segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Guerrilha na sacola
Apesar da minha intolerância quase fundamentalista a publicidade de bebida alcoólica, tenho que tirar o chapéu para a agência búlgara da cervejaria Carlsberg, que criou uma campanha de marketing de guerrilha tão simples quanto consistente. Em diversas sacolas distribuídas por mercados no país, a empresa imprimiu uma imagem em três dimensões de uma caixa da cerveja Shumensko. A ilusão permite associar que a pessoa está carregando uma caixa de cerveja com facilidade e, assim, transformou os pedestres em cartazes que perambulam pelas mais diferentes regiões do país. O anúncio foi criado pela agência publicitária Noble Graphics Creative Studio, sediada em Sofia, na Bulgária, e é exemplode guerrilha, que são as estratégias normalmente utilizadas por pequenas empresas e que envolvem uma campanha publicitária eficiente e consideravelmente mais barata. A mobilidade é uma das características deste tipo de campanha, normalmente não utilizada por grandes empresas. A Carlsberg é uma cervejaria dinamarquesa fundada em 1847, com matriz em Copenhagen, na Dinamarca. Ela é presente em diversos países da Europa e do mundo, inclusive no Brasil, onde licencia para a AmBev a marca Skol. É, hoje, a quarta maior cervejaria do mundo.
O papel do slogan na campanha eleitoral
O slogan ainda é um item fundamental em qualquer campanha eleitoral, principalmente as candidaturas proporcionais, que têm a difícil tarefa de se diferenciar de centenas de concorrentes. Um bom slogan deve ser capaz de sintetizar a candidatura e a imagem do candidato em quatro ou cinco palavras fortes.
“A repetição exaustiva de quatro ou cinco palavras ‘quentes’, como por exemplo um adjetivo forte, em tudo que estiver relacionado ao candidato – discursos ou malas-diretas -, levam o eleitor a, inconscientemente, identificá-lo com elas… O slogan deve conter o contraste que favoreça o candidato” , afirma Rick Ridder, consultor do Partido Democrata dos Estados Unidos.
Vejamos a campanha de Barack Obama. Com o óbvio e pouco criativo “Yes, we can” (Sim, nós podemos), conseguiu traduzir o espírito de transformação que a sociedade americana desejava após oito anos de Bush, injetando auto-confiança em uma sociedade que padecia de queda da auto-estima com a perda de poder da outrora super-potência absoluta do planeta. O “change” (mudança) é ainda mais óbvio, mas abria-se uma avenida de significados quando acompanhava as principais peças publicitárias da campanha e reforçava a latente rejeição ao continuísmo representado pela candidatura de McCain. O mesmo slogan ("mudança") foi a peça de resistência da campanha de Ana Júlia Carepa ao governo do Pará em 2006, servindo de escada para a superação de 12 anos consecutivos de hegemonia tucana no estado.
O slogan é peça chave no “mix de marketing político” e deve ser condizente com a estratégia da campanha. Por exemplo, se um candidato a deputado estadual segmenta a sua candidatura geograficamente e escolhe uma cidade como seu principal reduto eleitoral, evidentemente que o seu slogan deve fazer referência a esta estratégia ou às demandadas dessa cidade. Se for uma região, a mesma coisa. Se for uma categoria profissional, idem.
Além disso, o slogan serve para classificar rapidamente a identidade de um candidato. Imaginemos um eleitor, vendo uma faixa de campanha de um deputado estadual com o seguinte slogan: Em defesa da Amazônia. Obviamente, o eleitor que não conhecia tal candidato, passará agora – no mínimo – a identificar a síntese da campanha, que estrategicamente tem a defesa da região e do meio ambiente como seu principal foco.
É necessário entender a cabeça do eleitor e o excesso de informações a que ele está exposto. Uma campanha eleitoral envolve centenas de candidaturas, com milhares de peças de propaganda, nos mais variados meios. E toda e qualquer peça publicitária de sua campanha deve ter o objetivo de identificar e gravar o nome e o número do candidato na cabeça do eleitor, fazendo prevalecer a sua mensagem, cuja síntese é o slogan.
domingo, fevereiro 07, 2010
sábado, janeiro 16, 2010
O fiasco de Copenhague pertence a Obama
O presidente estadunidense estava numa posição privilegiada para liderar o mundo no que respeita às alterações climáticas e desperdiçou todas as oportunidades.
Artigo de Naomi Klein
Ao contrário das inúmeras notícias, o desastre de Copenhague não foi culpa de todos. Não aconteceu por que os seres humanos são incapazes de estabelecer acordos ou são inerentemente auto-destrutivos. Também não foi apenas culpa da China nem das infelizes Nações Unidas.
