terça-feira, setembro 30, 2008

Factóides

Gustavo Fortes, da Espalhe, explica a origem do factóide em César Maia.

1. A expressão “factóides” foi criada pelo escritor Arthur Miller, e depois usada por Alberto Dines em um artigo quando trabalhava em Lisboa. Em 1991, quando o atual prefeito do Rio, realizava pesquisas sobre comunicação política, duas leituras, uma do livro de Katleen Jamieson (Comunicação na Era Eletrônica) e outra de um artigo de Stela Senra (O Último Jornalista) ajudaram a entender as razões de um fato se transformar em noticia. Uma delas - numa sociedade da imagem - é que os fatos venham carregados de imagem, tanto em relação a quem está no centro dele, como em relação a quem narra.

2. A busca de uma palavra que traduzisse isso o levou de encontro ao uso da expressão “factóide”. Numa reportagem sobre o prefeito, na revista Veja em 1993, o jornalista Alfredo Ribeiro, destacou a questão, exagerando. O titulo da matéria foi: “Governar é lançar Factóides”. O prefeito estava numa fase de testes. Havia conseguido emplacar diversas fotos em matérias onde estava no centro dos fatos, havia conquistado várias capas de jornais e revistas e introduzido nos programas de rádio em que era convidado, a narrativa através de imagens.

3. O excesso nestes testes terminou lhe valendo como interpretação: maluco… O desgaste valeu, pois se passou a ter uma tecnologia experimentada de comunicação política, desenvolvida e comprovada. Mas -talvez por preconceito- factóide passou a ter uma tradução equivocada. Do que é -um fato carregado de imagem- passou a ser percebido como -um pseudo-fato- que é coisa diferente. Já em 1996 o “Aurélio” o incorporava no dicionário. Mas a versão do factóide como pseudo-fato se tornou mais difundida.

4. A partir de um certo momento, editores passaram a ter um cuidado excessivo com as imagens que o prefeito carregava em seus atos e fatos, o que produziu uma exclusão desnecessária de várias matérias, numa espécie de atenção para que “ele não nos use”.

5. Toda essa introdução é para chamar a atenção dos políticos -pois precisam usar esta tecnologia, buscando a notícia através de factóides- ou seja, fatos carregados de imagem. Quando a imagem não carrega fatos, esta é percebida pelas pessoas de forma negativa, como alegorias vazias e até pseudo-fatos, negando o fato que se quer destacar. Por exemplo: quando o presidente vai a uma plataforma de petróleo e mostra as mãos com óleo ele produz um factóide, pois a imagem carrega ou expressa um fato efetivo que quer destacar. Mas quando o governador anda de triciclo em Berlim, ele provoca um efeito negativo, no máximo uma alegoria. Não há fato: a imagem está solta.

6. Muitas vezes quando um político busca a imagem sem se preocupar com o fato, ele oculta o fato. Por exemplo: numa inauguração da reforma do Maracanã, presidente e governador resolveram bater pênaltis. Conseguiram a imagem, mas ocultaram o fato. Na comemoração de um ano de funcionamento de um posto de saúde, o governador dançando com a esposa, destacou o dia dos namorados, mas ocultou o fato. O presidente quando coloca o chapéu do MST, legitima o MST. Quando coloca um boné na Bolsa de Valores de SP, oculta o fato. A foto deveria ser dele batendo o martelo como se faz em NY.

7. O prefeito na fase de testes cometeu esses erros algumas vezes. Inevitável para aprender. Mas com anos em que essas questões estão mais que analisadas e são amplamente conhecidas pelos publicitários em política, não se justifica mais, que continuem a ser cometidos. Que os factóides sejam factóides para valer. Que se saiba o que são e como se os deve comunicar. Para que as queimaduras de primeiro grau não se transformem em de segundo ou terceiro grau.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Carta do leitor

