilidade. Além do uso do argumento como centro da atividade de convencimento eleitoral e da emoção verdadeira, autêntica, como amálgama desses argumentos, o diferencial metodológico das campanhas que fazemos é o que conceituei como “comunicação militante”, um conjunto de ferramentas que desenvolvi a partir do ano 2000 e que consiste no uso de redes reais (e não apenas virtuais) para criar uma cadeia de difusão de mensagens que possa se propagar para além do espaço da mídia convencional. Essa prática prevê a formação de agentes de comunicação militante, que organizam o debate político e a organização de simpatizantes em ruas, bairros, associações de moradores, sindicatos, etc. A comunicação militante usa uma composição entre as formas de organização militante desenvolvidas pelas organizações de esquerda ao longo dos anos contra a ditadura, combinado com ferramentas de marketing de guerrilha – ações de baixo custo e alto impacto que inclui intervenções em mídias sociais, atividades de rua e mídia exterior diferenciada.

O Sr° pode citar uma campanha política sua de sucesso e quais foram os pontos fortes, e se houve alguma que não deu certo, quais foram os pontos fracos?

Chico Cavalcante - Aqui há que distinguir o que se entende por sucesso ou fracasso. Por exemplo, em 2002 fizemos a campanha de Maria do Carmo Martins, ou simplesmente Maria, que era candidata a governadora pelo PT. Maria nem aparecia nas pesquisas. Deputada estadual por Santarém, era completamente desconhecida em Belém. Ela disputou a eleição contra pesos pesados da política local, como Hildegardo Nunes e Simão Jatene, este apoiado pelo governador mais bem avaliado da história recente, Almir Gabriel. Maria não apenas foi para o segundo turno como perdeu a eleição por apenas 1,3% dos votos, tornando-se uma personalidade política estadual, vindo a vencer depois duas eleições para prefeita em sua cidade natal, Santarém. Ou seja, Maria perdeu a eleição, mas ganhou politicamente uma dimensão que não tinha. Essa é a função do marketing político bem feito: fazer com que o candidato saia de uma eleição melhor do que entrou. Ganhar ou perder depende de outras variáveis e não apenas do marketing político. Fiz a campanha de Camilo Capiberibe no Amapá, que hoje é governador do Estado, o mais jovem já eleito no Brasil. Fizemos uma campanha barata, com recursos modestos, mas com um discurso focado, dentre outros itens, no desperdício de recursos que a corrupção provoca. No meio da campanha, uma ação da Polícia Federal colocou atrás das grandes dois dos adversários e fez com que nossa pauta se tornasse a pauta de todos. É óbvio que isso nos ajudou a vencer, embora essa ação da PF estivesse fora de nossa governabilidade. Essa foi uma das variáveis que nos levou à vitória e que não dependeu do marketing, embora o marketing tenha se beneficiado disso.
Para falar de êxito eleitoral, posso dar três exemplos:
Em 1996, em Belém, vencemos a eleição para a prefeitura de Belém a partir de uma disputa em que o nosso candidato, Edmilson Rodrigues, aparecia nas pesquisas em quinto lugar, com risíveis 2% de intenção. Cresceu de maneira avassaladora e quase vence o pleito no primeiro turno, sagrando-se vencedor com quase 20% de diferença para o candidato da situação, apoiado pelo então prefeito Hélio Gueiros.
Em 2006, Ana Júlia foi candidata ao governo contra Almir Gabriel, o governador mais bem avaliado do século XX, que já acumulava em seu currículo a prefeitura de Belém, dois mandatos como senador, dois mandatos de governador e o feito extraordinário de ter conseguido eleger governador ao seu auxiliar Simão Jatene, que havia servido durante anos a Jader Barbalho e se notabilizou como um quadro da burocracia partidária, sem nenhuma experiência eleitoral anterior. Contra esse gigante - naquele momento Almir era um gigante - postou-se Ana Júlia, que vinha de uma derrota eleitoral para Duciomar, em 2004. Nossa estratégia foi de uma simplicidade franciscana: sabedores que a campanha tucana viria com uma exibição rotunda de obras (90% delas feitas durante o mandato de Almir, com quem o presidente Fernando Henrique nutria amizade pessoal), resolvemos ignorar a pauta da situação e criar outra: a do déficit social que se nutriu à margem das grandes obras. Nosso discurso foi bem sucedido e sem fazer qualquer promessa mirabolante, Ana Júlia destacou-se e venceu o pleito com cerca de 10% de diferença para o ex-governador. Em que pese o bom desempenho de 2006, em 2010, por razões que até hoje desconheço, não fui chamado para a campanha de reeleição da governadora.
Em 2008, Maria do Carmo, prefeita de Santarém, foi candidata a reeleição, mas apresentava índices de aprovação baixíssimos, devido fundamentalmente a duas questões: uma crise com os órgãos de imprensa, que passaram a atacar fortemente sua administração e uma carência de recursos ocasionada pelo discurso de oposição que manteve contra o governo do Estado. Assim, em 2008, o ex-prefeito por dois mandatos, Lira Maia, o adversário de Maria entrou no pleito com 36% de vantagens sobre a prefeita do PT. Aproveitando o tempo de TV para fazer um minucioso balanço da administração, fizemos do vazio de informação o elemento surpresa. As pessoas diziam “Eu não sabia que ela tinha feito tanta coisa”. No segundo momento, exibimos testemunhais verdadeiros de gente que havia sido diretamente beneficiado pelas ações de Maria, como as crianças das comunidades Quilombolas que agora podiam estudar na própria comunidade e antes viajavam quilômetros para poder assistir às aulas. Maria venceu com 14% de diferença, o que significa que cresceu apenas no período da campanha mais de 40%.