Existe muita culpa para distribuir mas havia um único país que possuía um poder singular para mudar o jogo. E não o usou. Se Barack Obama tivesse ido a Copenhague com um compromisso transformador e inspirador para tirar a economia dos EUA da dependência dos combustíveis fósseis, todos os outros grandes emissores teriam seguido. A União Européia, o Japão, a China e a Índia indicaram que estariam dispostos a aumentar as suas metas de acordo, mas apenas se os EUA tomassem a iniciativa. Em vez de liderar, Obama chegou com metas embaraçosamente baixas e os grandes emissores imitaram-no.
(O "acordo" que foi arranjado à última da hora não é nada mais que um pacto sujo entre os maiores emissores mundiais: Eu vou fingir que estás a fazer alguma coisa pelas alterações climáticas se tu fizeres o mesmo por mim. De acordo? De acordo. )
Compreendo todos os argumentos sobre as promessas que ele não pode cumprir, sobre a disfunção do Senado norte-americano, sobre a arte do possível. Mas poupem-me a lição sobre o pouco poder que o pobre Obama tem. A nenhum presidente desde Frankin Delano Roosevelt (FDR) foram dadas tantas oportunidades para transformar os EUA em algo que não ameace a estabilidade da vida neste planeta. Ele recusou usar toda e qualquer uma delas. Vejamos as três maiores:
Oportunidade Desperdiçada número 1: O Pacote de Estímulo
Quando o Obama chegou à presidência, ele tinha mão livre e um cheque em branco para estabelecer um pacote de gastos no sentido de estimular a economia. Podia ter usado esse poder para determinar o que muitos chamaram o New Deal Verde - construir o melhor sistema público de trânsito e os esquemas mais inteligentes do mundo. Pelo contrário, tentou desastrosamente chegar aos Republicanos, baixando o tamanho do estímulo e estragando grande parte do mesmo em cortes fiscais. Claro, gastou algum dinheiro na impermeabilização, no entanto, os transportes públicos foram inexplicavelmente pouco modificados enquanto que as auto-estradas que perpetuam a cultura do carro ganharam bem.
Oportunidade Desperdiçada número 2: Os financiamentos da indústria automóvel
Por falar em cultura do carro, quando Obama tomou posse também se encontrou reponsável de dois dos três maiores fabricantes de carros e de todas as emissões pelas quais são responsáveis. Um líder visionário determinado em lutar contra o caos climático teria obviamente usado esse poder para reestruturar esta indústria ineficiente de forma a que as fábricas construíssem as infra-estruturas verdes de que o mundo tão desesperadamente precisa. Todavia, Obama assumiu o papel de um pouco inspirador em redutor-chefe de expectativas, deixando as questões essenciais desta indústria na mesma.
Oportunidade Desperdiçada número 3: Os financiamentos da Banca
Vale a pena recordar que, quando Obama chegou ao poder, também os bancos estavam de joelhos - houve um enorme esforço para nacionalizá-los. Mais uma vez, se Obama se tivesse atrevido a usar o poder que lhe foi entregue pela história, teria mandado os bancos fornecer empréstimos às fábricas para que estas se modernizassem e para que novas estruturas verdes fossem construídas. No entanto, ele declarou que o governo não devia dizer aos bancos falidos como gerir os seus negócios. As empresas verdes dizem que agora é mais difícil que nunca obter empréstimos.
Imagine-se que este três gigantes da economia - os bancos, a indústria automóvel e o pacote de estímulo - tivessem sido subordinados a um visão verde comum. Se tivesse acontecido, a exigência de uma lei complementar da energia teria sido parte coerente de uma agenda transformativa.
Tivesse ou não sido aprovada, na altura de Copenhaga, os EUA já estariam a caminho de cortar dramaticamente as suas emissões, inspirando, em vez de desapontar, o resto do mundo.
Foram poucos os presidentes dos EUA que desperdiçaram tantas oportunidades de uma geração como Obama. Mais do que a qualquer outro, o fiasco de Copenhague é responsabilidade sua.
Publicado originalmente no Guardian.co.uk, 21 de Dezembro de 2009. Tradução de Sofia Gomes
sexta-feira, janeiro 15, 2010
O poder dos blogs
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, acaba de lançar seu blog, seguindo o exemplo de outros governadores, como José Serra, Sérgio Cabral, Aécio Neves e Jacques Wagner, que contabilizam resultados positivos dessa relação direta com o público.
Por que os blogs são tão atraentes e demonstram tanto poder?
Em uma definição genérica, o blog é uma página da web, de fácil manipulação, fácil atualização e inserção de conteúdo, o que o torna uma fonte de informação especializada ou simplesmente um diário on-line disponível ao acesso público.