"Dominque Wolton, um dos mais renomados pensadores midiáticos franceses, em sua obra "Penser la Communication" alerta sobre os perigos dos excessos da segmentação nas televisões a cabo e o risco de perdermos nosso último elo democrático de comunicação comum. Assim como um dia abrimos mão dos conselhos tribais em volta das fogueiras, onde discutíamos os nossos problemas comunitários, agora podemos perder as nossas últimas referências sociais universais. Apesar de todos os erros e problemas, a TV aberta ainda é um meio com grande importância para a democratização da informação e para a socialização de uma programação universal. Para existir democracia, precisamos de objetivos políticos comuns, mas também precisamos de assuntos comuns para uma integração de experiências. Em outras palavras, precisamos nos manter em contato para uma formação de identidade pelos meios de comunicação de massa como a TV.
A expansão da internet, suas promessas de convergência de todos os meios e garantias de interatividade total, ainda demandam grandes investimentos por parte dos governos de países como o Brasil. Uma promessa dispendiosa para o futuro. Mas aceitar a inevitável degradação das TVs públicas e o fim prematuro de uma experiência tão promissora da rede de TVs públicas em nosso país, é limitar o nosso próprio potencial de crescimento instalado. A televisão aberta, pública ou privada, também pode ser um instrumento fundamental nas políticas culturais e educacionais brasileiras. Televisão comum não precisa ser sinônimo de baixaria, vulgaridade ou consumismo, assim como computador e internet não significam, necessariamente, cultura e informação. Segundo dados alarmantes, os sites mais vistos e mais lucrativos da rede ainda são os sites pornográficos, a baixara na internet. É essa a contribuição que tenho a dar sobre o debate do conflito de meios antigos e novos e gostaria de ver essa opinião publicada em seu blog, que é, para mim, uma das referências na área de comunicação.

Obrigado e bom trabalho.

Antonio Brasil Neto, professor de jornalismo."

Sun Tzu e a realidade do conflito

Sun Tzu foi um general, estrategista militar e pensador chinês que viveu no século IV AC. No comando do Exército Real de Wu acumulou inúmeras vitórias, derrotando exércitos inimigos e capturando seus comandantes. Foi um profundo conhecedor das manobras militares e escreveu os textos que ficaram conhecidos, no ocidente, como "A arte da guerra", onde agrupa observações e ensinamentos de tática e estratégia de combate e de logística de guerra. Aqui, Sun Tzu e a realidade do conflito, por ele mesmo:

"O verdadeiro objetivo da guerra é a paz. Na paz, preparar-se para a guerra; na guerra, preparar-se para a paz.
O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar.
Dominar a arte da guerra é fundamental para o Estado. Conhecê-la bem é questão de vida ou morte. A diferença entre segurança e ruína. Em nenhuma circunstância deve ser negligenciada.
Mova-se apenas se houver uma vantagem real a ser obtida.
Jamais repita as mesmas táticas que lhe deram uma vitória, procure variá-las segundo as circunstâncias.
Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...
Toda força militar tem o logro como base. Por isso, quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe; quando longe devemos fazê-lo acreditar que estamos perto. Preparar iscas para atrair o inimigo.
Fingir desorganização e esmagá-lo. Se ele tem forças superiores, evite-o.
Se seu adversário tem temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranqüilo não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado.
Os soldados capturados devem ser mantidos e tratados com bondade. Chama-se isso usar o inimigo aprisionado para aumentar nossa própria força.
Se as ordens de comando não foram bastantes claras, se não foram totalmente compreendidas, então a culpa é do general, porem se as ordens são claras e os soldados, apesar disso desobedecem então a culpa é dos seus oficiais.
A arte da guerra é governada por cinco fatores constantes, que devem ser levados em conta. São: a Lei Moral; o Céu; a Terra; o Chefe; o Método e a Disciplina.
A água modela o curso de acordo com a natureza do solo por onde passa; o soldado prepara sua vitória de acordo com o inimigo que está enfrentando".

