sexta-feira, setembro 14, 2007

Como escolher uma agência de comunicação

Uma grande organização utilizou a proposta de uma agência de comunicação como edital para uma concorrência. Outra empresa chamou cerca de duas dezenas de agências de comunicação para uma reunião de briefing, sem a devida transparência de como seria o processo de seleção. Além de difamar suas antigas assessorias de imprensa, deu dois dias para propostas, condicionadas ao melhor preço e a metas trimestrais de publicação de notícias, sem critério técnico de escolha.
Esses casos emblemáticos do atual momento em que vivemos ilustram métodos nada saudáveis para o setor, utilizados em boa parte das concorrências. Envolvem as melhores práticas, as questões éticas. A Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) iniciou esse debate, que agora se estende por universidades, agências, empresas e órgãos governamentais.
Por meio da publicação do guia "Como escolher uma agência de comunicação", procuramos orientar os diversos envolvidos, fornecendo inclusive ferramentas para concorrências mais objetivas.
Entre os pontos de destaque da publicação que mostram como escolher uma agência, mencionamos aos clientes que utilizem:
Indicadores - Alguns deles podem mostrar a qualidade do trabalho desenvolvido por uma agência de comunicação. Leve em conta o grau de continuidade que uma agência tem com o mesmo cliente, quantidade de trabalhos técnicos publicados por seus profissionais, histórico da atuação no mercado, atitude pró-ativa e práticas de renovação do conhecimento. Integrar os quadros da ABRACOM e da ABERJE é indicador de que a agência está comprometida com um código de conduta, com ética e boas práticas.
Comissão técnica - Escolher uma equipe que cuidará da seleção. Este grupo deve ter um administrador e ser composto por clientes internos ou por membros da organização que serão diretamente influenciados pelo trabalho da agência. Essa atitude cria respaldo, comprometimento e permite à agência uma visão mais global da empresa.
Objetivos claros - Estabeleça quais os objetivos da contratação. É preciso estar atento para não instituir alvos distantes demais ou objetivos fracos, como "espaço no jornal tal". Para chegar aos objetivos, pense no resultado almejado, nos públicos que pretende alcançar e nos fins. Defina exatamente qual será o papel e que características considera prioritárias.
Como convidar - Prepare um documento apontando o que você precisa que os concorrentes forneçam. Para que as agências possam desenvolver as propostas é funda¬mental o máximo possível de informações sobre suas ações de marketing, propaganda, relações públicas, além de identificação de seu público-alvo, dos segmentos em que sua organização atua e o montante de recursos de que você dispõe.
Forneça uma orientação completa sobre o(s) problema(s) enfrentado(s), a característica da solução aguardada e os públicos envolvidos. Explique como será a seleção, informando cada passo, o cronograma, reuniões, nome e formas de contato com o responsável por conduzir a seleção.
Lista de candidatas - Uma boa prática é convidar de três a cinco agências, sem esquecer de uma pequena lista com pelo menos duas suplentes. Um número maior pode sobrecarregar a equipe responsável pela seleção e prolongar demais o processo seletivo.
Quem se apresenta - Para apresentação das propostas, uma boa prática é ir até cada uma das agências. Isto permitirá à sua empresa conhecer a estrutura de cada concorrente, a equipe e um pouco da cultura. Identifique a capacidade da agência em atender suas necessidades e a experiência que ela acumula.
Feedback e transição - Dê um retorno tanto para a escolhida, quanto para as preteridas, sobre seus pontos fortes e fracos. Esta é uma ajuda valiosa para que as agências possam reforçar sua atuação e atender melhor. A seguir, trate do anúncio ao mercado do novo parceiro, da transição, caso você esteja trocando de agência, e do início dos trabalhos. Na transição, reúna a ex-agência e a nova, possibilitando a troca de informações importantes.

Por Pedro Cadina, diretor de comunicação da Abracom, sócio da Via News Comunicação e especialista em comunicação organizacional pela ECA-USP.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Guerrilha e desobediência civil

A indignação e a desobediência civil podem se valer da guerrilha como método de fazer barulho quando o silêncio cúmplice faz das agressões contra o cidadão uma constante. O Greenpeace já provou que a boa ação de guerrilha tem sempre uma causa boa por trás. Pedro Évora, um urbanista e cidadão inconformado com os delitos diários e ordinários, utilizou stickers para protestar e chamar a atenção para a sua causa. “Multado por mim” era a frase que estava nos stickers que o urbanista colou em carros cometendo infrações, em lixos na rua, estruturas em lugares proibidos, enfim, em todo tipo de delito que já nos acostumamos a ver nas nossas cidades e que já achamos normal. Segundo Pedro Évora, “MULTADO POR MIM é um manifesto individual contra o que nos incomoda, que nos agride ou consideramos errado. É uma ação totalmente civil, sem fins lucrativos e desfiliada de qualquer filiação partidária.”. Resultado: o protesto já foi notícia em diversos meios como Bandnews e JB Online. Baixe o sticker e contribua com o protesto.


Marketing de Guerrilha está na moda

Artigo do Gustavo Fortes, diretor de planejamento e criação da Espalhe, publicado no especial Internet - Publicidade 2.0 - do Meio e Mensagem da semana passada.

Marketing de Guerrilha está na moda. Todo mundo quer fazer um viralzinho, quer ter um blog corporativo, quer colocar um filminho no Youtube, fazer uma ação de C.G.C. (consumer generated content) e alguns até, mais ousados, querem fazer uma ação invisível, ou seja, sem assinatura da empresa. Que loucura! De olho na onda, algumas agências de propaganda, promocionais e de marketing direto estão montando áreas de guerrilha só para fazer este tipo de ação.
Para nós, profissionais de Marketing de Guerrilha, que sobrevivemos pensando guerrilha, isto é ótimo. Mostra que existe uma demanda potencial enorme pelo nosso negócio. Para nós, evangelizadores desta modalidade de Marketing, que estamos há alguns anos convencendo clientes a usarem estas ferramentas e apresentando o conceito por trás delas, isto é um pouco frustrante. Pois vendo algumas ações que estão pipocando por aí sendo chamadas de marketing de guerrilha, fica evidente que a grande maioria ainda não entendeu do que se trata.
O termo vem da guerrilha bélica, ou seja, com poucos recursos temos que lutar e ganhar uma guerra. O exemplo óbvio é o Vietnã contra os Estados Unidos. Os norte-americanos tinham porta-aviões e centenas de milhares de soldados bem armados. Do outro lado, os guerrilheiros vietnamitas tinham poucos soldados e armas menos potentes, mas potencializavam o que tinha com um grande conhecimento do terreno.
Voltando para a nossa realidade da comunicação, a guerra é pela atenção dos consumidores cada vez mais saturados de informação. Para lutar nesta guerra, as agências de propaganda contam com enormes verbas de mídia, a parte tida como mais nobre e importante do orçamento de marketing. As agências de promoções e marketing direto fazem a parte mais tática, com grandes verbas para imprimir papel e mandar pelo correio ou distribuir nas blitzen de bares e para fazer eventos grandes ou de relacionamento. Na guerrilha bélica, estas agências seriam os Estados Unidos.
Os guerrilheiros, do outro lado, precisam passar pra frente a mensagem dos seus clientes, por conceito, sem mídia paga, sem imprimir um milhão de malas diretas, sem fazer um evento no Ibirapuera. As armas de guerrilha são o boca-a-boca e a mídia espontânea. No marketing de guerrilha, o objetivo não é simplesmente informar. É fazer com que quem recebe a mensagem tenha vontade de passá-la pra frente. Seja numa mesa de bar, seja, no caso do jornalista, numa página de jornal, na revista, na tevê, no rádio.
Neste sentido, a Internet facilitou muito a vida dos guerrilheiros de marketing. Ficou muito mais fácil para o consumidor passar uma mensagem para frente. E com os blogs e redes sociais, a mídia nunca foi tão espontânea. E as ferramentas para fazer isso acontecer, entre outras, são o viralzinho, o blog corporativo, o filmete no Youtube e a interação nas outras redes sociais, a ação C.G.C. e a ação invisível. Mas fazer um “viralzinho”, um blog, usar o Youtube e outras redes sociais, fazer uma ação C.G.C. e um ação invisível não necessariamente implica em fazer marketing de guerrilha. A ação só será de guerrilha se for pensada com o objetivo de potencializá-la com boca-a-boca e mídia espontânea.
Vamos tomar como exemplo a ação feita pela marca Doritos no SuperBowl deste ano – sonho de consumo de 4 entre 5 profissionais do marketing. O campeonato tem o espaço publicitário mais caro do mundo. Se a empresa pedisse simplesmente sua agência para criar um comercial e veicular, a mensagem terminaria ali na veiculação dos intervalos do SuperBowl e ponto. Mas eles conceberam a campanha com base em guerrilha. Montaram um concurso de conteúdo gerado pelo consumidor (CGC) e colocou o melhor no ar no SuperBowl. A história ficou, assim, além do momento do jogo, do intervalo comercial. Gerou boca a boca e mídia espontânea, pelo ineditismo e inusitado – A mensagem “A Doritos comprou um espaço de 2,6 milhões de dólares na tevê e veiculou o comercial de um consumidor, de um João Ninguém, produzido com 12,79 dólares” foi repercutida na imprensa, blogs, redes sociais, nas mesas de bar nos Estados Unidos e no mundo.
Vocês agora podem pensar: Mas o cara gastou milhões e guerrilha é para ser com pouco dinheiro. Sim e não. Como disse acima, guerrilha é potencializar os recursos. No caso da Doritos, os recursos eram mais fartos, mas poderia ter sido subutilizado. Neste caso, ela multiplicou a repercussão, integrou a guerrilha com outras ferramentas de marketing e gerou um case. O mesmo raciocínio pode ser usado para uma empresa com recursos financeiros mais restritos. Usando pensamento de guerrilha, este recurso pode ser muito bem aproveitado.
A lição que fica é que não importa em qual área do marketing você está, se quiser fazer guerrilha autenticamente deve deixar de lado a forma de pensar tradicional e utilizar a criatividade de guerrilha. Aí sim vão poder dizer que estão fazendo marketing de guerrilha seja na agência de propaganda, seja na de marketing direto, seja na genuína agência de marketing de guerrilha.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Guerrilha de cair o queixo. Ou os olhos.