Com tantos casos de corrupção no governo, como um candidato poderia criar uma imagem política sem ser comprometida pela atual discredibilidade política vigente?

Chico Cavalcante - Antes de tudo é preciso enfatizar que a falta de credibilidade da política e dos políticos é nociva para a democracia. É perniciosa, porque induz setores da popular a crer que outra forma de poder, que exclui a política pelo voto e os políticos eleitos, pode ser melhor. Essa é a raiz das ditaduras e do autoritarismo. Resgatar a política e fazer dela uma ferramenta de cidadania é fundamental para a democracia. Entregue apenas aos políticos profissionais e ao achaque dos interesses privados, a política perde seu caráter de bem-comum e passa a responder a vontades inconfessáveis.
Em seguida, é preciso limpar o terreno: não é verdade que vivemos o período de maior corrupção no país. A verdade é que desde 2002 as denúncias de corrupção são amplamente informadas, não há censura; são apuradas, a polícia federal e o ministério público podem atuar, e os corruptos estão sendo repelidos do governo federal, porque não existe acoitamento do governo para com práticas antiéticas, como havia em governos anteriores. O caso mais notório é o das privatizações levadas a cabo pelos governos Fernando Henrique (PSDB), um escândalo internacional, assim como o da construção da ponte Rio-Niteroi e da Transmazônica durante a ditadura, ou mesmo a construção de Brasília, cujo valor inicial ultrapassou em 100 vezes o valor final da obra. Mas eram outros tempos e o silêncio vigorou. Diferente de agora, quando um caso de um funcionário dos Correios embolsando R$ 3 mil quase derruba um governo inteiro (2005).
Esse arejamento é bom para o país. Na verdade, a atividade política não é bem vista pela população em lugar nenhum do mundo, e não apenas no Brasil e em grande medida isso tem a ver com duas coisas: a) a população não sabe como a política funciona e nem qual o papel exato de cada instância de poder, por isso cobra soluções da prefeitura que cabem ao governo do estado e do governo federal o que cabe à prefeitura, por exemplo; b) a população brasileira acredita que a corrupção é um mal do Brasil e que pode ser combatida apenas com medidas punitivas, quando deveria ser combatida com ampliação do espaço democrático de participação, com o ingresso de cidadãos comuns na vida pública, com financiamento público de campanha, com voto distrital e com o fortalecimento dos partidos. A corrupção é um mal que precisa ser combatido em todo o mundo. “A corrupção política compromete as esperanças de prosperidade e estabilidade dos países pobres e prejudica a economia global”, já disse o grupo Transparência Internacional (TI) em seu relatório anual 2010. Este ano, o TI investigou os efeitos nocivos da corrupção política, em parte para destacar novos acordos internacionais, com a Convenção da ONU contra a Corrupção, para coibir tais práticas, e elaborou uma lista com os políticos mais corruptos de todos os tempos. No topo do ranking está o ex-ditador da Indonésia Suharto, acusado de desviar entre US$ 15 bilhões e US$ 35 bilhões nos 31 anos em que ficou no poder (1967 a 1998). "O abuso do poder político para ganhos privados priva os mais necessitados de serviços públicos vitais, criando um nível de desespero que gera conflitos e violência", disse o presidente do IT, Peter Eigen. "Isso também afeta o bolso dos contribuintes e acionários em todo o mundo. O problema deve ser enfrentado em nível nacional e internacional", disse. O relatório revela ainda que sete dos 10 países com índices de corrupção política relativamente altos são da América Latina - Argentina, Bolívia, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá e Paraguai. O Brasil não figura nessa lista. Eu diria que o denuncismo e a condenação sumária são tão ruins quanto a corrupção, porque minam a credibilidade política, levando a população a acreditar que toda forma de fazer política é suja e que todos os que lidam com política também o são. Uma vez, em uma palestra para 300 estudantes de comunicação em uma faculdade local, eu sugeri que eles analisassem seriamente a possibilidade de atuar marketing político. Uma parte dos presentes me vaiou. "Como assim atuar nessa coisa suja que é a política", me indagou um exaltado. Assim como os caçadores de bruxa da idade média, que achavam que a pronúncia de uma palavra trazia em si o mal que a palavra descreve, há pessoas que acham que fazer política, falar de política e atuar em eleições é, em si, algo ruim, eivado do mal que supõem ser intrínseco da política. Estão errados. A política não suja. São as pessoas sujas que sujam a política, que é a atividade humana mais produtiva que existe porque sem ela não haveria estado, democracia, justiça, direitos humanos e economia global. Foi a política, a prática política, que moldou o mundo como conhecemos, para o bem e para o mal. Abandonar a política e condená-la não ajuda o mundo a progredir, mas apenas entrega o destino de todos nas mãos de alguns poucos. Quantos mais de nós atuamos, mais a vida de todos pode ser melhor. Atuar em política é atuar com um produto nobre: a vida social e o futuro das gerações presentes.