Política, comunicação e persuasão

A palavra serve para exprimir ou comunicar uma idéia, um sentimento, um desejo, uma vontade, um conteúdo. Serve para explicar e para entender. Pode ser a lupa que descortina o conhecimento, a chave que abre portas e masmorras ou, como disse o poeta, o estilete dilacerador. A palavra é vida e é morte. A palavra é o signo que transporta o sentimento do mundo.
A arte de convencer pela palavra é muito antiga. Em sua forma moderna, a propaganda política foi inaugurada pelo bolchevismo, e especialmente por Lênin, o organizador, e Trotski, o intelectual que esgrimia a palavra como poucos.
Mas mesmo antes deles houve líderes que reconheceram sua importância. Napoleão Bonaparte foi um desses sábios guerreiros. Ele disse: "Para ser justo, não é suficiente fazer o bem, é igualmente necessário que os administrados estejam convencidos. A força fundamenta-se na opinião. Que é o governo? Nada, se não dispuser da opinião pública."
Mas foram Hitler e Goebbels que utilizaram com maior sucesso as técnicas de controle da opinião pública e, assim, acabaram dando enorme contribuição à propaganda moderna. Os fundamentos do que fizeram, teorizaram e formularam estão na base do marketing atual e da teoria do Posicionamento, a mais bem desenvolvida teoria de persuasão através do marketing e da publicidade, formulada por Jack Trout e All Ries.
Mas o que é propaganda? "A propaganda é uma tentativa de influenciar a opinião e a conduta da sociedade, de tal modo que as pessoas adotem uma conduta determinada", escreveu Bartlett, em Political propaganda. E qual a diferença, então, entre propaganda e publicidade? Jean-Marie Domenach, em seu clássico livro “A propaganda política”, responde: "A publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas."
Pesquisa de opinião pública encomendada pelo Ministério da Justiça e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ao Ibope mostrou que, para 30% dos pesquisados, a televisão é o principal veículo informativo e, para muitos, 28%, formativo. Ela é avaliada como uma importante fonte de atualização de conhecimentos e de entretenimento. No entanto, a maioria dos entrevistados, 57%, afirmou não se preocupar com o conteúdo da programação televisiva.
Poder de influenciar somado ao desinteresse pelo conteúdo dos programas. Eis aí a fórmula ideal para o controle da opinião pública.
A partir do momento em que se percebeu que o homem médio é um ser essencialmente influenciável, e que é possível mudar-lhe as opiniões e as idéias, os especialistas passaram a utilizar em matéria política o que já se verificara viável do ponto de vista comercial.
Assim, as campanhas eleitorais nos EUA – com suas "paradas", orquestras, girls e cartazes, que são um verdadeiro e ruidoso reclame – pouco diferem das campanhas publicitárias comerciais. Se você vai ao YouTube e digita "ad" (de "advertising") e o nome do candidato, verá centenas de peças de vídeo, oficiais e oficiosas, que usam os elementos presentes na publicidade comercial de qualquer produto.
"Os poderes destrutivos contidos nos sentimentos e ressentimentos humanos podem ser utilizados, manipulados por especialistas", disse J. Monnerot. E para isso são utilizadas leis específicas: as leis da propaganda ou da comunicação política. Já as publiquei aqui, mas penso que a conjuntura eleitoral exige que voltemos a elas, relancionando-as, inclusive, com as ações de marketing comercial, que ao longo do século XX foi se apropriando paulatinamente das ferramentas da comunicação política, transformando-as em eficientes mecanismos de abertura e manutenção de mercado.

Lei da Simplificação e do Inimigo Único

Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que se pertence ou o ódio pelo campo adverso. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os comunistas e judeus acabaram eleitos como "inimigo único" (usavam como exemplo Marx e Trotski, ambos judeus e comunistas); para os estadunidenses, eram os “comunistas” ao longo da Guerra Fria e hoje são os “terroristas”, um eufemismo para nominar os muçulmanos fundamentalistas, ou os "narco-guerrilheiros", outro neologismo, agora usado para desqualificar os movimentos de resistência armada ainda existentes na América Latina. Aliás, sobre a guerra suja anti-comunista nem tudo ainda veio à tona. Em 2001, a publicação de um livro de história que revelava o envolvimento dos EUA na morte de mais de 100 mil comunistas indonésios foi bloqueada pelo governo do presidente George W. Bush.
O livro, produzido com base a relatórios do Departamento de Estado, detalhava as atividades diplomáticas e de inteligência dos EUA na Indonésia entre 1965 e 1966. Ele mostrava que, durante uma ação sangrenta contra os comunistas, a Embaixada dos EUA em Jacarta forneceu às forças indonésias uma lista com nomes de líderes do PKI, o Partido Comunista Indonésio. A publicação também sugeria que o serviço secreto americano tenha contribuído para o assassinato de mais de 100 mil membros do PKI. Um exemplar foi obtido pelo Arquivo de Segurança Nacional, um instituto de pesquisa que luta pela publicação de documentos oficiais que deixaram de ser confidenciais, depois que o livro foi enviado a livrarias do governo acidentalmente. Segundo o arquivo, o livro diz que, em dezembro de 1965, Marshall Green, então embaixador dos EUA em Jacarta, ‘endossou um pagamento secreto de cerca de US$ 5.000 ao Kap-Gestapu, o movimento que liderava a repressão na Indonésia’.
A grande imprensa silenciou sobre os fatos e sobre os relatos.