Guerrilha continua a ser usada mesmo por marcas que, a rigor, poderiam usar apenas a grande mídia, ocupando-a de maneira ostensiva. Vejam essa ação de guerrilha criada pela agência TBWA de Paris para divulgar o esportivo Nissan 350Z. Um modelo do automóvel foi estacionado em uma rua movimentada da capital francesa com centenas de olhos plásticos jogados na calçada à sua volta. A expressão "de cair o queixo", comum para nós, brasileiros, foi substituída por "cair os olhos", de tanto apreciar o novo modelo. A ação gerou grande recall e repercutiu gratuitamente em jornais e blogs pelo mundo inteiro.

Propaganda russa

A agência russa Propaganda, criou este impresso para autopromoção tirando “um sarro” dos anunciantes que acreditam que uma agência de propaganda não é necessária para o desenvolvimento de uma boa campanha publicitária. Se você pensa que são raros os anunciantes que abdicam de uma agência, é só a quantidade de lixo que se vê, travestido de propaganda, na TV, no rádio e na mídia impressa em nossos meios de comunicação. O feliz copy diz “Você acredita que pode lidar com propaganda por conta própria? Então não nos ligue no número 39-71-83. A ilustração sugere um recorte non-sense em uma área que, na verdade, não quer dizer coisa alguma. O toque sutil de ironia dá o tempero da peça, incitando os prospects a enxergar o valor de uma agência profissional de propaganda.

Dar um fim à bandalheira

Mais uma licitação para contratação de agência de publicidade promete empacar na Justiça. As agências de publicidade que ganharam e depois perderam, numa reviravolta pra lá de esquisita, a disputa nos Correios anunciaram que vão recorrer da decisão "até a última instância". A agência vencedora do certame foi a Casablanca Comunicações, de Belo Horizonte. A agência fez a campanha do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao senado em 2002. Os Correios são subordinados à pasta de Costa. Segundo o Ministério, as ilações sobre a ligação entre a agência e o ministro fazem parte de simples "guerra entre empresas"; o porta-voz do Ministério afirma que a empresa que fez a campanha de Costa foi a Setembro Propaganda, que também pertence ao presidente da Casablanca, o empresário Almir Sales, "mas é outra empresa". Contudo, na prestação de contas apresentada por Costa ao TRE, segundo a Folha de São Paulo, constam apenas notas fiscais da Casablanca e não da Setembro. A agência Setembro tornou-se nacionalmente conhecida por ter feito a campanha de Fernando Collor à Presidência, em 1989 e por ter seu proprietário, Sales, condenado por sonegação fiscal no bojo das investigações do caso PC Farias.
Mais uma manchete que coloca as agências em situação de terem que "se explicar". Mais um relato que nos coloca a todos, o mercado publicitário, sob suspeita. Quer saber? Cansei disso. Cansei de estar em um meio que é visto pela sociedade como parte de algo escroto. Não é assim. A publicidade, no Brasil e no mundo, ocupa um lugar de destaque na formação de público e na ordenação do consumo. Somos um negócio lícito e de grande utilidade para as sociedades de livre mercado. Acho que está mais do que na hora de, em nome da preservação do negócio da propaganda e da manutenção do lugar que as agências de publicidade ocupam no PIB nacional, de se estabelecer critérios objetivos na seleção das empresas prestadoras de serviços especializados em comunicação junto ao poder público. Infelizmente, as alternativas apresentadas pela Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) nem chegam perto de responder a essa necessidade, porque escondem atrás de medidas paliativas, um submarino, que é manter o privilégio das grandes agências.
Algumas medidas simples mudariam este quadro: 1) Fim dos critérios subjetivos, com a abolição da fantasiosa "proposta técnica", na qual as agências em disputa simulam campanha fictícia com base em um briefing evasivo. Este é o principal item onde ocultam-se as bandalheiras. Sem ele, tudo fica objetivo. Quem disser "mas como vamos avaliar o trabalho das agências?" está se auto-enganando. Todas as agências existentes no mundo têm capacidade para prover conteúdo e responder a um briefing. Todas! O resto, é avaliação subjetiva. E se é subjetiva, rompe com o espírito da Lei de Licitações, que, aliás, foi alvo de críticas mas que está, na letra, em perfeito acordo com o espírito republicano; 2) A análise da capacidade técnica tem que ser feita pela história das agências e/ou dos profissionais que a integram, como se faz, por exemplo, em uma licitação de obra de engenharia, que também agrega inteligência e alto conhecimento técnico para a execução da tarefa mas que não exige que a empresa entregue uma simulação de ponte ou de prédio para avaliar sua capacidade; 3) Portifólio, "cases" com relatos de solução de comunicação, capacidade de retenção de clientes e premiações substituem tranqüilamente a subjetividade da chamada "proposta técnica". 4) Por fim, democratizar o acesso à verba; aumentar o número de agências que atendem as contas em uma proporção que possibilite a uma agência, no máximo, autorizar R$ 10 milhões de verba pública por conta/ano. Isso levaria, por exemplo, uma empresa estatal como a Petrobrás a ter que contratar 50 agências para dar conta de sua demanda de publicidade. Isso geraria mais empregos, possibilitaria o soerguimento dos mercados regionais e a formação de uma gama de profissionais e empresas melhores para atender à demanda de comunicação de toda a sociedade. A iniciativa do Governo do Pará, de abrir o leque e ampliar o número de agências é exemplar e deve ser comemorado pelo mercado como a sinalização de um novo modo de ver e lidar com o orçamento público de publicidade. Que esse exemplo brote em solo firme e se propague. Seria o melhor para um mercado que reúne mais de 9 mil agências espalhadas pelo país, que geram mais de 47 mil empregos diretos e mais de 129 mil empregos indiretos.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Shopping não é lugar de compras

Paquerar, ir ao banco, encontrar os amigos, almoçar, levar as crianças para brincar. São tantas as opções de lazer e serviços dentro dos shoppings centers, que o estudioso do mestrado em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) Hugo Sandall levantou a dúvida: e as compras, como vão? Na observação feita com pouco mais de 44 mil pessoas em um shopping do Distrito Federal, uma média de apenas 14,8% dos clientes que olham as vitrines entraram nas lojas. “Pode ser que os shoppings não sejam mais procurados para a compra nas lojas, o que seria o motivo primeiro de ele existirem, passando a ser pontos de entretenimento e serviços”, sugere o pesquisador.
Sandall estudou o comportamento do consumidor diante de lojas de dois segmentos bastante visados, o da moda jovem e o da feminina. A idéia era entender a relação entre o fato de olhar para a vitrine e entrar na loja. Ao contrário do que muitos possam supor, os resultados mostraram que as lojas cujas vitrines chamam mais atenção dos consumidores não são as que mais recebem clientes. Os clientes olharam mais para as lojas femininas e entraram mais nas de moda jovem.
Segundo o especialista, que defendeu sua dissertação de mestrado em maio de 2007, apenas um novo estudo explicaria as razões desse comportamento, mas ele arrisca algumas hipóteses. “O ato de entrar ou não na loja é influenciado por muitas variáveis: se a porta é ampla, se a vitrine é vazada, o tipo de atendimento, e assim por diante”, explica.

quinta-feira, agosto 23, 2007

"There´s no such thing as a free lunch"