O blog proporciona um poder de comunicação bidirecional instantâneo, com um alto valor agregado, porque possui leitura agradável, custa muito pouco, é de fácil navegação, disponibiliza a troca de comentários e links, é personalizado e permite a criação de uma comunidade em torno de um tema ou de uma pessoa, uma fonte de informação sobre determinado assunto.
Os blogs podem ser usados para intensificação de ações de relações públicas, pois possuem uma comunicação aberta e de fácil acesso para jornalistas e mídia em geral.
Muitos opõem o Twitter aos blogs tradicionais, o que é um erro.
O Twitter tem origem nos blogs, mas, pela facilidade de acesso, redução de conteúdo e pelo uso diversificado, parece outra coisa. Aliás, a definição “micro-blog” usada para o Twitter ajuda a circunscrever o escopo de sua relação direta com os blogs tradicionais. O Twitter é o blog que tem pressa.
Blog é uma poderosa ferramenta de mídia, pois, ao mesmo tempo em que abre informação e cria em torno de si uma rede de usuários, simultaneamente agrega valor e fortalece marcas e imagens, tornando-a quem assina o blog uma referência no assunto ali abordado.
O que os blogs compartilham com a mídia tradicional é seu “poder de influência”, que tanto pode ser limitado a um punhado de fãs incondicionais quanto atingir centenas de milhares de pessoas todos os dias. Há casos em que os blogs especializados têm mais leitores do que, por exemplo, algumas revistas setoriais impressas.
Diferentemente de um website, o blog possui uma característica informal. Isso torna a leitura agradável, já que o excesso de formalidade poder dificultar a interação com público. O blog é, por natureza, um espaço de opinião e não uma vitrine virtual com finalidade exclusiva de promover uma publicidade direta.
Por que os blogs são tão atraentes e demonstram tanto poder?
Em uma definição genérica, o blog é uma página da web, de fácil manipulação, fácil atualização e inserção de conteúdo, o que o torna uma fonte de informação especializada ou simplesmente um diário on-line disponível ao acesso público.
O blog proporciona um poder de comunicação bidirecional instantâneo, com um alto valor agregado, porque possui leitura agradável, custa muito pouco, é de fácil navegação, disponibiliza a troca de comentários e links, é personalizado e permite a criação de uma comunidade em torno de um tema ou de uma pessoa, uma fonte de informação sobre determinado assunto.
Os blogs podem ser usados para intensificação de ações de relações públicas, pois possuem uma comunicação aberta e de fácil acesso para jornalistas e mídia em geral.
Muitos opõem o Twitter aos blogs tradicionais, o que é um erro.
O Twitter tem origem nos blogs, mas, pela facilidade de acesso, redução de conteúdo e pelo uso diversificado, parece outra coisa. Aliás, a definição “micro-blog” usada para o Twitter ajuda a circunscrever o escopo de sua relação direta com os blogs tradicionais. O Twitter é o blog que tem pressa.
Blog é uma poderosa ferramenta de mídia, pois, ao mesmo tempo em que abre informação e cria em torno de si uma rede de usuários, simultaneamente agrega valor e fortalece marcas e imagens, tornando-a quem assina o blog uma referência no assunto ali abordado.
O que os blogs compartilham com a mídia tradicional é seu “poder de influência”, que tanto pode ser limitado a um punhado de fãs incondicionais quanto atingir centenas de milhares de pessoas todos os dias. Há casos em que os blogs especializados têm mais leitores do que, por exemplo, algumas revistas setoriais impressas.
Diferentemente de um website, o blog possui uma característica informal. Isso torna a leitura agradável, já que o excesso de formalidade poder dificultar a interação com público. O blog é, por natureza, um espaço de opinião e não uma vitrine virtual com finalidade exclusiva de promover uma publicidade direta.
Não anistie os torturadores
Para assinar o Manifesto contra a anistia aos torturadores da ditadura militar, acesse este link: http://www.ajd.org.br/contraanistia_port.php
Aqui, a íntegra do Manifesto.
APELO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NÃO ANISTIE OS TORTURADORES!
Exmo. Sr. Dr. Presidente do
Supremo Tribunal Federal
Ministro Gilmar Mendes
Supremo Tribunal Federal
Ministro Gilmar Mendes
Eminentes Ministros do STF: está nas mãos dos senhores um julgamento de importância histórica para o futuro do Brasil como Estado Democrático de Direito, tendo em vista o julgamento da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que requer que a Corte Suprema interprete o artigo 1º da Lei da Anistia e declare que ela não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar, pois eles não cometeram crimes políticos e nem conexos.
Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia.
O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos da ditadura militar e é de rigor que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país.
A banalização da tortura é uma triste herança da ditadura civil militar que tem incidência direta na sociedade brasileira atual.
Estudos científicos e nossa observação demonstram que a impunidade desses crimes de ontem favorece a continuidade da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra as populações pobres.
Afastando a incidência da anistia aos torturadores, o Supremo Tribunal Federal fará cessar a degradação social, de parte considerável da população brasileira, que não tem acesso aos direitos essenciais da democracia e nesta medida, o Brasil deixará de ser o país da América Latina que ainda aceita que a prática dos atos inumanos durante a ditadura militar possa ser beneficiada por anistia política.
Estamos certos que o Supremo Tribunal Federal dará a interpretação que fortalecerá a democracia no Brasil, pois Verdade e Justiça são imperativos éticos com os quais o Brasil tem compromissos, na ordem interna, regional e internacional.
Os Ministros do STF têm a nobre missão de fortalecer a democracia e dar aos familiares, vítimas e ao povo brasileiro a resposta necessária para a construção da paz.
Não à anistia para os torturadores, sequestradores e assassinos dos opositores à ditadura militar.
Comitê Contra a Anistia aos Torturadores
PRIMEIRAS ASSINATURAS
Antonio Candido de Mello e Souza
- crítico literário
- crítico literário
Helio Bicudo
- jurista e ex-membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
- jurista e ex-membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Chico Buarque de Holanda
- cantor e compositor
- cantor e compositor
Leandro Konder
- filósofo
- filósofo
Fábio Konder Comparato
- professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
- professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
José Celso Martinez Corrêa
- dramaturgo, presidente da Associação Teatro oficina Uzyna Uzona
- dramaturgo, presidente da Associação Teatro oficina Uzyna Uzona
Frei Betto
- frade dominicano e escritor
- frade dominicano e escritor
Maria Rita Khel
- psicanalista
- psicanalista
Maria Victoria Benevides
- professora USP
- professora USP
Michael Löwy
- sociólogo (CNRS – França)
- sociólogo (CNRS – França)
Milton Hatoum
- escritor
- escritor
João Pedro Stedile
- coordenador do MST
- coordenador do MST
Marilena Chauí
- filósofa e professora da FFLCH a USP
- filósofa e professora da FFLCH a USP
Morre Daniel Bensaid
A esquerda socialista perde um de seus mais brilhantes pensadores ainda em atividade. Faleceu Daniel Bensaid, filósofo, militante político e dirigente do NPA (Novo Partido Anticapitalista) da França, organização que surgiu a partir da fusão da Liga Comunista Revolucionária (LCR) com pequenos grupos de esquerda.
Reproduzo aqui nota publicada por Franciso Louçã, dirigente do Bloco de Esquerda de Portugal, sobre a morte de seu companheiro de militância e amigo:
"Nascido em Toulouse há 64 anos, foi um dos dirigentes mais destacados do Maio de 68, sendo um dos iniciadores do Movimento 22 de Março, ao lado de Cohn Bendit e de outros ativistas.
Fundador da LCR francesa e depois do NPA (Novo Partido Anticapitalista), Bensaid acompanhou directamente a revolução portuguesa colaborando com a LCI e PSR e participando em comícios e outras actividades políticas nos anos de 1974 e 1975 e posteriores. Teve uma intensa cooperação com o Bloco de Esquerda desde a sua criação.
Publicou vários livros de ensaio político, de debate e de filosofia, sobretudo sobre Karl Marx, Walter Benjamim e o pensamento socialista contemporâneo, e afirmou-se como um dos mais importantes pensadores revolucionários dos anos do combate ao Império, à guerra e ao liberalismo selvagem que é o capitalismo realmente existente.
Foi também um amigo e um camarada, e lamento profundamente o seu desaparecimento. A paciência impaciente das suas ideias é um convite à resistência e à rebeldia: assim foi Daniel Bensaid, até ao fim, na luta contra a doença como na luta pela vida toda".
terça-feira, janeiro 12, 2010
Quem tem medo dos Direitos Humanos
O programa de Direitos Humanos apresentado pelo Governo Federal prevê, entre outras diretrizes, a consolidação de modelo de desenvolvimento sustentável com inclusão social e econômica e ambientalmente equilibrado, integração democrática entre Estado e sociedade civil, garantia de direitos humanos de forma universal, promoção dos direitos de crianças e adolescentes e combate às desigualdades estruturais.