Lei da Ampliação e Desfiguração

A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado correntemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos e omite os elementos estruturais do argumento contrário. A permanente campanha da imprensa contra o governo Lula, por exemplo, tenta jogar na conta do líder petista todas as crises que acontecem no país, incluindo a "crise aérea" fabricada pela greve dos controladores de vôo em busca de elevação salarial ou a crise separatista boliviana, que agrupa governadores contrários a Evo Morales, o índio presidente do país vizinho. Nesse caso, a imprensa alardeou uma crise de falta de gás de cozinha no Brasil, que não aconteceu, para em seguida falar em soberania nacional "em defesa" das ações da Petrobrás, que devem ser regidas por interesses comerciais, já que trata-se de uma empresa, e não de sentimentos patrióticos canalhas e oportunistas.

Lei da Orquestração

A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Goebbels dizia: "A Igreja Católica mantém-se porque repete a mesma coisa há dois mil anos. O Estado nacional-socialista deve agir analogamente."
Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu: "A propaganda deve limitar-se a pequeno número de idéias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das idéias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes. As alterações nela introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão.
Portanto, a qualidade fundamental de toda campanha de propaganda é a permanência do tema, aliada à variedade de apresentação.

Lei da Transfusão

A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais. É o que os oradores fazem quando querem amoldar uma multidão ao seu objetivo: jamais contradizem as pessoas frontalmente, mas de início declaram-se de acordo com ela.
A maior preocupação dos estrategistas (que os bolheviques chamavam de "propagandistas") reside na identificação e na exploração do gosto popular, mesmo naquilo que tem de mais perturbador e absurdo.

Lei da Unanimidade

Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismos, e se mantêm apenas por ter o indivíduo as impressões de que a sua opinião é espossada unanimemente por todos no seu meio. É tarefa da propaganda reforçar essa unanimidade e mesmo criá-la artificialmente. Em marketing comercial isso se chama "formação de fidelidade". Desde suas origens, as ações empreendidas pela Coca-Cola Company contribuiram para criar em torno de sua marca um alto indice de envolvimento e comprometimento do consumidor. E fez isso explorando convenientemente os valores mais predominantes na sociedade estadunidense e estabelecer profundas ligações da marca com quase todos os aspects de sua vida. Esse modelo aprofundou-se com a mundialização da marca, que passou a adaptar-se aos elementos que são universalmente entendidos como frescor, bem estar e felicidade.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Novas frentes de luta na comunicação

Autor de diversos livros basilares, como "História da Sociedade da Informação", "Diversidade Cultural e Mundialização" e do clássico "Para ler o Pato Donald: comunicação de massas e colonialismo", o belga Armand Mattelart, professor da Universidade Paris VIII, na França, é um dos mais ácidos críticos do monopólio mundial dos meios de comunicação e da indústria cultural. Leia aqui algumas de suas polêmicas posições.


Como o senhor vê a evolução das políticas públicas de comunicação no mundo? Os governos estão reféns da mídia?


A própria noção de "políticas públicas" no campo da comunicação e da cultura, como pregavam os países não alinhados às demandas da Unesco por uma Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação (Nomic), durante os anos 70, passou por uma travessia no deserto nas últimas duas décadas do século passado. As estratégias de ajuste estrutural e de desregulamentação a negavam, simplesmente.Tivemos que esperar o fim dos anos 90 e os primeiros anos deste século para que o imperativo das políticas públicas voltasse a ser ouvido nos debates sobre o ordenamento mundial da comunicação, apesar dos os governos continuarem muito reticentes.

Como se posiciona o movimento social neste contexto?

O movimento social teve um papel importante ao colocar na ordem do dia esta questão. Eu citava antes o posicionamento do movimento social na cúpula mundial da sociedade da informação. Poderia citar a formulação de projetos para a reforma dos sistemas de rádio e televisão que está emergindo na União Européia ou em vários países latino-americanos, da Argentina até o México, passando pelo Brasil. Estes projetos propõem a necessidade de repensar tanto o funcionamento do setor privado e do serviço público como de legitimar a existência de um terceiro setor, composto de meios comunitários ou associativos, livres e independentes.

O senhor está falando da comunicação popular?