O título reproduz um ditado popular da língua inglesa, muito caro às ciências econômicas. Em português, "não existe almoço grátis", ou seja, no final alguém sempre paga a conta. Foi o economista Milton Friedman - um dos ícones das teses (neo)liberais - que popularizou o ditado.
Segundo
Friedman "ninguém gasta o dinheiro dos outros com o mesmo cuidado com que gasta o seu próprio". Partindo desse aforismo, Friedman defende com entusiasmo o livre-mercado como sendo mais responsável do que o setor público - leia-se o Estado -, na condução dos assuntos econômicos. A crise financeira que derrubou as bolsas no mundo todo nas últimas semanas contraria a tese de Friedman. No texto mordente do jornalista Clóvis Rossi, lembrando Martin Wolf, colunista-chefe do jornal britânico Financial Times, a crise financeira nada mais revela do que "um capitalismo para os pobres e socialismo para os ricos". Pergunta ele: "Não era feio dar dinheiro público para salvar empresas privadas em dificuldades? Se era, por que então ninguém critica a montanha de recursos que os bancos centrais dos países ricos puseram à disposição dos bancos para evitar a crise de liquidez"? Rossi refere-se ao fato de que tem sido a atuação conjunta de pelo menos seis bancos centrais importantes - Europeu, EUA, Inglaterra, Austrália, Japão e Canadá - que tem evitado o agravamento da crise ao socorrer com recursos públicos bancos privados. A crise financeira internacional recolocou em debate o conceito da moral hazard - risco moral. O capital gosta de utilizar esse conceito sobretudo quando se trata dos gastos públicos. A moral hazard sugere que as decisões sejam baseadas no incentivo à ética e na indução ao comportamento responsável dos agentes. "Sob este prisma, é difícil defender a ajuda de bancos centrais", avalia Alexandre Póvoa, da consultoria Modal Asset. Afinal, como justificar o fato de que quando o mercado está ganhando os lucros são privados e quando ocorrem perdas o prejuízo é socializado? A operação de salvamento por parte dos bancos centrais sinaliza para o conjunto da sociedade que na hora `h´ em vez de ser punido o capital acaba sendo premiado.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Frase

O teu cristo é judeu,
tua máquina é japonesa,
tua pizza é italiana,
tua democracia é grega,
teu café é brasileiro,
teus números são árabes,
tuas feições são latinas (...)
e tu chamas o teu vizinho
de estrangeiro



Carlo Giuliani

terça-feira, agosto 21, 2007

Faça Marketing de Guerrilha

Em 2000 publiquei o livro "Faça Marketing de Guerrilha", que sem a logística de nenhuma distribuidora ou de editora de renome (foi editado pela pequena Labor Editorial, de Belém), vendeu 2 mil exemplares apenas com propaganda de boca em boca e via internet. Uma nova tiragem foi feita apenas para atender a pedidos que não param de chegar de todos os recantos do Brasil. Depois de dois anos de interrupção, retomei agora a tarefa de reescrever o livro, que será transformado em breve no "Manual de Marketing de Guerrilha".
Para quem não leu, talvez seja útil um resumo das idéias que deram substância ao livro.
O marketing de guerrilha é uma modalidade de comunicação de marketi ng que parte da idéia de que, em um sociedade saturada de informação, o maior risco é ser ignorado. Assim, as empresas e instituições precisam fugir do conforto e buscar vantagens competitivas em soluções novas e não convencionais. Com custos mais baixos do que os da propaganda tradicional, a guerrilha e suas ferramentas podem ser boas alternativas de divulgação para empresas e ongs com recursos financeiros limitados.
Uma das estratégias é visibilizar sua marca através da geração de fatos que possam ganhar espaço nos noticiários ou atrair a atenção direta do público alvo sem pagar espaços publicitários nas mídias tradicionais como rádio, televisão, jornais e revistas.
Uma reportagem da tradicional revista inglesa "The Economist" traz alguns exemplos interessantes de idéias usadas na divulgação de alguns sites. Em Nova York, por volta de oito mil carteiras foram espalhadas nas calçadas de Manhanttan. Ao invés de dinheiro, cheques ou documentos, os curiosos de Nova York encontraram dentro das carteiras um cartão com uma mensagem e o endereço do site CharityCounts.com, criado para receber doações para instituições de caridade.
Um comboio de 20 carros amassados e soltando fumaça se arrastaram por ruas de Nova York e Los Angeles para promover o lançamento do Driver 2, um videogame de perseguição de carros. Mesmo as empresas tradicionais estão adotando este tipo mais ousado de propaganda. A Pizza Hut gastou U$ 1,25 milhões em um anúncio colocado em um foguete russo lançado ao espaço. A fronteira final também é tema de idéias pouco convencionais, como transformar a Lua em um imenso outdoor usando projetores potentíssimos.
De acordo com alguns especialistas, nos Estados Unidos, cada consumidor vê cerca de 1,5 mil mensagens comerciais diariamente. A crescente fragmentação causada pela quantidade excessiva de anúncios, diminui a eficiência de cada peça publicitária individualmente. Daí a necessidade de comunicar usando menos fórmulas convencionais e mais meios alternativos.
Outra vantagem do marketing de guerrilha, principalmente para as pequenas empresas, é o custo mais baixo. Distribuir brindes em locais freqüentados por seu público alvo, criar pequenos eventos para divertir e surpreender os futuros consumidores é infinitamente mais barato do que 30 segundos em horário nobre. Nas novas técnicas, a criatividade, ousadia, inteligência e planejamento são mais importantes que o dinheiro.
Mas, como sucesso de uma campanha de guerrilha depende de idéias originais, as besteiras são difíceis de ser identificadas antes de ganharem a luz do dia. A Mattel, fabricante da Barbie, pintou uma rua toda de cor-de-rosa para promover a boneca. A ação, obviamente, irritou os moradores. Os consumidores sentiram que seu espaço foi invadido e o tiro saiu pela culatra. As iniciativas devem ser muito bem pensadas e realizadas com cuidado para passar sempre uma imagem positiva, fixando sua marca de maneira simpática e original. Essa é a nossa proposta do marketing de guerrilha: fazer um barulho diferente. Furar o congestionamento do mercado, onde milhares de produtos gritam por atenção e posicionar a sua marca ali, na rua, lado a lado com o seu consumidor. Para vencer esta guerra, só utilizando as armas de guerrilha: agilidade, ousadia e surpresa.
Na ilustração, ação de guerrilha da Saatchi & Saatchi Polônia para a Anistia Internacional, em campanha pela liberdade de expressão.

A guerrilha on line do governo chinês

O governo da China criou uma "força especial de comentaristas on-line", cuja missão é tentar influenciar anonimamente a opinião dos usuários de internet com relação a temas controversos. O informação foi publicada pelo jornal chinês "Nanfang Zhoumou". Ao contrário dos Estados Unidos, que controlam a internet e monitoram os usuários de maneira secreta, Pequim tem lutado abertamente para estabelecer um controle sobre o uso da internet. Segundo dados oficiais, o país já tem 100 milhões de internautas.
Segundo o jornal, um grupo de "comentaristas on-line" já está atuando desde abril em Suqian, cidade da Província costeira de Jiangsu. Seu trabalho é defender o governo de comentários negativos que surgem em fóruns e salas de bate-papo na rede, restabelecendo "a verdade dos fatos". O Departamento de Propaganda de Suqian recrutou os comentaristas entre funcionários do governo, que, segundo o jornal, precisam "conhecer as políticas oficiais, saber teoria política e ser politicamente confiáveis", ou seja, precisam ser militantes.
Zhan Jiang, diretor de jornalismo da Universidade da Juventude da China de Ciência Política, desaprova o fato de os comentaristas escreverem anonimamente, mas admite que isso é comum e ocorre em outros países por iniciativa dos governos.
Nos Estados Unidos, as agências de inteligência mantém monitoramento remoto 24 horas por dia em sites e bate-papos que consideram "suspeitos". Se você pesquisa "Al Quaeda", "Comunismo" ou "Bomba" na internet, cai imediatamente na lista de triagem que o coloca como "potencialmente suspeito". Checagens regulares vão determinar se você é apenas um curioso fazendo uma pesquisa escolar ou um agente inimigo capaz de provocar dano ao império.
Em pelo menos três Províncias os governos municipais estão recrutando comentaristas on-line. Ma Zhichun é um deles. "Iremos guiar a opinião pública como usuários comuns da internet. Isso funciona muito bem", afirmou. "Não somos o primeiro governo [municipal] e nem seremos o último a ter comentaristas on-line. Todo o país está fazendo isso."
O Instituto Superior de Disciplina e Supervisão do Partido Comunista treinou, no ano passado, 127 comentaristas on-line --com a função de "fortalecer a função anticorrupção da propaganda na internet", diz o jornal.
Pornografia e prostituição vem sendo alvos de ação de censura do governo chinês. Milhares de sites com conteúdo pornográfico ou preconceituoso ou que divulguem informações que denigram a imagem da China são bloqueados, não podendo ser acessados no país. Só no ano passado, foram fechados cerca de 16 mil cibercafés que permitiam acesso à sites de prostituição, pedofilia e pornografia.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Mulheres, go home!

