A oposição de direita desdenha, mas sabe o tamanho do problema e tem se demonstrado incapaz de provocar fatos e gerar um raciocínio político-programático capaz de seduzir o eleitorado. A crítica apenas, gera massa crítica, mas não seduz. Alckmin, uma caricatura convertida em candidato, vem tentando desqualificar o presidente com uma saraivada de lugares-comuns cujo efeito é zero multiplicado por mil. É inútil. Alckmin anda, mas está morto. Ninguém ri das piadas de um cadáver.

No final de semana, o defunto da Opus Dei criticou o desemprego e a violência, como se o tucanato não tivesse qualquer responsabilidade sobre isso depois de ter governado o país por longos oito anos; como se não tivesse governado São Paulo por 12 anos deixando para trás uma herança de desemprego, caos na saúde, educação sucateada e o comando da capital na mão da bandidagem. Alckmin não é adversário e isso é um fator relevante no cenário de reeleição que de descortina e de vitória acachapante do candidato petista.
Esse cenário pode mudar? Sem dúvida, mas para que Luiz Inácio Lula da Silva não seja reeleito para mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto, um dos adversários na disputa pela Presidência da República precisará protagonizar uma das maiores viradas eleitorais da história brasileira.
Em três das quatro últimas disputas presidenciais, o candidato que liderava as pesquisas a quatro meses da eleição foi eleito presidente. E a vantagem de Lula está, historicamente, entre as maiores.
A fortaleza de Lula está nos mais pobres. Portanto, sua força está concentrada em um eleitorado distinto daquele que o levou ao poder em 2002. Há quatro anos, o PT chegou à Presidência da República com o voto de maioria jovem, residente nas regiões metropolitanas, de classe média e nível superior. O melhor percentual de votos foi obtido na região Sul. Após a chegada ao poder, o eleitorado regionalmente se inverteu. A principal base de Lula hoje é nordestina, mais velha, com menor escolaridade e, sobretudo, mais pobre. Uma comparação entre a última pesquisa Datafolha e o levantamento feito pelo mesmo instituto em maio de 2002 mostra que houve uma troca do eleitorado entre as intenções de voto em PT e PSDB. Há quatro anos, a pesquisa mostrava vantagem de Lula de 17 pontos percentuais entre os eleitores com renda familiar mensal de até cinco salários mínimos. Na última pesquisa Datafolha, Lula alcança uma diferença em relação ao candidato tucano de 31 pontos entre o eleitorado que recebe até dois salários. No segmento entre dois e cinco salários mínimos mensais, Lula tem uma vantagem de 20 pontos. Já em seu tradicional eleitorado, a classe média, Lula perdeu espaço, o que era natural depois do linchamento a q

Enquanto obtém vantagem absoluta entre os mais pobres, que ao fim e ao cabo decidirão a eleição, o estrato mais rico da população é o único no qual Lula seria derrotado. Essa vantagem seria tremenda para Alckmin se a disputa fosse pela presidência da Fiesp, como não é, a probabilidade maior é que Lula sagre-se presidente com uma vantagem substancialmente maior que nas eleições de 2002. Para os analistas de ontem esse parecia ser o mais improvável dos cenários.
Sobrevivente de um massacre midiático jamais visto na história republicana brasileira, Lula seria presa fácil - pensavam os adversários sistemáticos do PSDB e PFL. Não foi assim. A população, ao que tudo indica, não apenas deu um salvo-conduto ao presidente como não

Decidida a primeira posição e estabelecida a distância entre Lula e os demais, resta saber quem pode envergar a bandeira de oposição. A alternativa a Alckmin no cenário da disputa é Heloisa Helena, do PSOL. Oradora bem dotada e porta-voz de alguns dos valores que estão na pedra fundamental do PT, sua candidatura aponta para o campo democrático e popular e poderia (ou poderá) se constituir em adversária maiúscula, trazendo Lula para um debate programático pela esquerda, desde que abandone o discurso panfletário e assuma para si não apenas a bandeira da esperança, aquela que Lula empunhou em 2002, mas sobretudo meia dúzia de consignas que façam sentido e não provoquem pânico nos setores médios. Irá fazê-lo? O futuro dirá.
Quanto a Alckmin, não há nada mais a fazer: está morto. Resta enterrá-lo. 2006 já era.