Os atores da comunicação popular ampliaram suas perspectivas e já não se conformam só em reforçar suas redes e seu profissionalismo, mas se convertem num dos pontos avançados nas pressões que tendem a substituir estruturalmente o conjunto do sistema midiático e reabilitar a idéia do "público", alinhada com a declaração das organizações latino-americanas de comunicação, reunidas em Quito, em julho de 2004, por ocasião do Fórum Social das Américas: "Privilegiar a defesa e a promoção do público, porque o público permite o exercício da uma cultura deliberativa que confronta e aceita diversas posições para fazê-las dialogar e construir acordos baseados na discrepância sobre os conflitos que vivemos mas assumimos". Poderia referir-me também aos esforços desenvolvidos para instaurar políticas que preservem a "diversidade cultural" e o pluralismo dos meios.

Há avanços concretos nesta luta?


Sem cair no triunfalismo, penso que estão se abrindo novas problemáticas e frentes de luta no campo amplo da cultura. Em cada um deles, se assistiu à criação de redes cidadãs tanto em escala nacional quanto planetária. As iniciativas lançadas pela rede CRIS ou "Direitos a Comunicação na Sociedade da Informação" ou a "Coalizão para a diversidade cultural" o atestam.

Como os povos do mundo podem usar os meios de comunicação para dominar a mídia?


Temos que pensar na brutal assimetria dos receptores frente às empresas de mídia e eternizar contra-poderes, a fim de promover uma "ecologia da informação". É a filosofia da ação que motivou o lançamento, no segundo FMS de Porto Alegre de 2002, do projeto de uma "força ético-moral", encarnada em um observatório internacional dos meios (Media Watch Global). Este observatório está destinado a multiplicar-se através de observatórios nacionais, compostos por profissionais da informação, de todos os tipos de meios; de universitários e pesquisadores de todas as disciplinas, em particular especialistas dos meios e da informação; de usuários e observadores críticos da mídia e associações que os representam. Observar é também estudar as causas estruturais dos silêncios da cobertura midiática, a razão das censuras, das distorções, estar atento a todos os debates e iniciativas que concernem às estruturas dos meios. Observar não é só estigmatizar, mas suscitar propostas.

Como o senhor observa a ofensiva do capital financeiro mundial sobre a indústria da comunicação e do entretenimento?


É um fenômeno que responde a uma lógica global. A desregulamentação do sistema mundial de telecomunicações teve um papel nodal neste processo, pois aproximou as indústrias de conteúdos das indústrias de equipamentos. Este processo é aberto pela onda de choque originada nos Estados Unidos, em 1984, com o desmantelamento do quase monopólio do sistema doméstico, mas ganha realmente força a partir de 1998, com o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) que generaliza a "liberalização" das telecomunicações. A concentração alcança todos os setores das indústrias culturais, desde a imprensa, os livros e as livrarias até a rádio e televisão, passando pela indústria discográfica. Ela se reforça nos países que já possuíam altos índices de concentração e estréia nos países que pareciam constituir uma exceção.

Como esta concentração prejudica a liberdade de informação?

O problema é tamanho que até o Parlamento Europeu alertou sobre o risco que a liberdade de expressão e de informação correm com domínio de um punhado de grupos midiáticos e convocou os responsáveis da União Européia a elaborar uma diretriz que salvaguardasse o pluralismo dos meios, ameaçados pela concentração e a homogeneização crescente do modo de tratar a informação e seu conteúdo. Os atores do oligopólio incorporaram em suas estratégias a dimensão política dos debates internacionais sobre a comunicação e suas entidades representativas estão presentes em todos os lugares onde se discute a "nova ordem mundial da informação". E exercem pressões sobre os governos e as instituições internacionais com vistas a derrubar os marcos jurídicos que limitam as concentrações ou impedem as posições dominantes. Elas não toleram críticas a não ser as delas próprias.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) são um atalho para se democratizar a comunicação?

Não existe receita. O importante, me parece, é não se imolar sobre o altar das últimas tecnologias de informação e de comunicação. Apropriar-se delas mas sem ceder à amnésia que nos faz esquecer a longa e rica tradição de reflexão acumulada pelas experiências de usos populares de tecnologias anteriores, como o rádio, por exemplo.