O Banco Real promove uma mudança em sua comunicação a partir de março de 2007, coincidindo com o Dia Internacional da Mulher. O eixo da mudança é a campanha publicitária que leva a assinatura “A gente não precisa ser tudo ao mesmo tempo. Seja você, seja real”. O departamento de marketing do banco diz que a intenção “é convidar as mulheres a pensar sobre os seus diversos papéis na sociedade”. A campanha tem um hotsite direcionado às mulheres, com espaço para “compartilhamento de histórias de vida e relato de experiências”. O problema não é a intenção manifesta, mas o gesto, por assim dizer, real.
A Campanha do Banco Real inscreve-se em uma sorrateira cruzada que objetiva provocar um retrocesso no comportamento autônomo das mulheres, mandando-as de volta para casa e para a cozinha. Enfatiza a culpa. Recicla o discurso de que a mulher deve "cuidar do lar e dos filhos", como dizia a cartilha da TFP.
Na campanha, um dos personagens, que se diz publicitária, afirma que batalhara muito por um lugar em uma agência, que estava bem no trabalho, mas que largou tudo para cuidar dos filhos e agora está mais feliz. O subdircurso é que o marido, provedor, mantém a casa, trabalha fora, enquanto ela voltou ao papel de “do lar”, ou seja, de “dona de casa”. É perturbador! Matérias nas revistas semanais já trataram do tema com essa mesma linha de abordagem, sempre com uma ênfase emocional que objetiva aumentar o sentimento de culpa das mulheres que optaram por trabalhar fora, ocupar seu lugar no mercado de trabalho e dividir com o homem as responsabilidades da casa. Matérias em emissoras televisivas também vão nesse sentido. Há uma orquestração vil nessa operação midiática reacionária.
Pensei que a velha idéia de que lugar de mulher é dentro de casa, cuidando dos filhos e esperando o marido para o jantar, já fazia parte do passado. No mundo contemporâneo, o sexo feminino tornou-se parte substancial do mercado de trabalho e cada vez mais conquista seu espaço na sociedade, incluindo os altos postos executivos tanto na iniciativa privada quanto na esfera pública. Essa nova realidade levou a indústria de bens duráveis a se modernizar e dedicar atenção especial às mulheres. Um exemplo é o setor automobilístico. O número de mulheres com carteira de habilitação aumenta anualmente e, no contexto nacional, hoje já chega a 30%. Há modelos desenvolvidos especialmente para mulheres. A mulher consumidora, na média, é detentora de 72% do poder de decisão de compra. É ela quem decide. Mas existem alguns segmentos em que esse poder é maior, por exemplo, na decisão de compra de casa, carros, bens de consumo não-duráveis. Nos não-duráveis elas chegam a ser 90%.
Metade da humanidade é mulher. A totalidade, filhos e filhas de mulheres. Em muitos países, elas são obrigadas a suportar dupla jornada de trabalho, a doméstica e a profissional, arcando ainda com o cuidado e a educação das crianças. Na América Latina, entre a população pobre, 30 por cento dos chefes de família são mulheres.
Isso aumenta mais ainda o meu espanto diante da cumplicidade de tantas mulheres com essa iniciativa que tem por objetivo final confiná-las no lar, conformadas com o papel de dependentes e alegres consumidoras de produtos e idéias produzidos por um mundo governado e ordenado pelos homens.
É verdade que não se precisa ser tudo ao mesmo tempo, mas porque ser escrava do lar torna-se, nessa nova cruzada reacionária, uma opção atraente?
Não se deixe enganar: o discurso de "volta ao lar" é, na verdade, uma tentativa de fazer a mulher retroceder à dependência financeira e emocional e ao açoite dos ditames masculinos; é um retrocesso pintado com tosco verniz de romantismo, que, aliás, sempre serviu para desvirtuar a vida real.

terça-feira, agosto 07, 2007

Leitura desafiante

Em tempos de demonização da política e na contra-mão da hegemonia neoliberal na América Latina, graças à qual têm vigorado
teses como as do pensamento único, fim da história e choque de civilizações
, vale ainda mais a pena ler estas vinte teses sobre política, dirigidas primeiramente aos jovens, que, segundo o autor, "devem compreender que o nobre ofício da política é uma tarefa patriótica, comunitária, apaixonante". Inspirado na recente experiência latino-americana de certa "primavera política", fruto do nascimento de novos movimentos sociais, o livro propõe a criação de uma nova teoria, "uma interpretação coerente com a profunda transformação que nosso povos estão vivendo", sob o desafiante século XXI. "É a hora dos povos, originários, excluídos. A política consiste em ter 'cada manhã um ouvido de discípulo', para que os que 'mandam, mandem obedecendo'."
O livro pode ser adquirido na próprio Editora Expressão Popular ao preço de R$ 12,00.
vendas@expressaopopular.com.br

quarta-feira, agosto 01, 2007

Golpe branco

Estamos às vésperas do retorno da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade [que antecedeu ao golpe militar de 1964]. Agora passa a se chamar Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros. Trata-se de uma fórmula mais elaborada, mais complexa, mas os objetivos são os mesmos: apear a esquerda do poder e recolocar a elite em posição de mando. O movimento foi lançado pela OAB de São Paulo, e conta com o respaldo de figuras importantes da Fiesp e da Associação Comercial paulista, e com a divulgação de televisões e rádios, por ora não melhor especificadas. A idéia inicial faísca no escritório de João Dória Jr., o Iconoclasta Mor, aquele que destruiu a pauladas o monumento dedicado a Cláudio Abramo, o grande jornalista, em uma pracinha do Jardim Europa. Ali desceu o Espírito Santo, e iluminou os primeiros carbonários da grana, unidos em torno do slogan: Cansei. Uma campanha publicitária, oferecida "de graça" por Nizan Guanaes, marketeiro de FHC e gênio da propaganda nativa de inolvidável extração tucana, mais badalado entre nós do que George Clooney no resto do mundo, insistirá em peças destinadas a expor o pensamento dos graúdos envolvidos: "cansei do caos aéreo", "cansei de bala perdida", "cansei de pagar tantos impostos". É do conhecimento até do mundo mineral a quem esses valentes senhores atribuem a culpa por os males que denunciam: nem é ao governo como um todo, e sim ao Lula, invasor bárbaro de uma área reservada aos doutores. Mas o presidente da OAB paulista, certo D'Urso, que já pediu o impeachment de Lula, diz que o movimento não tem conotação política. Enquanto isso, às sorrelfas, o pessoal pede instruções aos mestres. Alguns ligam para Fernando Henrique Cardoso, outros para José Serra. São os derradeiros retoques da tucanização da elite brasileira, a mesma que sentou-se em cima de um tesouro chamado Brasil e só cuidou de predá-lo, com os resultados conhecidos. Incompetência generalizada, recorde mundial em má distribuição de renda, baixo crescimento, educação e saúde descuradas até o limite do crime, miséria da maioria etc. etc. Acorda Lula, chama o teu povo!

By Mino Carta

terça-feira, julho 31, 2007

Tragédia e oportunismo político

Em 68 anos de vida - e muitas décadas de jornalismo pelo mundo afora - jamais havia testemunhado cobertura tão politizada (e vergonhosa) de uma tragédia. O caso do vôo 3054 deverá, no futuro, servir aos professores de comunicação como uma anti-receita de conduta em casos dessa natureza.
Até agora estou estarrecido com a edição maquiavélica do Jornal Nacional, na noite de 18 de Julho. A dor e o desespero das famílias foram transformados em uma peça de propaganda eleitoral. Apresentou-se a comoção, a "prova" sugerida e o "culpado" por tudo. Ultimamente, sempre que há mutreta e grave manipulação dos humores nacionais, verifica-se sempre a participação de um mestre oculto: o Sr. Ali Kamel, poderoso demiurgo das sombras a serviço das Organizações Globo. Na revista Veja e no jornal O Globo, esse homem de comunicação foi adestrado para a função que hoje executa com inegável competência: instaurar a desconfiança e destruir imagens públicas. Na quarta-feira, ainda que sobrassem indícios de que o acidente não tinha sido causado por problemas na pista de Congonhas, todos os telejornais da Globo insistiram na teoria. Depoimentos dissonantes, como o do professor Duarte, da UFRJ, foram grosseiramente limados, desemoldurados, para quem não fossem compreendidos e assimilados pelo público. A edição do Jornal Nacional de 18/07/2007 deve ser gravada e guardada. Em termos de distorção nada fica a dever àquela que reproduziu seletivamente trechos do último debate eleitoral de 1989. Mostrou gente desesperada, e arrancou lágrimas, até deste jornalista acostumado a ver o sofrimento humano. Em seguida, rumou para Brasília, a indicar solenemente o "culpado". Num trecho hard-core colocou na tela, como inquisidores impolutos, o rei das menininhas do Amazonas, senador Arthur Virgílio, e o sai-de-finho Raul Jungmann, que até agora não explicou a história do desvio dos R$ 33 milhões no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Não estranhamente, o Jornal Nacional de Ali Kamel desconsiderou duas entrevistas fundamentais à compreensão das causas do acidente: uma do presidente da TAM, Marco Bologna, e outra do superintendente de engenharia da infraero, Armando Schneider Filho. Motivo evidente: ambos descartaram a ausência do grooving como causa do acidente. No momento da exibição do Jornal Nacional, o planeta bem informado já sabia de outros detalhes fundamentais à explicação da tragédia. O avião havia percorrido a pista numa velocidade quatro vezes maior que o padrão na aterrissagem. Meu sobrinho me disse que seria como se alguém entrasse a 100 km/h no drive-thru do Habib's. O assunto também foi ignorado pelo JN. E por quê? Porque provocava fissuras no denso muro da tese vigente. Logo depois da tragédia, a Rede Globo de Televisão expediu seu "parecer técnico" determinando a causa da tragédia: a ausência das ranhuras na pista. Segundo esse raciocínio, a responsabilidade seria da Infraero e, por tabela, do Governo Federal. Conclusão final da Rede Globo e de Ali Kamel, repassada insistentemente a todos os brasileiros: Lula matara 200 pessoas! Como referência de informação, a Rede Globo contaminou o resto da cobertura, influenciando todas as concorrentes e oferecendo munição a todos os articulistas anti-governo, de Norte a Sul do Brasil. De Daniel Piza, do Estadão, a Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, todos se puseram a incriminar o Governo Federal. A bola de neve, ou de fogo, inflamou internautas em todo os País, e não somente estes, posto que gente na rua repetia nos pontos de ônibus e nos botecos a tese do "grooving" e do Lula assassino. Causa mais estranheza a rapidez com que a Rede Globo montou seu discurso acusador, logo convertido em "reconstituições por computador" que indicavam uma suposta derrapagem. Foi rapidíssima no gatilho e evitou que qualquer outra hipótese ganhasse força. Durante dois dias, pouca gente questionou essa teoria. Quem já pouso em Congonhas sabe que uma "derrapagem" não levaria o avião para o outro lado da Avenida Washington Luís. A Rede Globo de Televisão, de Ali Kamel, construiu, portanto, aproveitando-se da tragédia, uma poderosa peça publicitária eleitoral. Manipulou, distorceu, comoveu e incitou o ódio contra o Presidente da República. Por vezes, sutilmente; por vezes, com agressividade. Cabe ao povo brasileiro decidir, na próxima renovação de concessão, de que maneira se pode coibir a utilização do corredor público de ondas para fins eleitoreiros, ou golpistas.