A ética é um grande mote eleitoral?

Chico Cavalcante - É um erro fazer do discurso ético ou da retórica moral, uma plataforma eleitoral. As eleições discutem o presente e o futuro imediato - as práticas de estado e a gestão da coisa pública - enquanto a ética se preocupa com as normas de conduta atemporais, com a influência que o código moral estabelecido exerce sobre a nossa subjetividade e a moral discute os costumes. A ética deveria, então, nortear o ensino, a educação, a vida cotidiana, as relações familiares e não apenas a política no seu sentido corrente. Diferente da moral, que se fundamenta na obediência às normas de condutas, tabus e costumes pré-concebidos, a ética é a base do bem viver social. e tem a ver com a reflexão sobre o valor humano das ações sociais consideradas tanto no âmbito coletivo como no âmbito individual. Os que querem fazer da ética uma plataforma eleitoral pensam que a função da política é vigiar a política. Não é. A função da política é ética em si, porque objetiva trabalhar para o bem comum. A política reflete a ética social de dada época e de dada sociedade. Para mudar a política é preciso revisitar a ética daquela sociedade. Pessoas que furam fila, que atropelam e não socorrem, que param em fila dupla, que agridem mulheres e crianças, que desrespeitam o bem público, que fogem da participação e da solução dos problemas coletivos, que dão mal exemplo aos filhos, essas pessoas votam em políticos que refletem esse comportamento, que se identificam com sua ética. Não adianta tapar o sol com a peneira. Para mudar a política é preciso mudar os eleitores e eles mudarão a qualidade dos políticos que conduzem aos mandatos. Em uma sociedade organizada a tarefa de vigiar a política e os políticos cabe ao Ministério Público, à Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), além, é claro, da imprensa. A ética, portanto, tem que ser uma pratica de vida. Tem que estar nas casas, nas ruas, nas escolas, para chegar ao parlamento, aos palácios de governos, aos órgãos públicos. Digo sempre aos meus clientes que para se diferenciar dos corruptos não é preciso fazer muito esforço, basta não roubar, basta ser transparente, basta não ser conivente com as práticas ancestrais da pilhagem da coisa pública. Mas esse não é um conselho que o marketing se obriga a dar. Ou é uma prática do postulante ao cargo ou não é. Isso não nasce na política, nasce na vida e então se espalha para os aparelhos de poder e para os mandatários. Quando entro em uma campanha estou fazendo uma escolha ética. Se confio no político e conheço sua biografia, eu trabalho pra ele. Se não confio, declino. O dinheiro pode muito. Mas não pode nos dar um sono tranquilo se não estamos bem com a nossa consciência.