Também prevê a transparência e participação popular no sistema de segurança pública e justiça criminal, prevenção da violência e profissionalização da investigação de crimes, garantia dos direitos de vítimas de crimes e proteção das pessoas ameaçadas, modernização da política de execução penal, melhoria do sistema penitenciário, prioridade para aplicação de penas e medidas alternativas às penas de prisão e promoção de um sistema de justiça mais acessível, ágil e efetivo.
Também prevê a transparência e participação popular no sistema de segurança pública e justiça criminal, prevenção da violência e profissionalização da investigação de crimes, garantia dos direitos de vítimas de crimes e proteção das pessoas ameaçadas, modernização da política de execução penal, melhoria do sistema penitenciário, prioridade para aplicação de penas e medidas alternativas às penas de prisão e promoção de um sistema de justiça mais acessível, ágil e efetivo.
Então por que a matéria está provocando tanta polêmica?
Simples. Porque religiosos ainda querem impor seus símbolos em ambientes públicos; porque ruralistas ainda querem criminalizar as ações políticas dos movimentos sociais no campo; porque torturadores e executores de militantes de esquerda durante a ditadura militar querem continuar impunes; porque veículos de comunicação querem ser proprietários de concessões públicas de rádio e tevê e não querem se submeter a nenhum tipo de fiscalização e controle, como existe em todo o primeiro mundo.
Para alguns, o Programa Nacional de Direitos Humanos expões o governo a um “desgaste desnecessário”. Para mim, expôs o verdadeiro espírito de esquerda que nutre Lula e seu governo: o de abraçar a boa luta e levantar as polêmicas necessárias para o avanço da cidadania.
Se você é a favor de um estado laico, de inibir a violência no campo e avançar na reforma agrária, de punir torturadores e assassinos fardados ou não e de inibir a ação irresponsável e descontrolado dos órgãos de comunicação, que querem continuar a manter concessões públicas como propriedade privada e hereditária, então você é a favor do Programa Nacional de Direitos Humanos de Lula.
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Frase
"Em 2010, a unica coisa mais difícil de vender do que um jornal será uma empresa jornalística." Michael Kinsley
quinta-feira, janeiro 07, 2010
Deu no New York Times
A Weatherproof Garment viu Obama em uma foto utilizando um de seus casacos. Sem pedir autorização, colocaram o homem em plena Times Square e já mandaram um slogan com trocadilho“A leader in style”.
Mas não é só. Para quem ninguém pudesse confundir o modelo na hora de comprar, apelidaram logo a peça de “the Obama jacket” em seu catálogo online.
A foto, que pertence a Associated Press, foi solicitada pelo CEO da Weatherproof em alta resolução. Ele então usou uma lupa para confirmar que o casaco era mesmo de sua marca, verificando o logo e o zíper.
A Casa Branca declarou que não autorizou o uso da foto, e o outdoor provavelmente não vai ficar exposto por muito mais tempo. De qualquer forma, serviu para colocar a Weatherproof Garment no NY Times.
Postado por Carlos Merigo, no Brainstorm9.
quarta-feira, janeiro 06, 2010
As Três Peneiras de Sócrates
Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates. Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que queres me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres me dizer é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, o que queres me contar não é verdadeiro, nem bom, nem útil. Assim, é melhor que o guardes apenas para ti.
- Espera um momento – disse Sócrates. Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que queres me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres me dizer é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, o que queres me contar não é verdadeiro, nem bom, nem útil. Assim, é melhor que o guardes apenas para ti.
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Propaganda sem mídia
Há 10 anos seria impossível acreditar que uma empresa se tornaria um case de sucesso sem ter como base um planejamento de mídia de massa. Atualmente os anuários e publicações especializadas estampam centenas de exemplos de organizações que conseguiram, através de estratégias bem elaboradas e com pouco dinheiro, atropelar concorrentes e serem reconhecidas pelo grande público. Dentre as ações que correspondem à estas empresas, salientam-se terminologias como marketing de relacionamento, marketing viral, marketing promocional e marketing de guerrílha.
Num primeiro momento parecerem termos complexos e difíceis de serem implementados no dia-a-dia, mas na prática, eles representam estatégias de marketing e comunicação extremamente focadas no público alvo, descartando a necessidade de grandes investimentos em compras de espaços publicitários ou mesmo com altos custos de produção.