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Mauro Carrara

segunda-feira, julho 30, 2007

Não há vagas

Esta semana é a volta às aulas na maioria dos 791 cursos de comunicação existentes no país, segundo levantamento realizado por Nelson Cadena (Almanaque da Comunicação), 241 deles no estado de São Paulo. Estes números referem-se apenas a cursos de comunicação presenciais; não relacionamos nesta estatística os virtuais, hoje se multiplicando por todo o Brasil. A maior oferta é dos cursos de publicidade e propaganda, disponíveis em 359 faculdades. O curso de jornalismo, por sua vez, é disponibilizado em 268 faculdades, o de relações públicas em 93, radialismo 47, editoração 14 e cinema 10. Quanto ao número de alunos o blog do Cadena não tem números precisos, apenas estimativas. A avaliação é de que hoje no Brasil há em torno de 180.000 estudantes de comunicação social, o que significa uma demanda de 45.000 novas vagas, no mercado, por ano. Confira outros indicadores da pesquisa: são 791 cursos disponibilizados por 424 faculdades; 86,2% dos cursos são de faculdades particulares; 13,8% dos cursos são de faculdades públicas; a oferta de cursos em Minas Gerais é de 71; a oferta de ursos no Amapá é de 1 e no Acre 2. Mesmo com uma economia em fase de crescimento e um mercado aquecido, não há lugar para todos esses jovens no mercado de trabalho. As agências de propaganda do país são incapazes de absorver sequer 5% dessa demanda anual por postos de trabalho. Um dado que talvez faltasse pesquisar é a razão pela qual em um país onde faltam tantos médicos, professores e engenheiros, a juventude inclina-se, grande monta, para a publicidade e propaganda.

Lauande

Toda perda de vida humana é irreparável. O que dizer quando quem se vai é um amigo, um pai de família, um intelectual, um lutador levado de maneira brutal pela mão da ignorância, da falta de respeito ao outro? O que dizer quando quem se perde tem tanto a dar quanto um homem comprometido com ideais humanistas de justiça social e igualdade de direitos?
A última vez que encontrei com Eduardo Risuenho Lauande foi em minha agência, no Village Empresarial. A noite avançava e conversávamos longamente sobre política, um de seus/meus temas prediletos.
Antes de sair, pediu que eu autografasse para ele um exemplar de "Trotski: a paixão pela utopia", biografia do revolucionário russo que publiquei no ano 2000. "Eu comprei um exemplar, mas um amigo para quem o emprestei ficou com ele. Não tive coragem de pedir de volta", disse sorrindo. "Teu livro mudou meu ponto de vista sobre Trotski", concluiu o ex-militante do PCB, formado na escola política que demonizava o pensamento de Liev Bronstein.
Nos despedimos com um abraço e uma promessa de um novo encontro em breve. Esse encontro não ocorrerá.
Eu estava voltando de uma brevíssima viagem de férias quando soube que Lauande havia sofrido um assalto e que teria sido baleado. No sábado, a pior notícia: "Chico, o Lauande faleceu", dizia, do outro lado da linha, um amigo de longa militância.
Lauande, 41 anos, foi baleado quando chegava em casa, ao tentar defender a mulher de um assalto, no bairro da Marambaia, na abandonada cidade de Belém.
O que dizer? Nada mais. Esse é um daqueles casos em que as palavras simplesmente não bastam.

quarta-feira, julho 04, 2007

O que é, afinal, marketing político

O marketing transformou-se em um instrumento indispensável para a sobrevivência das empresas e das instituições. Segundo o papa do assunto Philip Kotler, marketing é “a atividade humana dirigida à satisfação das necessidades e desejos através de um processo de troca”.
Toda campanha política é uma ação de marketing e como tal necessita de uma gama de criadores, onde cada passo é uma nova criação. A criação nasce do confronto. Opor-se a seu cliente é uma necessidade profissional. Todo político é muito cortejado, não há candidato sem cortejo. Os seus assessores e aqueles que andam muito próximo a ele o cobrem de louvores que o sufocam e o distanciam da realidade. Mas, ainda assim, existem políticos que, mesmo cercados de incompetentes assessores, bajulados o tempo todo, não conseguem abrir os olhos e enxergar a realidade à sua volta. Não conseguem sequer, perguntar para si mesmos, que produto estão oferecendo, que idéia estão transmitindo e que percepção os eleitores estão tendo.
Em marketing político, a comunicação é como uma droga. Em doses adequadas é medicamento, em doses elevadas é veneno fatal. É necessário comunicar, mas pior do que não fazer publicidade é fazê-la em demasia e de maneira errada. Tomar a palavra a todo momento banaliza a imagem do político. É preciso saber o momento certo e falar com muita moderação. O segredo da boa comunicação está nos detalhes que empregamos a ela e na moderação que aplicamos em nós mesmos.
As campanhas eleitorais vitoriosas devem ser multidisciplinares, envolvendo uma série de profissionais de diversas áreas. Não existe mais espaço para as campanhas de improviso, feitas apenas na base da intuição de acordos políticos. Acabou a era do candidato centralizador de poder.

O VOTO É POLÍTICA. E MARKETING.

O voto é influenciado por três componentes distintos: 1) ideológico; 2) político e 3) eleitoral. Portanto, dizer que voto é “marketing” é não entender coisa alguma da matéria. Voto é, antes de tudo e sobretudo, político. O marketing é apenas o mecanismo através do qual a política se manifesta.
Por isso dizemos que o voto político é firmado de forma direta, numa relação pessoal entre candidato e eleitor. Em cidades pequenas esse fator é grande e chega a 80% da motivação dos votos.
O voto ideológico influencia apenas uma pequena parcela dos eleitores. O discurso de esquerda, de direita, do socialismo ou liberalismo afeta pouco mais de 5% do eleitorado, atingindo o máximo de 10% no mercado nacional.
O voto eleitoral combina os elementos do que é político e do que é ideológico, produzindo uma forma distinta de percepção, representa o esforço concentrado de conquista do eleitor, é o campo de atuação do marketing político. Sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral.

MARKETING POLÍTICO, MARKETING ELEITORAL

O marketing político está relacionado com a formação da imagem a longo prazo. É utilizado por pessoas e políticos que desejam projetar-se publicamente.
Já o marketing eleitoral é de curto prazo. As estratégias e as táticas de comunicação são montadas em cima de um ambiente vivo, já existente, em andamento e não de um ambiente criado.

MERCADO ELEITORAL COMPETITIVO

O mercado eleitoral competitivo é composto por dois agentes básicos candidato e eleitores. O candidato deseja do eleitor informação e voto. Informação para poder criar programas de atuação política e o voto para chegar ao poder e desenvolver o seu programa.
Por outro lado o eleitor deseja do candidato uma boa comunicação e o cumprimento das promessas e dos favores.

O ELEITOR

Um dos problemas mais clássicos da ciência política é estudar e determinar o padrão de comportamento dos eleitores. Como ele pensa e decide o seu voto? Existe algum motivo para a escolha do seu candidato, quais aspectos que padronizam essa escolha?