segunda-feira, setembro 22, 2008

A egolatria multiuso de Olivetto

Com a falta de modéstia que lhe é peculiar, Washington Olivetto, o dono da poderosa agência WBrasil, está de volta à sua modalidade predileta de meta-existência: a super exposição na mídia, a invenção de histórias sobre si mesmo e a auto-construção de pautas positivas.
Em 2000, o publicitário disse para quem queria ouvir e para quem não estava nem aí para ele, que sua escolha como "publicitário do século" pela Associação Latino-americana de Publicidade e por uma enquete na Internet feita por profissionais do ramo foi mais do que merecida, arrematando com a frase: "Ganhar publicitário do século é fácil, ver o Corinthians ser campeão mundial de futebol, isso sim é relevante".
Inteligente, falante, fluente e influente, Olivetto ostenta pouco mais que 1,55 m de altura, mas é um dos grandes do meio, sendo um dos publicitários mais festejados do mundo - só no Festival de Cannes foi premiado 46 vezes.
Indubitavelmente, o brilhante dono da WBrasil é o inventor de um modelo de publicitário, aquele que brilha mais que suas campanhas. E teve seguidores, com destaque para Duda Mendonça, que deu mais entrevistas entre 2002 e 2004 que o próprio presidente Lula, fazendo muita gente crer que o mais importante líder sindical da nossa história e fundador do mais importante partido de esquerda do Ocidente havia sido "fabricado" por ele. Muita gente está disposta a acreditar em coisas inacreditáveis e disso vale-se o embusteiro, tenha ele na mão uma Bíblia, um mandato, um canal de TV ou apenas um comercial de 30 segundos.
É o próprio Olivetto quem explica seu método de construção de imagem: "Fui o primeiro publicitário a dar valor à exposição na mídia de maneira consistente e exaustiva. Tenho necessidade de estar na mídia o tempo todo, mas piloto para que seja o profissional, não o pessoal. Vou a todas as exposições mas não a vernissages, vou a todos os shows, nunca na estréia. Talvez isso explique minha visibilidade há 30 anos. Mas meus anunciantes estão o tempo todo nos veículos que cultuam celebridades. Se eu gravasse disco ou trabalhasse em novela, investiria nisso".
Já gravou disco, na verdade. A canção em que Jorge Benjor repete insistentemente a frase "Alô, Alô dabliú Brasil" é, na verdade, um jingle da agência de WO que, com reiteradas audições radiofônicas, forçosamente adentrou no cancioneio popular brasileiro - ainda que aquela lenga-lenga de duas notas tocadas toscamente por Benjor não possa, seriamente, ser chamada de música. É musak terceiromundista.
Ótimo contador de histórias, Olivetto inventou de si mesmo (seu principal personagem e sua marca mais querida) e repetiu mil e uma vezes uma história fantástica de que teria entrado na publicidade por acaso: "ia para uma das duas faculdades que fazia em São Paulo (e que não terminei). O pneu do carro furou onde havia uma pequena agência de publicidade chamada HGP. Eu era ruim para trocar pneus e então resolvi pedir um estágio. Disse ao dono da agência que tinha furado o pneu e que o meu pneu não furava duas vezes na mesma rua. Portanto, que ele devia me dar uma oportunidade porque senão era ele quem perderia a oportunidade. O sujeito achou engraçado e me deu uma chance. Tinha 18 anos."
Nenhum adulto, no pleno domínio de suas faculdades mentais, pode acreditar nessa bobagem, de um primarismo lógico exemplar, mas a imprensa nacional teima em reproduzir essa fantasia autoproclamatória como se fosse a realidade dos fatos. É por isso que vivemos em um mundo, como disse Carl Sagan, "assombrado por monstros e demônios".
Olivetto, enfadonhamente ególatra, aproveita-se da credulidade humana para avançar nas fantasias que constituem sua autobiografia.
Com uma boa agência montada em contas expressivas, um nome solidamente implantado no imaginário do negócio da comunicação, o empresário dedica-se agora a revigorar seu ego contando mais uma lorota que quer ver ganhar ares de verdade. E deve conseguir.
Afinal, como dizia Goebbels, uma lorota contada mil vezes ganha ares de verdade. E começa, às vezes, a parecer verdade. Especialmente se conta para isso com a boa vontade irrestrita da grande imprensa.
Na edição da revista Época de 22 de setembro de 2008, por exemplo, Olivetto supera-se e atribui a si mesmo simplesmente a "autoria"... de um ditado popular brasileiro que tem o tempo de existência da própria língua portuguesa moderna: "o primeiro... a gente nunca esquece". Cabem aqui palavras infindas: beijo, amor (nos vários sentidos da palavra), filho, namorado, namorada, marido, livro, carro, apartamento, emprego, etc, etc.
Tomada da cultura de massas e usada brilhantemente em uma campanha de sutiãs criada na década de oitenta pelo próprio Olivetto, a frase é na verdade de uso corrente, aquilo que chamamos comumente de "ditado" ou "adágio" popular. O mérito de Olivetto não foi o de "criar" a frase que já estava criada, mas de colocá-la no contexto do produto que pretendia vender.
Mas eis que Olivetto, inconformado com o limite que a realidade impõe, chama para si nada menos que a autoria da frase que faz parte do senso comum nacional. "O sentimento de afeto às primeiras coisas sempre existiu", admite ele no release publicado por Época. Contudo, vai além: "mas não essa formulação: "o primeiro a gente nunca esquece", que entrou para a cultura popular". Assim é, se lhe parece.
Como aqueles cantores e compositores extremamente talentosos que fizeram muito sucesso aos vinte e pouco anos e vivem hoje da reedição incessante de coletâneas com suas velhas canções, Olivetto está embriagado de nostalgia. E perdendo velozmente o senso de realidade.