É claro que a questão de verba pesa. Quanto maior for o investimento, maior será as opções de ações. Porém é possível realizar um planejamento de marketing no-advertising mesmo com pouca verba, principalmente se o que for comunicado for algo inovador. O mais importante é a empresa que está investindo, ter a consciência de que esta abordagem de marketing focado é composta basicamente por um ciclo. Claro que existem organizações que queimam etapas de um processo teoricamente correto, ou por falta de verba para investimento, ou por opção, no entanto sempre aconselhamos desenvolver o plano abordando todas as fases, onde o marketing interno prepara os colaboradores, que serão os disseminadores das informações, passando para o marketing de relacionamento que ajudará a entender a base de dados dos clientes, conhecendo o podendo modificar as suas ações, indo para o conceito de marketing promocional que é a ação externa em si, onde há a possibilidade de expor a marca e produto, e finalmente abordando o conceito de viral e guerrilha que auxiliarão no rumo que estas informações poderam tomar.
Pode-se afirmar que a maior vantagem do marketing focado em relação ao marketing convencional é o uso de canais e ferramentas alternativos à mídia de massa, como por exemplo a TV, possibilitando uma maior interatividade e proximidade da empresa com seus clientes ou prospects. Outra característica intrínseca a esta abordagem é a utilização da Internet como plataforma para atingir o público alvo, sejam através de e-mail marketing ou mesmo do orkut.
Se ainda assim, esta quantidade de conceitos e termos mercadológicos ainda ficou difícil de ser entendido, veja abaixo mais detalhes.
Marketing de Guerrilha
O marketing de guerrilha é formado pelos conceitos táticos. Realizar ações de alto impacto na sociedade, atreladas a um trabalho de assessoria de imprensa que gere notícias vinculadas a uma marca e/ou um produto, em forma de mídia espontânea.
Marketing Viral
O conceito do marketing viral é de um vírus que se espalha de forma invisível e incontrolável. São ações não-comerciais, onde a venda de um produto ou serviço não é explícito, acontecendo como conseqüência das informações que são geradas. Algumas ações de marketing viral: construção e manutenção de blogs e fotologs, mobile marketing (SMS), ações no orkut, criação de hot sites, participações em grupos de discussão, entre outros.
Marketing Promocional
Marketing promocional envolve algumas ações como blitz, eventos, feiras, merchandising, PDV, entre outros.
Marketing de Relacionamento
O objetivo do trabalho de marketing de relacionamento é trabalhar a base de dados dos clientes. Através de ferramentas de CRM e marketing direto, é possível rastrear e segmentar os clientes de acordo com ticket-médio, posição social, posição geográfica, equipe de vendas, etc.
terça-feira, dezembro 15, 2009
Dúvida mercadológica
Será que o grupo Pão de Açúcar comprou as Casas Bahia em 17 vezes sem entrada e sem juros?
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Polêmica campanha anti-Aids
Simbolizando a morte, a imagem do ditador alemão Adolf Hitler está sendo usada numa campanha de rua para alertar contra os perigos do sexo desprotegido e da aids, com a legenda: “A aids é um assassino em massa”, numa referência ao conceito do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que cunhou o termo “armas de destruição em massa” no estágio prévio à invasão do Iraque. A ideia foi de uma agência de publicidade alemã chamada Das Commitee, que criou cartazes semelhantes com outros ditadores, como o líder georgiano Josef Stalin ou o iraquiano Saddam Hussein.
Em todo o mundo, campanhas publicitárias com referência a doenças sexualmente transmissíveis ganham um ar sensacionalista, mas em geral recorrentes. É preciso admitir que, embora de gosto duvidoso, a campanha da Das Commitee dá o recado.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Cérebros à venda
Alguns suíços criativos juntaram-se para abrir uma loja chamada BrainStore. Sim, é isso mesmo. Uma loja onde você pode entrar e comprar... idéias. Se você estiver com pressa, recebe as idéias na hora. Se não, eles mandam depois para você. Criada por Markus Mettler, a loja de idéias nunca diz não a qualquer tipo de trabalho criativo – desde o que dar de presente para sua mãe até embalagens para novos produtos e lançamentos. O formato é inovador. O conceito não. As agências de propaganda fazem isso desde o século XIX.
48 Dicas de Marketing. Inteiramente grátis.
1. O pedido mais importante que você recebe do cliente, é o segundo.
2. Em mala direta, despenda 10% do seu orçamento em teste.
3. Compreensão e adaptação à motivação e ao comportamento do cliente não é uma opção, mas uma absoluta necessidade para sobrevivência competitiva.
4. Um bom catálogo dirigido a um público qualificado, provavelmente trará uma resposta de 1%.
5. Os custos decorrentes de um pedido, do momento em que ele é feito até seu despacho, devem ser processados e levados em conta. Este custo deve ser mantido abaixo de 10% do pedido.
6. Conheça o poder da repetição. Assegure-se de que sua mensagem é consistente.
7. Os dois erros mais comuns que as empresas cometem no uso do telefone é falhar na busca de resultados ou perseguir as coisas erradas.