Segunda-feira, Março 05, 2012

Hóstia alucinógena


Don Achille, padre da igreja do Santo Espírito de Campobasso, na região central da Itália, foi obrigado a lidar com uma situação insólita depois que hóstias “alucinógenas” causaram comportamento hostil por parte de seus fiéis.
De acordo com o noticiário local, as hóstias podem foram produzidas com uma farinha contaminada com fungos que, em um processo semelhante a uma intoxicação alimentar, provocam reações alucinógenas semelhantes ao efeito do ácido lisérgico (LSD) em menos de um minuto.
Por causa dessa reação, Don Achille diz ter sido perseguido por duas idosas que o atacaram com bolsadas e gritavam que ele era “o demônio”. Para se proteger, ele foi obrigado de se trancar na sacristia e esperar por ajuda externa.
A agressividade, no entanto, não foi o único efeito que as hóstias alucinógenas causaram: alguns dos fiéis disseram ter visto santos e anjos e outros ainda se abraçaram com crucifixos e se recusavam a largar.
O fato pitoresco - e certamente recorrente, já que trigo está na base da alimentação humana desde a descoberta do cultivo -  foi abafado pelas autoridades, mas segundo o jornal Abruzzo24Ore, a retirada dos fiéis não foi nada tranquila. Foi necessária a intervenção da polícia local.
O cérebro humano é um campo fértil para demônios, anjos, santos e espíritos.

Sexta-feira, Março 02, 2012

Candidatos devem estar com contas aprovadas


Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovaram durante a sessão administrativa desta quinta-feira (1º) a resolução que trata da prestação de contas nas Eleições 2012. A principal novidade trazida na resolução deste ano é referente a exigência de aprovação das contas eleitorais para a obtenção da certidão de quitação eleitoral e, em conseqüência, do próprio registro de candidatura. A decisão foi tomada por maioria de votos (4x3).
Esta resolução define ainda as regras para a arrecadação e os gastos de recursos por partidos políticos, candidatos e comitês financeiros bem como para prestação de contas da utilização desses valores.
Quitação eleitoral
Ao apresentar seu voto-vista na sessão desta noite, a ministra Nancy Andrighi defendeu a exigência não apenas da apresentação das contas, como ocorreu nas Eleições 2010, mas também da sua aprovação pela Justiça Eleitoral para fins de obter a certidão de quitação eleitoral. A certidão de quitação eleitoral é documento necessário para obtenção do registro de candidatura, sem o qual o candidato não pode concorrer. De acordo com a ministra, não se pode considerar quite com a Justiça Eleitoral o candidato que tiver suas contas reprovadas.
“O candidato que foi negligente e não observou os ditames legais não pode ter o mesmo tratamento daquele zeloso que cumpriu com seus deveres. Assim, a aprovação das contas não pode ter a mesma conseqüência da desaprovação”, disse Nancy Andrighi ao reafirmar que quem teve contas rejeitadas não está quite com a Justiça Eleitoral.
Ela destacou ainda que existem mais de 21 mil candidatos que tiveram contas reprovadas e que se encaixam nessa situação.
Por essas razões, a ministra sugeriu a inclusão de um dispositivo na resolução para se adequar ao novo entendimento. O dispositivo a ser incluído já estava previsto na Resolução 22.715/2008 (artigo 41, parágrafo 3º) e prevê que “a decisão que desaprovar as contas de candidato implicará o impedimento de obter a certidão de quitação eleitoral”.
Na versão anterior, esse dispositivo previa que o candidato ficaria impedido de receber tal quitação durante todo o curso do mandato ao qual concorreu. Mas a maioria dos ministros decidiu não estabelecer o tempo do impedimento, que será analisado caso a caso.
Nesse sentido formaram a maioria as ministras Nancy Andrighi, Carmen Lúcia, juntamente com o ministro Marco Aurélio e o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski.
Artigo 54
Outra alteração inserida na resolução foi proposta pelo ministro Marco Aurélio em relação ao artigo 54. A redação deste artigo, que antes previa que nenhum candidato poderia ser diplomado até que suas contas fossem julgadas, agora será idêntica ao artigo 29, parágrafo 2º, da Lei 9.504/97.
O dispositivo prevê que “a inobservância do prazo para encaminhamento das prestações de contas impede a diplomação dos eleitos, enquanto perdurar”.
Essa alteração foi aprovada pela maioria formada pelos ministros Marco Aurélio, Marcelo Ribeiro, Carmen Lúcia, Nancy Andrighi e Ricardo Lewandowski.
A alteração foi necessária para que os candidatos não sejam prejudicados pela possibilidade de as contas não serem analisadas antes da diplomação, o que é de responsabilidade dos tribunais e não dos candidatos.
Regras
Entre as demais regras estabelecidas na resolução, está a exigência de requerimento do registro de candidatura ou do comitê financeiro para o início da arrecadação de recursos. Além disso, é necessário ter CNPJ
(Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) e conta bancária especificamente destinada a registrar a movimentação financeira de campanha.
A resolução também prevê as punições que serão aplicadas no caso de os gastos com a campanha extrapolarem os limites estabelecidos previamente pelo partido de cada candidato. De acordo com o parágrafo 5º do artigo 3º da resolução, o gasto além do limite ficará sujeito ao pagamento de multa no valor de cinco a dez vezes a quantia em excesso, valor que deverá ser recolhido no prazo de cinco dias úteis. O candidato que gastar em excesso também poderá responder por abuso de poder econômico.
Comitê financeiro
A resolução ainda determina que cada partido político deverá constituir comitês financeiros com a finalidade de arrecadar recursos e aplicá-los nas campanhas eleitorais. O prazo para a constituição desses comitês é de 10 dias úteis após a escolha de seus candidatos em convenção partidária. E, depois de constituídos, os comitês deverão ser registrados dentro de cinco dias perante o Juízo Eleitoral responsável pelo registro dos candidatos.
Doações
A norma aprovada especifica ainda as regras para as doações, inclusive pela internet, feitas por pessoas físicas e jurídicas. As doações podem ser feitas por meio de cheques cruzados e nominais, transferência bancária, boleto de cobrança com registro ou cartão de crédito ou cartão de débito. Caso as doações sejam feitas em depósitos em espécie, deve estar devidamente identificado com o CPF/CNPJ do doador.
Datas
As datas definidas para a prestação de contas de campanha estão previstas no capítulo II da resolução. Nos municípios em que houver apenas primeiro turno, os candidatos, partidos e comitês financeiros deverão enviar até o dia 6 de novembro de 2012 a prestação com a movimentação financeira referente ao primeiro turno.
Aqueles que concorrerem ao segundo turno deverão apresentar as contas referentes aos dois turnos até o dia 27 de novembro de 2012.