No Brasil, através de alguns estudos realizados sobre o comportamento do eleitor, chegou-se a um consenso de que existem três leis fundamentais de posicionamento do eleitor, são elas:

Lei da Indiferença: Onde o eleitor, quando entra na cabine eleitoral põe fim a um difícil processo de tomada de decisão. Nessa hora ele se lembra de Pelé, de Sílvio Santos, do macaco Tião e de outras personalidades de forte presença em sua mente, menos nos candidatos, porque para ele, é tudo igual, é indiferente votar nesse ou naquele candidato.
Lei da Procrastinação: Representa o máximo adiamento. O eleitor adia, sempre que puder, sua decisão de voto para o período mais próximo possível da eleição. Cerca de 90% das pessoas ao dirigir-se a cabine eleitoral, já tem o seu candidato consolidado, mas 10% ainda entram para votar, com muita dúvida, são os procrastinadores e, esses podem decidir uma campanha mais acirrada.
Lei da efemeridade: As idéias e aspirações da sociedade obedecem a um ciclo de vida determinado (corrupção, ecologia, violência, etc...). A lei da efemeridade trata dos ciclos das idéias e aspirações, onde elas nascem, crescem, se desenvolvem, desgastam-se e desaparecem. Um candidato começar a defender uma causa ou uma idéia, ecologia, por exemplo, num momento em que o mundo inteiro não fala mais no assunto, é aderir a uma moda que aos olhos do eleitor já está ultrapassada, porque o mundo está preocupado neste momento é com o combate à violência.

O CANDIDATO

O candidato é o elo de ligação entre as causas públicas e o eleitor. É a primeira vitrine dos partidos, das ideologias, das estratégias de marketing e de seus ideais. O candidato é o conteúdo, é um contexto amplo entre partido, ideologia, vida e sua participação na vida social.
Os fatores que compõem um candidato são:

  • Potencial próprio: sua capacidade de liderança, suas habilidades, sua comunicação, sua habilidade de discurso e seu carisma;
  • Fatores Internos de pressão: Grupo político (partido ou facção) e grupo de financiamento;
  • Fatores Externos de pressão: Eleitores e adversários.

COMUNICAÇÃO

Cada dia que se passa as pessoas são bombardeadas por milhões de informações e estímulos. É claro que elas não conseguem processar e reter todas as informações, o que acontece é que a mente simplifica o que é recebido, aceitando apenas aquilo que interessa. A arte de se fazer ouvir, de se comunicar e persuadir está na identificação do caminho mais rápido para a mente. A pirâmide de Maslow, por exemplo, fornece pistas para descobrirmos o melhor caminho. Segundo ele as reações das pessoas aos estímulos são determinados basicamente pelas necessidades básicas (fisiológicas) até as mais elevadas(auto-realização).
A mídia eletrônica hoje é considerada de o “segundo deus” por sua onipresença e seu poder de influência sobre as pessoas. Cada veículo tem uma linguagem muito específica, mas quando se trata de televisão, a linguagem se aproxima bastante do cotidiano das pessoas, de forma simples e direta. O candidato deve estar ciente de que está invadindo a sala de estar dos eleitores, é nessa hora o equilíbrio e a moderação, devem fazer parte de seu comportamento, pois é como se ele estivesse conversando com o eleitor em sua casa.

PESQUISAS

Um dito de Maquiavel nos ensina “ a realidade é como é, não como gostaríamos que ela fosse”. Isso resume muito bem a importância da pesquisa na vida do candidato e mais ainda na vida do eleitor.
As pesquisas podem mensurar três tipos de levantamento para avaliação do eleitorado. As pesquisas de opinião pública procuram mensurar o conhecimento da população sobre determinados assuntos como ecologia, privatização, aids, economia, política, área social e etc. As pesquisas de acompanhamento e desempenho administrativo levantam os principais problemas da população, avaliam o desempenho dos governantes, aferem a imagem administrativa, o grau de conhecimento dos projetos e das obras realizadas e o grau de satisfação com os serviços públicos. Já as pesquisas eleitorais, por sua vez, procuram detectar as intenções de voto do eleitor a cada momento, aferindo o potencial de adesão ou rejeição a cada candidato.
Os fatores de maior relevância em uma pesquisa são: a imagem do candidato, sua trajetória política, seu carisma e empatia com o eleitor, seu programa de governo, sua principal meta de governo, a sua profissão, seu partido político, seus apoiadores e o grupo social em que está inserido ou se identifica.
Na eleição, como na guerra, grande parte das batalhas é decidida em tempos de paz. A preparação da campanha inicia-se com a avaliação do eleitorado, do potencial próprio do candidato e de seus prováveis inimigos.

PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS

1o.) Mantenha sempre um trunfo contra seus inimigos e saiba quando deve ser acionado;
2o.) Conheça o que pensa o eleitor, antes de partir para a sua conquista;
3o.) A melhor forma de conquistar a mente a mente do eleitor é ser primeiro a chegar;
4o.) Não basta ter o perfil desejado pela população, é preciso associar sua imagem a ele antes dos adversários;
5o.) Trabalhe na linha de menor resistência ao posicionamento na mente do eleitor;
6o.) Procure maximizar os pontos favoráveis e minimizar as falhas, se possível convertendo-se em virtudes;
7o.) Procure antecipar o ciclo de idéias e aspirações que predominará no momento da eleição;
8o.) O eleitor sempre associará o candidato a continuidade ou mudança. Compatibilize sua imagem com a tendência predominante, respeitando os limites impostos por sua personalidade;
9o.) Concentre seu discurso na valorização e unidade do partido;
10o.) Convenção é sinal de força. Se for conveniente, antecipe a convenção;
11o.) Concentre forças no seu principal inimigo, não desperdice munição atirando para todos os lados;
12o.) Procure sempre antecipar-se aos movimentos de adversários que possam ameaçar sua posição antes que seja preciso reagir;
13o.) Confirme os defeitos do inimigo junto ao eleitorado. Ataque nesse ponto;
14o.) Procure demonstrar incoerência entre o discurso do candidato e seu passado;
15o.) Utilize a força de liderança para eliminar as possibilidades de reação do inimigo;
16o.) Redirecione forças para os segmentos que apresentam maior potencial de votos;
17o.) Se a polarização é inevitável, procure levar seu adversário para o campo que lhe seja mais favorável;

MARKETING POLÍTICO PERMANENTE

A campanha permanente em ação requer uma composição de uma equipe com profissionais altamente competentes. A comunicação funciona como a outra ponta do processo de marketing permanente. Um problema resolvido não apresenta muito benefício à imagem do político, se não for adequadamente divulgado. Se o político se omite, não comunica, em determinadas ocasiões, ele deixa espaço para o crescimento da oposição, bem como, deixa espaço também para versões distorcidas de seus opositores.

O que é, afinal, marketing viral

Eu admito que o termo "marketing viral" é ofensivo. Intitule-se um "marketeiro viral" e as pessoas recuarão no mínimo dois passos. Eu recuaria e questionaria se já existe uma vacina para isso? Sinistra, a palavra vírus vem acompanhada de uma imagem de destruição, algo que não está totalmente morto mas não pode ser considerado completamente vivo, que habita em algum lugar daquele gênero inferior de filmes de desastre e de horror.
Mas você tem de concordar que o vírus é admirável. Ele tem um modo de viver em segredo até que seja tão numeroso que lhe permita vencer apenas pelo peso avassalador de seus números. Ele se agrega ao meio ambiente do hospedeiro e usa os recursos deste para aumentar a sua tribo. E, no ambiente certo, ele cresce exponencialmente. Um vírus nem mesmo necessita acasalar-se, ele simplesmente se reproduz, novamente e novamente, com um poder geometricamente crescente, dobrando a cada repetição.
Em poucas gerações uma população de vírus pode explodir.
Vamos então a definição de Marketing Viral segundo o Professor Doutor Ralph F. Wilson:

Marketing Viral descreve qualquer estratégia que encoraje alguém a passar uma mensagem de marketing a outro, criando assim o potencial para um crescimento exponencial da exposição da mensagem e sua influência. Assim como os vírus, tais estratégias tiram proveito da multiplicação rápida para fazer chegar suas mensagem até milhares ou milhões de pessoas. Fora do ambiente de negócios da Internet, o marketing viral foi chamado de "boca-a-boca", "marketing de rede" e outros. Mas, na Internet, para o bem ou para o mal, esta estratégia é chamada de "marketing viral". Enquanto outros marketeiros tentam encontrar outro nome e de alguma forma domesticá-la, eu não farei isto. Para mim, o termo "marketing viral" veio mesmo para ficar. Vejamos agora o clássico exemplo do hotmail.com: O exemplo clássico do marketing viral é o hotmail.com, um dos primeiros serviços grátis de e-mail baseado na Web. A estratégia é simples: Dê endereços de e-mail e serviços grátis: 1. Inclua uma chamada no final de cada mensagem grátis enviada, dizendo: "Obtenha seu próprio e-mail gratuito no site (por exemplo, o hotmail.com)"; 2. Fique aguardando enquanto as pessoas mandam e-mail à sua própria rede de amigos e parceiros; 3. Aqueles que vêem a mensagem; 4. Obtém seu próprio serviço de e-mail grátis; 5. Continuam a espalhar a mensagem para os seus, sempre crescentes, círculos de amigos e parceiros. Como ondas que crescem com a maré e se esparramam cada vez mais distante, uma estratégia de marketing viral cuidadosamente projetada, através de pequenas ondas avançará com a maré de forma extremamente rápida. Vejamos então, elementos de um estratégia de Marketing Viral: Aceitemos o fato de que algumas estratégias de marketing viral funcionam mais que outras, e que algumas funcionam tão bem quanto a simples estratégia do hotmail.com. Então, a seguir, vejamos os seis elementos básicos que você deve pensar em incluir na sua estratégia. Uma estratégia de marketing viral não precisa necessariamente conter todos estes elementos, mas quanto mais elementos ela adotar, maiores serão as suas chances de um bom resultado. Uma efetiva estratégia de Marketing Viral: 1. Dá produtos ou serviços de real valor; 2. Provê ferramentas que facilitam a transferência para outros; 3. Permite um fácil reescalonamento da condição de pequeno para muito grande; 4. Explora motivações comuns e comportamentos; 5. Utiliza as redes de comunicação já existentes; 6. Tira proveito dos recursos de outros. Examinemos brevemente a cada um destes elementos: 1. Dá produtos ou serviços de real valor: "Grátis" é a palavra mais poderosa no vocabulário de um marketeiro. A maioria dos programas de marketing viral dá valiosos produtos ou serviços para chamar a atenção. Serviços de e-mail grátis, informação livre, brindes interessantes, programas de software grátis que executam funções poderosas mas não tanto quanto quando você usa a "versão profissional". A Segunda Lei de Wilson para o Webmarketing é "A Lei de Dar e Vender". Os adjetivos "Barato" ou "de valor inexpressivo" podem gerar uma onda de interesse, mas o "Grátis" normalmente fará com que isto ocorra muito mais rápido. Marketeiros Virais são adeptos da gratificação atrasada. Eles podem não lucrar hoje, ou amanhã, mas se eles conseguirem gerar um avalanche de interesse em algo grátis, eles sabem que eles lucrarão "logo e para o resto de suas vidas" (com desculpas ao filme "Casablanca"). Paciência, meus amigos. Grátis atrai globos oculares. Globos oculares vêem outras coisas desejáveis que você está vendendo e então, pronto, você ganha dinheiro. Globos oculares trazem valiosos endereços de e-mail e prenunciam lucros e oportunidades de vendas no comércio eletrônico. Dê algo e você acabará vendendo algo. 2. Provê ferramentas que facilitam a transferência para outros: Durante o Inverno e os períodos de gripes, profissionais da saúde recomendam: fique longe de pessoas que tossem, lave freqüentemente suas mãos, e não toque seus olhos, nariz, ou boca. Vírus só se espalham quando são fáceis transmitir. O veículo que levar sua mensagem de marketing viral deve ser fácil de transferir e reproduzir: e-mail, Website, gráfico, download de software. O Marketing Viral notoriamente funciona na Internet porque a comunicação imediata tornou-se fácil e barata. O formato digital simplifica o ato de copiar. Do ponto de vista de marketing, você tem que simplificar sua mensagem comercial de forma que ela possa ser transmitida facilmente e sem ser deturpada. Quanto menor, melhor. O clássico é: "Obtenha seu próprio e-mail grátis no site hotmail.com". A mensagem está compelindo e motivando o leitor e encontra-se comprimida e facilmente copiável no final de toda mensagem de e-mail grátis transmitida. 3. Permite um fácil reescalonamento da condição de pequeno para muito grande: Para esparramar-se como fogo de palha o método de transmissão deve permitir um rápido reescalonamento da condição de pequeno para muito grande. O ponto fraco do modelo hotmail.com é que um serviço de e-mail grátis exige a disponibilidade de servidores para transmitir a mensagem. Se a estratégia tiver um êxito enorme, terão de ser adquiridos com urgência novos servidores ou o crescimento rápido provocará um congestionamento e aí, é adeus e morte certa. Se um vírus só se multiplica para matar o anfitrião e antes deste crescimento nada é realizado. Se você planejar antecipadamente como vai adicionar novos servidores e atender ao crescimento ocorrido, você estará numa boa. Você tem que prever o reescalonamento na sua estratégia de marketing viral. 4. Explora motivações comuns e comportamentos: Estratégias de Marketing Viral inteligentes tiram proveito das motivações humanas mais comuns. O que fez, nos primórdios da Internet proliferar o bottom "Netscape Now"? O desejo de ser cool. A cobiça move o ser humano. Assim como a vontade de ser popular, amado e compreendido. E o resultado desta urgência em se comunicar produz milhões de Websites e bilhões de mensagens de e-mail. Desenvolva uma estratégia de marketing que seja baseada em gerar sua transmissão a partir de motivações comuns e comportamentos, e você terá uma estratégia vencedora. 5. Utiliza as redes de comunicação já existentes: A maioria das pessoas é um ser social. Os "nerdys" que vivem em porões e não saem da frente de um computador são as exceções. Os cientistas sociais estimam que cada pessoa tem uma rede de 8 a 12 pessoas que fazem parte de sua rede de relacionamentos íntimos, entre amigos, família, e parceiros. Esta rede pode ser muito maior no caso de algumas pessoas que possuem números que beiram as centenas ou até milhares de pessoas, muito de acordo com a posição social desta pessoa. Por exemplo, uma garçonete pode comunicar-se regularmente com centenas de clientes por semana. Os marketeiros de rede entenderam há muito tempo o poder destas redes humanas. Pessoas na Internet desenvolvem redes de relações, também. Eles colecionam endereços de e-mail e URLs de seus sites favoritos. Programas de Afiliação exploram tais redes desenvolvendo listas de e-mail baseadas no marketing de permissão. Aprenda a colocar sua mensagem em comunicações existentes entre outras pessoas e você rapidamente multiplicará a sua propagação. 6. Tira proveito dos recursos de outros: O mais criativo plano de marketing viral usa recursos alheios para se propagar. Por exemplo, Programas de Afiliação colocam textos e links gráficos no Website de outros. Autores que dão artigos grátis, buscam posicionar seus artigos em Webpages de outros. Um destes artigos pode ser apanhado por centenas de jornais para formar a base de um outro artigo que será visto por centenas de milhares de leitores. Desta forma, a todo momento alguém pode estar retransmitindo em um site ou num newsletter, a sua mensagem de marketing. Neste caso os recursos de outra pessoa estão sendo gastos em lugar de seus próprios recursos.

terça-feira, julho 03, 2007

Outdoor politicamente correto

Enquanto nossa cidade volta a ser poluída por outdoors políticos fora do prazo legalmente permitido para tal, nos Estados Unidos o Billboard Liberation Front (BLF), que altera outdoors para fazer denúncias, fez outra de suas intervenções politicamente corretas. Mudou um outdoor em San Francisco. Onde havia uma peça da Chevron, de combustível, existe agora um anúncio 'promovendo' o Departamento de Defesa americano e as empresas contratadas para trabalhar no Iraque. A imagem exibida é a silhueta do prisioneiro de Abu Ghraib fotografado de pé sobre uma caixa, com capuz na cabeça e fios de eletricidade presos ao corpo - ícone da tortura promovida pelos militares americanos no país invadido.



sexta-feira, junho 15, 2007

Barbárie e fundamentalismo

A foto mostra dois jovens, identificados como “M.A.” (de 18 anos) e “A.M.” (de 16 anos), que foram enforcados em Mashhad, no Irão, por terem praticado sexo um com o outro.
De acordo com a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos (Iranian Student Press Agency ou I.S.N.A.) que também fez a fotografia acima, os dois estudantes foram condenados ao abrigo da Lei Islâmica da Sharia, que pune os atos Homossexuais com a morte. Segundo a fonte, durante o julgamento os dois jovens admitiram serem homossexuais, mas afirmara desconhecer que essa prática era considerada "crime", nem que era punida com a pena capital, dizendo que esses atos eram comuns na entre jovens iranianos, homens ou mulheres.
A I.S.N.A. informou também que o juiz se recusou a considerar a idade dos jovens, que era menor a 21 anos, violando assim os vários acordos que este país ratificou nos quais proíbe a execução de menores de 21 anos.
Outro dado a ter em conta é que desde a Revolução Iraniana, 1979, que derrubou um governo fantoche dos Estados Unidos, mais de 4.000 homossexuais, mulheres e homens, foram executados, segundo informam várias organizações iranianas ativistas de Direitos Humanos.