sexta-feira, setembro 19, 2008

A república dos juizes e a ditadura da legislação eleitoral

Se está proibido usar outdoor na campanha eleitoral, transformar o carro em um outdoor ambulante também está. Com este entendimento, a Justiça Eleitoral de Mato Grosso decidiu multar e apreender os carros que foram totalmente pintados com propaganda eleitoral. Além de violar a legislação eleitoral, o “envelopamento” dos carros com propaganda estaria "ferindo" também a legislação de trânsito que não permite a "alteração das características físicas do veículo sem autorização prévia".
Adesivar um carro não provoca "alteração das caracteristicas físicas do veiculo" nem transforma um carro "em outdoor", como exibir uma projeção de um comercial de TV em um prédio não o transforma em uma tv. Parece óbvio pensar assim. Mas os óbvio não faz sentido na república dos juízes, onde a lei detalha até mesmo a distância entre uma pintura de muro e outra.
O abuso da interpretação da norma legal só não é superior às caracteristicas restritivas da própria legislação eleitoral em vigor. Isso para não falar que Tribunais Eleitorais são invenções made in Brazil que não encontram paralelo em nenhum país desenvolvido.
Nesse marco, o debate que a sociedade brasileira está devendo a si mesma é que as regras restritivas ao livre exercicio democrático nas eleições estão tirando o pleito das ruas e transferindo-o para os tribunais.
Com isso, as áreas de comunicação e de inteligência das campanhas começam a perder terrenos para os grupos cada vez mais numerosos de advogados e contadores, que passam a ser peças imprescindíveis em uma campanha eleitoral e depois dela.
É evidente aqui que quem legisla em nome dessas restrições legisla em causa própria.
A idéia, totalmente imbecil, de que essas limitações no exercício democrático se fazem em nome da "democracia", do "estado de direito", do "combate à corrupção", da "proibição do caixa 2" ou da "manutenção da ordem" carecem de fundamentos mínimos, já que considerar a exposição de outdoor nas ruas ou distribução de bottoms como estimulo à corrupção e, contraditoriamente, achar que contratatar milhares de pessoas para agitar bandeira nas esquinas não caracteriza compra de voto são argumentos que beiram a canalhice.
Com uma legislação restritiva cujo detalhismo lembra o didatismo da pedagogia dos que têm limitação de aprendizado, a crítica política tornou-se "calúnia e difamação" e perde-se tempo de antena até mesmo por dizer, no horário eleitoral, o que os periódicos dizem abertamente.
É a campanha do conformismo ou da crítica eunuca, que não penetra em ninguém e, portanto, não faz aquilo que as eleições deveriam fazer com principalidade: estimular o debate.
Você nem percebe, mas com essas restrições o Brasil está se tornando menos democrático e as eleições estão saindo das ruas e indo para a sala de jantar. A quem serve esse toque de recolher eleitoral é uma resposta que deve vir da reflexão de cada um.
Na prática, são restrições que esterilizaram o debate, encurtaram o tempo de campanha, impediram a exposição das candidatos em via pública e deixaram a campanha de rua reduzida a caminhadas e pequenos atos públicos ou, ainda, àquela patética exposição de hordas de famélicos balançando indolentemente bandeiras de tecido barato em troca de um prato de comida e de uma remuneração de 05 reais por dia.
Com isso, talvez involuntariamente, os magistrados aumentaram o peso da TV no mix de campanha, elevando os custos de produção e de mão de obra especializada e reduziram a fonte de informação sobre candidatos e propostas ao horário eleitoral "gratuito" no rádio e na TV.
Um tiro no pé da democracia. De bazooka. A torcida organizada da toga comemora seu irrestrito exercício de poder. A sociedade brasileira, que vive campanhas eleitorais tristes, conservadoras e monótonas, não. A democracia não respira ar tão rarefeito.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Viúva de Paulo Freire repudia Veja