Oito lições de liderança de Nelson Mandela


Anos atrás a Times Magazine publicou um artigo intitulado “Oito Lições de Liderança”, baseadas nas lições de vida de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e ativista que ajudou a sociedade sul-africana a derrubar o Apartheid, o regime racista que vigorou no seu país por décadas e que distinguia brancos e negros dando à cor da pele status sociais distintos.
As lições, que reproduzo a seguir, são um resumo de seu modo e podem inspirar lideranças a construírem suas próprias lições:
1) Coragem não é a ausência de medo, é algo que permite inspirar os outros a irem além do temor.
2) Lidere na dianteira, sem nunca deixar de ter uma base segura atrás.
3) É vital saber liderar ao lado, fazendo com que os liderados acreditem que estão na frente.
4) Conheça o seu inimigo, particularmente os passatempos favoritos dele.
5) Mantenha seus amigos bem próximos e os inimigos mais perto ainda.
6) As aparências são muito importantes. E nunca se esqueça de sorrir.
7) Não é apenas branco ou preto. Veja sempre as outras possibilidades.
8) Sair também é liderar. Saber abandonar uma ideia, uma tarefa, ou uma relação é muitas vezes a mais difícil de decisão que um líder tem de tomar.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012

A DM9 e a nova forma de classificar o público-alvo

A agência DM9DDB fez uma pesquisa e criou essa nova categoria de análise do comportamento humano, focada no mundo digital. O vídeo cujo link acompanha este post é a introdução ao método, relacionando as categorias e a explicação de cada um dos grupos, que seriam:

1) Imersos: tiveram parte da sua identidade definida a partir da tecnologia;
2) Ferramentados: recorrem a tecnologia para agilizar as tarefas mas não a idolatram;
3) Fascinados: querem parecer modernos e tecnológicos;
4) Emparelhados: a tecnologia é fundamental para por em prática os projetos da vida;
5) Evoluídos: o universo das máquinas e tecnologia é seu habitat.