quarta-feira, junho 06, 2007

TV ou Partido Político

A decisão do governo Hugo Chávez de não renovar a licença da Rádio Caracas Televisão (RCTV) vem suscitando manifestações pró e contra, na Venezuela e América Latina, com repercussões em vários países. O fato é paradigmático na história das relações entre a mídia, o campo da política e a sociedade.
Em 11 de abril de 2002, a oposição protagonizou um golpe de estado contra o presidente Chávez. À frente, o empresário Pedro Carmona, o líder sindical Carlos Ortega, setores do alto comando das forças armadas e duas emissoras de televisão privada que operavam no País: RCTV e a Venevisión, do magnata Gustavo Cisneiros.
O plano do golpe era perfeito, exceto por um "detalhe": os golpistas esqueceram de combinar com a população. Em menos de 48 horas, o presidente que já estava preso, voltaria ao poder nos braços de mais de dois milhões de pessoas, mobilizadas por uma notícia divulgada pela CNN (em espanhol): Chávez não havia renunciado. A informação furava um bloqueio midiático patrocinado pelas grandes redes, que transmitiam desenhos animados e mentiam à população.
Uma emissora de televisão resulta de concessão pública. Cabe indagar: é papel de uma empresa de comunicação ser de "oposição" ou de "situação"? A meu juízo, nos dois casos estaria desservindo ao interesse público e à democracia.
O jornal "O Estado de S. Paulo" respondeu a questão com a maior naturalidade (27/05/2007) e chamou a RCTV de "TV opositora". Ora, como concessão pública, espera-se que uma emissora cumpra seu papel balizado por dois princípios maiores: prestar serviços de qualidade à sociedade e tratar a informação como bem público.
As emissoras de TV comerciais da Venezuela tiveram participação direta na tentativa de golpe e agiram à margem da lei. O próprio "Estadão" registra que o "protagonismo" do diretor da RCTV, Marcel Granier, no golpe de 2002, "a bem da verdade é admitido até por setores da oposição". Não cabe a uma emissora de TV ser de "situação" ou de "oposição". Para cumprir esses papéis, a sociedade elege líderes políticos que a representam em governos e parlamentos. A função de criticar, livre e autonomamente, governos e figuras públicas nada tem a ver com "oposição" nem golpismos.
Há uma semana, um grupo de 24 personalidades inglesas, lideradas pelo escritor Harold Pinter (Nobel de Literatura) e o cineasta John Pilger, divulgou no jornal "The Guardian" (26/05/2007) um manifesto apoiando a decisão do governo venezuelano. Junto-me a eles, compreendendo o alcance histórico desse gesto.
Diz o texto: "A decisão é legítima uma vez que a emissora repetidamente fomentou a derrubada do governo democraticamente eleito do presidente Hugo Chávez". E indaga, em outro trecho: "Imaginem as conseqüências se se descobrisse que a BBC ou o ITV fizeram parte de um golpe contra o governo britânico". Pergunto ainda: por quanto tempo a CNN e a Fox News ficariam no ar se flagradas pelo governo Bush em aventura similar?
O jornalista Luiz Carlos Azenha (TV Globo, http://www.viomundo.com.br/) escreve: "É interessante que nunca tenha ocorrido aos donos da RCTV que deturpar informações, omitir, mentir e violar as leis pudesse ter alguma conseqüência". Azenha reuniu em seu blog vasto material de pesquisa sobre o tema e a íntegra do documentário "A revolução não será televisionada", que conta em detalhes a tentativa de golpe.
Pela primeira vez, na história latino-americana recente um governo popular enfrenta o poder antidemocrático da mídia, nos marcos do Estado de Direito, a despeito de quaisquer críticas cabíveis ou não ao projeto de governo de Hugo Chávez Frias.

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Samuel Lima, santareno, é jornalista, coordenador do Curso de Jornalismo do Instituto Bom Jesus/IELUSC, de Santa Catarina.

quarta-feira, maio 30, 2007

Valssa

Belém é um celeiro de talentos em todas as áreas. Na área musical, coloca no chinelo centros supostamente formadores de astros, como a Bahia. Sem alarde, sem mídia, sem apoio oficial, a música feita aqui vai produzindo um recorte mágico de influências universais temperadas com nossas coisas, com nossa fala, com a musicalidade de nossa linguagem cheia de sutilezas. Um exemplo da nova safra de talentos é a banda Valssa. A criatividade não termina no nome, uma corruptela que múltiplas interpretações. Surgida em meados de abril de 2006, Valssa sempre procurou expressar o cotidiano das pessoas do seu entorno, a própria Belém, urbanóide amazônica, contradição em si. A pegada é o hardcore, que já e utilizado em larga escala para expressar descontentamentos tanto político quanto social ou para mostrar o cotidiano das pessoas ou expressar sentimentos reprimidos. Valssa é integrado por Pablo, contrabaixo, Artur, guitarras e back vocal, Alex, bateria e Alexandre, o vocal. Se você gosta de peso, vale a pena ouvir os garotos no link http://www.purevolume.com/valssa

quarta-feira, maio 23, 2007

Internet brasileira bate record

O Ibope Net/Ratings anunciou um novo recorde na internet brasileira. Segundo informações do Instituto o mês de abril alcançou a marca de 21 horas e 44 minutos por usuário na web. Esse é o maior período de utilização da internet desde setembro de 2000, e faz com que o País na liderança de uso doméstico em todo mundo. O tempo é 49 minutos (ou 3,9%) maior se comparado com março.
O número de pessoas com acesso à rede mundial continou em 25 milhões de brasileiros, enquanto os que possuem acesso à web em qualquer ambiente (casa, trabalho, escolas, universidades e outros locais) variou 0,8% - passando de 32,9 milhões para 33,15 milhões.
O crescimento anual de horas navegadas é de 11,8%. Segundo Alexandre Sanches Magalhães, coordenador de análise do Ibope, “a influência de melhores conexões e conteúdos mais atrativos e que demandam mais tempo do usuário ajudam a explicar esse novo recorde”.
Estados Unidos, com tempo médio por internauta residencial de 18h49min, França, com 18h32min e Espanha, com 18h30min, ficaram na segunda, terceira e quarta colocação por tempo de utilização, respectivamente.

quarta-feira, maio 16, 2007

Sea of skin

“Sea of skin”, o espetacular filme de 60 segundos exibido no mercado estadunidense e criado pela agência Bartle Bogle Hegarty, foi merecidamente o ganhador do Ouro no Clio 2007, o mais importante certame publicitário do mundo. O comercial pretende vender o produto Vaseline, da Unilever, mas vende bem mais que isso: a diversidade humana, a tolerância mútua e o fim do preconceito.
Você pode apreciar esse espetáculo no link: http://www.adforum.com/creative_archive/2006/lastweektop5/reel_detail2.asp?ID=6696622&tdi=VD1uK3FFvR

segunda-feira, maio 07, 2007

Frase

"Na maioria dos casos, a inovação traz alguma indisciplina, contrariedades e iconoclastia. Ela se alimenta de confusão e contradição. A inovação, enfim, vai contra tudo aquilo que os pais querem para os seus filhos, os executivos para as suas empresas e os governantes para seus povos. E pessoas inovadoras são um saco! No entanto, sem inovação estamos condenados - pela chatice e pela monotonia - ao declínio".
Marshall MacLuhan (1911-1980).

sábado, maio 05, 2007

Guerrilha na calçada

Marketing de Guerrilha significa estratégias pouco convencionais, nada tradicionais, que não estão no manual e são extremamente flexíveis. O termo marketing de guerrilha vem da guerrilha bélica, ou seja, é um tipo de guerra não convencional no qual o principal estratagema é a camuflagem (combate não frontal, através de rápidas investidas e desaparecimento repentino dos combatentes) e extrema mobilidade dos guerrilheiros. Em geral, táticas de guerrilha são usadas por uma parte mais fraca contra uma mais forte como. Se por um lado os guerrilheiros muitas vezes carecem de equipamento e treinamento militar adequados, por outro contam com a ajuda de populações que os defendem e com ataques-surpresa ao inimigo, sem necessidade de manter uma linha de frente. O conhecimento do terreno de combate também é uma arma bastante usada na guerra de guerrilhas. Um bom exemplo é a ação de guerrilha criada pela TBWA francesa para divulgar as lentes objetivas (entenda-se Zoom) da marca Canon. Foram utilizados os tradicionais "postinhos" de cimento que impedem veículos de parar em cima das calçadas e estão espalhados por toda Paris, para demonstrar o poder das novas lentes.

quarta-feira, maio 02, 2007

Magia

Talvez você não tenha se dado conta, mas às vezes a magia ocorre assim: o som, a voz, a música, encontram as palavras certas e então faz-se a luz. Se você duvida, ouça aqui Luciana Souza entoando Pablo Neruda, o mestre chileno da palavra, num momento de magia absoluta. http://www.youtube.com/watch?v=X4THL1sFioE

A internet matará o jornalismo impresso?

O editor do The New York Times, um dos jornais mais prestigiosos do mundo, não tem certeza se a publicação continuará a ser impressa daqui a cinco anos, devido à concorrência da internet, mas diz não estar preocupado com o fato. Em uma entrevista ao jornal israelense Haaretz, Arthur Sulzberger, presidente do grupo editorial, explicou as perspectivas da editora, que há quatro anos tem as contas no vermelho (na semana passada, o grupo declarou um prejuízo de US$ 570 milhões do jornal Boston Globe, também publicado por eles). "Não sei realmente se daqui a cinco anos ainda vamos imprimir o Times e, na verdade, não importa muito", disse Sulzberger. O fundamental, segundo ele, é se concentrar no melhor modo de operar a transição da folha impressa à internet. "A internet é um lugar maravilhoso e nesse terreno estamos à frente de todos", disse o editor, feliz com o aumento de leitores da edição online do NYT, que passou a registrar 1,5 milhão de acessos por dia, enquanto o número de assinantes da edição impressa é de 1,1 milhão. Sulzberger explicou que chegou ao momento em que o grupo terá de decidir se vai manter ou não a edição impressa. É um processo que levou, por exemplo, à junção das redações do jornal impresso e da edição virtual. Segundo Sulzberger, é também um processo que deve rever as relações com os profissionais, com o desafio da manutenção de cotas de publicidade e as conseqüentes pressões dos anunciantes, com a concorrência da informação capilar, incontrolável, global e gratuita dos blogs, e a adequação a novas plataformas tecnológicas usadas para veicular notícias.