8. As atividades de Marketing devem ser planejadas para aumentar lucros, não somente vendas.
9. Custa cinco vezes mais, vender a um novo cliente do que a um que já existe.
10. Vender o que seu cliente precisa, ao invés do que ele quer, pode levar a empresa à falência.
11. Não pense que a superioridade do produto, tecnologia, inovação ou tamanho da companhia, irá vender por si mesmo.
12. Não negligencie ou ignore o seu atual cliente enquanto persegue novos.
13. As pessoas não compram produtos, elas compram os benefícios e soluções que acreditam que os produtos proporcionam.
14. Qualquer campanha de mala direta custa US$ 1,25 por peça.
15. 96% dos clientes insatisfeitos com uma compra não voltam a procurar o produto.
16. 50% dos clientes que apresentam reclamações farão negócios novamente com a empresa, se as suas reclamações forem atendidas satisfatoriamente.
17. Observa-se que os clientes são mais propensos a falar de suas más experiências, do que das boas.
18. Marketing é um negócio de todos, não importando o título ou a posição na organização.
19. Propaganda exagerada pode produzir expectativas demasiadas que o produto ou serviço não poderá atender, gerando insatisfação nos clientes.
20. Procure conhecer o seu cliente preferencial - os 20% de usuários que respondem por 80% do consumo total desta classe ou categoria de produto.
21. Os resultados obtidos por contatos telefônicos são aproximadamente seis vezes maiores do que os obtidos por mala direta.
22. As duas maneiras de garantir uma performance superior, são: excepcional cuidado com o cliente através de serviço de qualidade e inovação constantes.
23. A Regra dos Terços: Em um catálogo, um terço da mercadoria venderá muito bem, um terço venderá bem e um terço vai fracassar.
24. Planos apropriados e trabalhos de pesquisa podem reduzir significativamente os riscos de falha do marketing.
25. Existem três fundamentos para as decisões de Marketing: 1) pesquisa, 2)experiência e 3) intuição. Nenhum é completo sem o outro.
26. Os vendedores deveriam despender 25% do seu tempo no mercado, ouvindo e aprendendo de seus clientes.
27. Cerca de 90% de todos os lançamentos de produtos, ou falham ou apresentam pequeno potencial.
28. A chave de manter a fatia do mercado é o profundo e contínuo compromisso com a satisfação do cliente.
29. O contato pessoal (conversa face a face) influencia mais o comportamento do que anúncios ou outras ações conhecidas de marketing.
30. Quanto maior a informação dada visualmente, através da observação ou demonstração direta do produto, maior é o impacto na estimulação do interesse de compra.
31. Ganhar a atenção do cliente é possivelmente o maior desafio que o vendedor encontra
32. A percepção de preço do consumidor é usualmente mais importante do que o preço real.
33. O cliente não depende de você, você é que depende do cliente.
34. Se você não está em contato com o seu cliente, alguém mais vai atrair o interesse dele.
35. Planeje a operação de negócio para a conveniência do seu cliente. Torne fácil fazer negócios com você.
36. Se seu cliente faz perguntas, seu catálogo não está cumprindo seu papel.
37. 40% das pessoas que recebem brindes podem lembrar-se do nome do anunciante por até 6 meses.
38. Os dois grandes erros em Marketing são: gastar demais e gastar de menos.
39. Lembre-se de que pequenas fatias de mercados gigantes podem ser prósperas e lucrativas.
40. Uma mala direta com sucesso dará retorno de pelo menos 2,2 vezes o que você gastou.
41. Identifique as suas vantagens competitivas e então focalize os seus esforços sobre elas.
42. Lembre-se sempre que é melhor prometer menos e oferecer mais.
43. É difícil gerenciar algo que não se pode medir.
44. Desenvolva estratégias de venda de repescagem: modos de vender novamente para os clientes através de atualizações, novas versões e produtos complementares.
45. Se você não pode ser o primeiro em uma categoria de produto, tente criar uma nova, para ser o primeiro nela. Marketing não é uma batalha de produtos, é uma batalha de percepções.
46. Ache maneiras de transformar seus atuais clientes em uma força de vendas.
47. A credibilidade e persuasão de seu esforço de marketing, cresce na proporção direta da quantidade de informação específica que você fornece.
48. Trate as transações de venda não como um fim, mas como o início de um relacionamento.
DEMsalão
O jornalista Luis Carlos Azenha deu, em seu blog, uma contribuição iniqualável para testarmos a seriedade da imprensa brasileira. Ele pergunta: "Será que esse dinheiro vai aparecer no jornal nacional?". É a senha para uma resposta que revela a metodologia de dois pesos e duas medidas praticada pelo jornalismo venal e politizado que se pratica no Brasil.