A classificação criada é polêmica. Como toda classificação. Pode ser algo relevante ou pode ser na verdade apenas mais uma das várias maneiras de se segmentar pessoas (o que é prática do marketing desde quando diabo era criança). O marketing (mercadologia) busca agrupar pessoas em segmentos para chegar perto da melhor maneira de "falar" com elas. Vale a busca, mas esses grupos são formados por indivíduos, que podem ter comportamentos distintos de acordo com uma quantidade infinita de variáveis. Isso porque somos seres irracionais (emocionais, já que a emoção é uma forma recorrente de romper com a racionalidade) na maior parte do tempo. Somos pessoas, afetadas pelo ambiente que nos cerca e pelos contextos onde atuamos. Somos nós, nossa biologia, nosso meio social, nossa posição econômica, nossa localização geográfica. Os recortes são sempre limitados. Sejam eles digitais ou analógicos.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=BIvkAtr1k2U

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

Manual do marketing de guerrilha

Meu livro "Manual do Marketing de Guerrilha" chega às prateleiras reais e virtuais das grandes livrarias do país. Lançado ontem pela editora Senac-SP, uma das maiores e mais importantes editoras de negócios do país, o livro é o mais atual e completo painel já feito no Brasil sobre o tema. Para quem ainda não sabe, o marketing de guerrilha é a forma de divulgação mais adequada a para um mundo que mudou da economia de produção em massa para a de produtos customizados, dirigidos para nichos específicos. Na obra, apresento em meio a profusos exemplos, as vantagens do marketing de guerrilha, seus conceitos norteadores e também como planejar uma ação que traga resultados melhores e a um custo bem menor do que uma campanha tradicional, sempre tendo como foco uma divulgação que levará à venda, à consolidação da marca e à criação de fluxos de informação em torno da marca.

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29428253&sid=1898642651429374547582246

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

É a economia, estúpido

Estudo divulgado por prestigiado organismo internacional de pesquisa econômica indica que o Brasil conseguiu arrebatar ao Reino Unido o sexto lugar na lista das maiores economias mundiais. O estudo, realizado pelo Centre for Economics and Business Research (CEBR) mostra também um avanço dos países asiáticos e um recuo dos europeus na tabela das economias globais.
Em entrevista à rádio BBC, o executivo-chefe do CEBR, Douglas McWilliams, confirmou que o fato faz parte de uma tendência, que se acentuou nos últimos dez anos. “Creio que é parte de uma grande alteração econômica, na qual não apenas vemos uma transferência de ocidente para oriente, mas também vemos países que produzem artigos essenciais – comida, energia e coisas do género – se desenvolverem e gradualmente subirem na tabela da liga económica”, disse McWilliams.
A imprensa tucana torceu o nariz para a notícia que chamou a atenção do mundo. O comentarista econômico Celso Ming, em seu blog no jornal O Estado de São Paulo, tentou minimizar o fato, alegando que seria "natural" que o PIB brasileiro ultrapassasse a soma de toda riqueza que "um país menor" produz, ou, em suas palavras, superasse "o tamanho da economia de países bem mais acanhados (sic) em massa consumidora e extensão".
Minc ilustra: "tamanho do PIB é como o tamanho de caneca. E o Brasil tem quatro vezes a população do Reino Unido e 35 vezes a sua área territorial".
Realmente as metáforas deveriam ser deixadas para profissionais.
Poucas vezes li opiniões tão estúpidas em se tratando de economia, uma área pródiga de análises, previsões e opiniões estúpidas.
Do alto de sua estupidez, a afirmação de Minc não resiste a nenhum exercício lógico. Se seu raciocínio fizesse algum sentido, a China e a Índia já seriam os países mais ricos do mundo há pelo menos dois séculos e o Pará e o Amazonas seriam, na atualidade, os estados mais ricos do Brasil. A simples adição de território e população nem sempre geram riquezas. Aliás, a regra e o bom senso têm sistematicamente negado essa ilação.
Lançada por um dos marqueteiros de Bill Clinton durante a campanha eleitoral que em 1992 interrompeu um longo reinado republicano na Casa Branca, a frase que dá o título à este post poderia ser um alerta a Minc e a seus pares de tucanato: enquanto o mundo afunda em sua pior crise econômica dos últimos 100 anos, o Brasil cresce com distribuição de renda. Está perfeito? Não, não está. Longe disso. Mas está melhor do que quando quem mandava no país mandava também em Celso Minc.