Na edição de 20 de agosto de 2008 a revista Veja publicou a reportagem "O que estão ensinando a ele?". De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, a matéria de encomenda teria sido baseada em "pesquisa" sobre qualidade do ensino no Brasil. Eivada de derivações interpretativas de direita e longe de expor algum traço de jornalismo sério, lá pelas tantas encontra-se a seguinte pérola: "Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatra personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos
senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".
Paulo Freire, como Einstein, pode ser alvo de críticas. Mas a Veja não cita, por exemplo, que Einstein é acusado de plágio em setores da comunidade científica e está longe de ser uma unaminade. Mas sobre Paulo Freire, a revista derrama todo o ódio de classe que as elites nutrem contra quem luta para jogar luz na escuridão da desigualdade de oportunidades.
Entre os especialistas consultados pela reportagem está justamente um detrator do trabalho pedagógico do maior educador brasileiro, o filósofo de mercado Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um vil artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é "Ceausescu no Ibirapuera" e que tinha por objetivo demolir o trabalho de Paulo Freire como educador.
Sem citar o nome de Paulo Freire, ele fala de seu trabalho com um viés doutrinário de direita, utilizando a tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.
Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio à revista:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE - e um dos maiores de toda a história da humanidade, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico.
Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.
Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e
televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores aele feitas.
A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.
Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.
Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da caça às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em
todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar. Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças,
jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.
Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

segunda-feira, setembro 08, 2008

PT com toque de Vanguarda

A nova campanha criada pela Vanguarda Propaganda para o Diretória Nacional do Partido dos Trabalhadores centra-se no conceito "PT - o partido de Lula; e nele eu confio", que formata-se em uma assinatura única para todas as peças.
A idéia toma como ponto de partida as pesquisas que dão ao Presidente da República- Luis Inácio Lula da Silva, do PT - altíssimos índices de aprovação e de confiança do público e, portanto, do eleitorado.
As peças, seis ao todo, têm a base argumentativa assentada em dados do próprio governo federal relativos aos investimentos realizados e ao resultado real, que se graduz na melhoria da condição de vida da população. Aqui, como drops para apreciação em primeira mão, a peça que tem por tema "juventude e integração racial".
A criação é da Vanguarda, com direção de criação de Chico Cavalcante e produção da Makro Produções, de Goiânia.

video

Surreal

São quatro peças que falam por si só, com uma linguagem sofisticada regada por um primor técnico extremo na execução, que bebe diretamente no rio do surrealismo.
Assim é a campanha de mídia impressa criada pela TBWA New York para a linha de Flat TVs da Pioneer. A idéia é justamente remeter ao elemento sinestésico que há na interação entre ouvinte e música, quando a mediação é feita por um aparelho de alta performance e tecnologia de ponta.
Denominada "Seeing and hearing like never before" (em inglês, "Ver e Ouvir Como Nunca"), ela surpreende pela perfeição e ousadia.
Confiram aqui uma das obras.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Rabbit correndo mundo

Depois de 22 anos, a Volkswagen trocou a marca Golf no mercado norte-americano pela marca Rabbit (coelho, em inglês), nome inicial de lançamento do modelo nos Estados Unidos em 1974 e que acabou sendo substituído em 1985 pela marca global Golf.
A diferenciada agência Crispin Porter + Bogusky, de Miami, resolveu então criar uma campanha nacional para divulgar a volta da nova marca. Posters e outdoors foram veiculados nas principais cidades estadunidenses mostrando a volta da marca Rabbit ao lado de animais que viraram ícones e sinônimos das respectivas cidades.
Por exemplo, Nova Iorque com seus tradicionais ratos e pombos, Miami e seus ícones como os crocodilos e mosquitos, San Francisco e suas focas e gaivotas, e Los Angeles com seus indefectíveiis poodles e o coelhinho da Playboy. Uma campanha inteligente e criativa e de baixo custo de produção, para reposicionar uma marca em um mercado exigente e competitivo.