Referia-se aos muitos pacotes de cédulas de cem reais sendo guardados, por assim dizer, com carinho, por diferentes representantes partidários do governo do Distrito Federal, flagrados por uma câmera escondida por um dos membros da quadrilha.
Os videos, que correram mundo na internet, não ganharam o mesmo destaque nos telejornais que ganhou, por exemplo, a imagem de um dirigente dos correios embolsando três mil reais, cena que desencadeou a tentativa de golpe de estado conhecida por "mensalão" - um suposto esquema de compra de votos na câmera federal e no senado, mas que não identificou nem um deputado ou senador que, por ventura, tenha "entregado o produto", ou seja, tenha votado no governo a troco de dinheiro.
Os dois pesos e duas medidas estão nas manchetes dos jornais e tentam amenizar a história, circunscrevendo o caso politicamente ao grupo do governador José Roberto Arruda e geograficamente ao Distrito Federal. Com o PT não era assim. Não foi o PT "de São Paulo" que estava envolvido na suposta compra de um dossiê contra José Serra. Era o "partido do presidente Lula". Com o DEM, ameniza-se a dimensão da crise. Com o PT, amplia-se.
Mas a revista Veja, porta voz da direita brasileira, nacionalizava Arruda quando escreveu sobre o governador do DEM: "Depois de amargar uma imensa rejeição provocada por medidas de austeridade, o governador do Distrito Federal diz que é possível ser popular sem ceder às tentações do populismo". Era assim que se apresentava o governador que, na opinião da Veja, mostrava-se exemplar: "Numa cidade acostumada a conviver com exibições grotescas de todo tipo de privilégio e desperdício de dinheiro público, o governador chegou pela contramão. Demitiu funcionários, pôs as contas em ordem, tirou camelôs e vans irregulares das ruas, enfrentou grevistas e freou um processo histórico de invasão de terras públicas".
O herói da direita, cabo eleitoral de Serra, agora está no chão. E com ele, o discurso falsamente ético e verdadeiramente conservador que a ex-Arena, o partido da tortura e da ditadura militar, assumiu ao se nominar ironicamente de "Democratas". Sem santos, a não ser os de pau oco, ruiu o discurso da direita moralista. A pose de vestal beijou a lona no ringue virtual no YouTube.
Referia-se aos muitos pacotes de cédulas de cem reais sendo guardados, por assim dizer, com carinho, por diferentes representantes partidários do governo do Distrito Federal, flagrados por uma câmera escondida por um dos membros da quadrilha.
Os videos, que correram mundo na internet, não ganharam o mesmo destaque nos telejornais que ganhou, por exemplo, a imagem de um dirigente dos correios embolsando três mil reais, cena que desencadeou a tentativa de golpe de estado conhecida por "mensalão" - um suposto esquema de compra de votos na câmera federal e no senado, mas que não identificou nem um deputado ou senador que, por ventura, tenha "entregado o produto", ou seja, tenha votado no governo a troco de dinheiro.
Os dois pesos e duas medidas estão nas manchetes dos jornais e tentam amenizar a história, circunscrevendo o caso politicamente ao grupo do governador José Roberto Arruda e geograficamente ao Distrito Federal. Com o PT não era assim. Não foi o PT "de São Paulo" que estava envolvido na suposta compra de um dossiê contra José Serra. Era o "partido do presidente Lula". Com o DEM, ameniza-se a dimensão da crise. Com o PT, amplia-se.
Mas a revista Veja, porta voz da direita brasileira, nacionalizava Arruda quando escreveu sobre o governador do DEM: "Depois de amargar uma imensa rejeição provocada por medidas de austeridade, o governador do Distrito Federal diz que é possível ser popular sem ceder às tentações do populismo". Era assim que se apresentava o governador que, na opinião da Veja, mostrava-se exemplar: "Numa cidade acostumada a conviver com exibições grotescas de todo tipo de privilégio e desperdício de dinheiro público, o governador chegou pela contramão. Demitiu funcionários, pôs as contas em ordem, tirou camelôs e vans irregulares das ruas, enfrentou grevistas e freou um processo histórico de invasão de terras públicas".
O herói da direita, cabo eleitoral de Serra, agora está no chão. E com ele, o discurso falsamente ético e verdadeiramente conservador que a ex-Arena, o partido da tortura e da ditadura militar, assumiu ao se nominar ironicamente de "Democratas". Sem santos, a não ser os de pau oco, ruiu o discurso da direita moralista. A pose de vestal beijou a lona no ringue virtual no YouTube.
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